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A dura labuta dos pescadores da vila da Pambala

Alfredo Ferreira e Edson Fontes | Pambala

A vida dos pescadores da localidade da Pambala, a cerca de 12 quilómetros da sede comunal da Barra do Dande, não é fácil. A rotina é exaustiva e arriscada. Antes de o sol nascer, muitos já pegaram as suas canoas para uma longa aventura, mas a hora do regresso é uma incógnita.

Muitos jovens da província do Bengo fazem trabalho de pesca na praia da Pambala garantido a sustentabilidade das suas famílias
Fotografia: Edmundo Eucilio / Bengo

Os pescadores seguem a sua intuição e a experiência de uma vida para encontrar o cardume e então lançar a rede. As malhas seguem sempre as medidas de 70, 80 milímetros, ou mais, de diâmetro, para apanhar peixes adultos, ao contrário da rede de malha fina, usada pela pesca de arrasto.
Ao chegar ao local escolhido, começa a árdua tarefa de lançar a rede, mantendo-a afastada da canoa com o auxílio de um bastão. Uma rotina seguida todos os dias e que por vezes rende pouco peixe. Independentemente das condições meteorológicas, nem sempre há sorte no mar.
Augusto Vicente, de 69 anos, tem atravessado muitas dificuldades desde que se fez à pesca. Para obter bons resultados na captura do peixe, é necessário o esforço de toda a equipa, garante “Estou há 25 anos nesta actividade pesqueira e digo que nem se pode falar em facilidade, mas há sempre a vontade de trabalhar, a faina é que nos dá o pão todos os dias.” Bem mais novo, Manuel Bento, de 22 anos, disse ao Jornal de Angola que é necessário que abram lojas na Pambala para a venda de materiais de pescas, assim como um centro de apoio à pesca artesanal, para ajudar os pescadores na aquisição de artefactos para as suas actividades. De olhos postos no futuro, considera que os empresários deviam investir na actividade piscatória, para diversificarem as fontes de arrecadação de receitas, uma vez que a região é rica em espécies de pescado.
O presidente da associação pesqueira da localidade, Manuel Cartão, disse ao Jornal de Angola que a falta de apoios, como embarcação e outros materiais de pesca, tem dificultado muito o desenvolvimento das suas actividades. “Estamos à espera de apoios. Enquanto não chegam, vamos dar continuidade aos trabalhos, visto serem a essência da nossa sobrevivência”, lamenta.  O presidente da associação, composta por 40 pescadores, revelou que o peixe que mais aparece na localidade é o pungo, corvina, linguado, barbudo e a cabuenha, além de marisco, que são comercializados na Barra do Dande, Caxito ena província de  Luanda.

Rendimento baixo


Manuel Cartão considerou que qualquer esforço deve ser compensado com os rendimentos, mas actualmente na pesca há pouco lucro, em consequência da redução das quantidades de pescado, devido às constantes violações das más práticas de pesca.
Lembra, com alguma nostalgia, um tempo passado, em que eram capturadas perto de duas a três toneladas de peixe por dia, quantidade actualmente difícil de alcançar.
“Os jovens utilizam redes com malhas não recomendadas, afugentam o cardume, usam lanchas motorizadas e utilizam aparelhos de música, factores que comprometem o bom rendimento da actividade pesqueira”, observou.
Domingos Sebastião, de 65 anos, 40 dos quais dedicados à pesca, referiu que em comparação com a década de 80, o volume de rendimento diminuiu consideravelmente, o que tem feito com que muitos pescadores se refugiem na agricultura.
Para ele, a actividade agrícola rende mais. Além disso, só se lavra durante o dia e as noites são reservadas ao descanso, ao contrário da pesca, “que requer movimentos permanentes”.

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