Províncias

Albufeira permite criar a cintura verde de Luanda

Noé Jamba | Kiminha

O Gabinete de Aproveitamento Hidro Agrícola da Kiminha, na província do Bengo, é tutelado pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.

Ernesto Chicucuma fala de novos projectos
Fotografia: Edmundo Eucílio

O Gabinete de Aproveitamento Hidro Agrícola da Kiminha, na província do Bengo, é tutelado pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. Tem a responsabilidade de garantir água a extensas áreas de produção, dinamizar a pecuária e prestar assistência aos agricultores. Ernesto Chicucuma, director do gabinete, em entrevista exclusiva ao nosso jornal, falou da situação actual e dos projectos futuros.

Jornal de Angola - Qual é a importância da barragem da Kiminha no da região?

Ernesto Chicucuma - A barragem tem o terceiro maior lago artificial do pais mas está inoperacional e a sua segurança estrutural ameaça ruína. Os estudos técnicos e económicos foram feitos em 1964 mas a represa apenas foi construída em 1974. A barragem é muito importante e fundamental para a valorização agrícola do curso inferior do vale do rio Bengo. Tem uma bacia hidrográfica de 7.200 quilómetros quadrados que permite a irrigação de aproximadamente 55 mil hectares.

JA. - Qual a capacidade real da barragem da Kiminha?

EC -  Os 1.560 milhões de metros cúbicos de água existentes na albufeira da Kiminha asseguram a  irrigação de 55 mil hectares de terras. Com a sua capacidade de amortecimento regula o caudal natural do rio, protegendo de inundações as zonas a jusante da barragem. Tem uma torre de tomada de água, válvula de jacto oco, descarregador de cheias, descarregador de fundo e órgãos de manobra, como comportas e guindastes.

JA - Que medidas foram tomadas para proteger as estruturas da barragem?

EC – Foi realizado um concurso público para a empreitada de tratamento do maciço da margem direita e para a reabilitação e reforço do sistema de observação da barragem da Kiminha. Temos de assegurar a segurança estrutural da barragem porque a sua ruptura pode provocar perdas de vidas humanas e enormes prejuízos económicos.

JA - Em que consistem as obras?

EC - Esta empreitada tem como objectivo colmatar, através da injecção de cimento, as fugas de água que ocorrem no maciço da margem direita da Kiminha e que colocam em causa a zona de encontro  do corpo da barragem com o maciço. Depois vai ser instalado na barragem um sistema de observação, que permite avaliar o seu comportamento estrutural.

JA - Como é reforçada a estrutura da barragem?

EC - Primeiro vamos fazer a impermeabilização do maciço da margem direita e depois reforçamos o sistema de observação. Temos que reparar os equipamentos hidromecânicos dos órgãos de segurança da barragem, reabilitar as infra-estruturas do estaleiro e é preciso reparar a rede eléctrica e de iluminação pública. Para além disso temos que combater os fenómenos erosivos e reparar a estrada que liga Catete à Kiminha e vias de circulação interna.

JA - Qual é o programa de valorização deste projecto?

EC -  Temos acções que visam o aproveitamento dos terrenos localizados a jusante da barragem e  a construção de infra-estruturas para a rega de 40 mil hectares de terrenos de aluvião nas margens do rio Bengo.Do programa consta ainda a rega de 15 mil hectares de solos mais arenosos localizados em zonas mais elevadas, desbocamento de lagoas para permitir  a recuperação de 5 mil hectares de terrenos férteis, drenagem e enxugo das terras beneficiadas pelo projecto, defesas contra cheias, correntes e marés, reordenamento da propriedade rústica e construção de núcleos para agricultores.

JA - Há algum plano para o aproveitamento da água armazenada na albufeira?

EC -  Temos algumas medidas que visam a exploração das potencialidades do armazenamento das águas na albufeira. Queremos instalar uma central hidroeléctrica de 16 megawatts de potência máxima, para fornecimento de energia a pequenas unidades industriais que possam surgir. Pretendemos construir a rede de transportede energia, associada ao aproveitamento hidroeléctrico para apoio ao sistema de rega e abastecimento público. Vamos fazer o levantamento do estado da ocupação das terras do perímetro agrícola.

JA - Há perspectiva de investimentos privados?

EC - Neste momento reacendeu-se o interesse  do sector privado, tendo sido apresentada e aprovada pelo Conselho de Ministros uma proposta do grupo israelita Tahal, visando a instalação de populações deslocadas. O Projecto Aldeia Nova também tem um projecto em carteira. E há igualmente um projecto da Cooperativa das Forças Armadas Angolanas.

JA - Há projectos na área do Turismo?

EC.- Esta região está valorizada pela albufeira da barragem da Kiminha no rio Bengo. Tem bons e fáceis acessos, está a 80 quilómetros de Luanda, a 18 quilómetros da estrada de Luanda para Malange e Kwanza-Norte. Mas até agora não surgiram projectos para a área do Turismo.

Tempo

Multimédia