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Ambriz tem potencial turístico por explorar

Guimarães Silva| Ambriz

Van-Dúnem Pereira João, administrador adjunto para a Área Económica do Ambriz, fala ao Jornal de Angola sobre o quadro geral de desenvolvimento do município, que tem no turismo, pesca e agricultura as pedras basilares para o desenvolvimento.

Van-Dúnem Pereira João, administrador adjunto para a Área Económica do Ambriz, fala ao Jornal de Angola sobre o quadro geral de desenvolvimento do município, que tem no turismo, pesca e agricultura as pedras basilares para o desenvolvimento.
JORNAL DE ANGOLA - Que acções foram desenvolvidas durante 2011, no quadro da segurança alimentar e combate à pobreza?
Van-Dúnem João - Durante esse período, no âmbito da campanha 2011/2012, que teve o início em Setembro, foram distribuídos instrumentos agrícolas e sementes ao nível do município.
JA – Como está a evoluir o processo de descentralização no município?
VJ – É um processo que caminha a passos lentos mas seguros, tendo em conta a sua complexidade. Os passos dados mostraram a sua valência e também que o futuro será promissor.
JA - Com que contribuições (impostos) o município contribuiu para o Orçamento Geral do Estado em 2011?
VJ - O município do Ambriz contribuiu com uma quantia de 24.8 milhões de kwanzas.
JA - O município possui um grande potencial pesqueiro. Fale um pouco deste particular. Os níveis de captura são satisfatórios?
VJ - Os níveis de captura não têm sido os desejáveis, porque as embarcações que os nossos armadores possuem não se encontram em bom estado. O município carece de atenção para melhorar o quadro em termos de pesca.
JA - Que indicadores há em termos de agricultura?
VJ - Em 2011, cultivamos 10 hectares na cintura verde do Tabi, o que resultou na produção de cerca de 40 toneladas de produtos diversos, como cebola, repolho, couve e pimenta. No âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza, de Outubro a Novembro foram preparados oito hectares na cintura verde do Ambriz e temos em perspectiva o cultivo de 60 toneladas de horto-frutícolas (banana e verduras).
JA - Que avanços apresenta o Ambriz quanto ao programa “Água para todos”?
VJ - Temos água no Ambriz, na Belavista e no Tabi. Os três sistemas são abastecidos pelas empresas Camarix e Petromar. O abastecimento tem sido regular, não obstante algumas avarias que acontecem.
JA – A educação e a saúde podem ser considerados pontos de referência, pela positiva, no município?
VJ - O município é servido por uma rede escolar de 21 escolas do ensino geral, primário, I e II ciclos. O município tem matriculados 5.974 alunos em 2012. Quanto à saúde, no âmbito da execução do programa de qualidade e equidade de serviços de saúde (projecto de cuidados primários de saúde) foram empregues 191,5 milhões de kwanzas. O montante foi aplicado na reabilitação e apetrechamento do Centro da Bela Vista, Kimuala, aquisição de uma ambulância, uma viatura Land Cruiser e outra viatura Mahindra, bem como no funcionamento do laboratório de análises clínicas. A aquisição de medicamentos, material hospitalar, mini arcas para vacinas, fogões a gás, mobiliário para a residência dos enfermeiros e outras actividades.
JA - Que projectos concretos existem para a melhoria do saneamento básico no município?
VJ - Neste âmbito, foram programadas várias acções, com destaque para o acompanhamento da recolha do lixo, aquisição e distribuição de kits de saneamento, construção de latrinas comunitárias nos bairros da sede e das comunas.
Este exercício completa-se com a construção de balneários, lavandarias públicas, do sistema de drenagem de águas pluviais, limpeza das sarjetas, embelezamento dos núcleos populacionais, manutenção das praias e zonas balneares.
JA - Qual o ponto de situação das estradas e pontes do Ambriz?
VJ - O município é atravessado de norte a sul pela estrada nacional número 201, que neste momento se encontra em reabilitação. Dentro do município, temos pontes sobre os rios Virua, Loge, Wezo e Chinda, que também estão abrangidas no quadro da reabilitação. O acesso ao município é feito através da estrada que passa pela Barra do Dande e liga o Bengo à província do Zaire. O interior é servido por vias secundárias, que perfazem um total de 418 quilómetros, muitas delas carecem de reabilitação.
A sede municipal liga-se às comunas através de estradas secundárias, não asfaltadas.
JA - O Ambriz detém potencial turístico com possibilidades de ser uma mais-valia para o país. Que planos existem para o ressurgimento deste sector?
VJ - O Ambriz tem este potencial devido à sua posição geográfica, no litoral, com uma costa marítima de cerca de 100 quilómetros de extensão. Temos praias atraentes, como as da vila, Kifuca, Capulo, Quigigi, Kinkacala e Yembe. Temos também áreas de beleza turística, como as quedas do Valawa e do Kimbumbe, na comuna da Belavista, a coutada do Ambriz, um símbolo internacional, a pedra mariana, a torre do Ambriz e a fortaleza. Gostaríamos de focar também a beleza arquitectónica da vila, que se tornou um ponto convidativo para muita gente. Estamos abertos a interessados que queiram explorar o turismo no município. Os nossos planos baseiam-se no levantamento de todas as potencialidades em termos de turismo. Existem pedidos para a exploração de áreas na costa marítima e no interior do município.
JA – Que estratégias existem quanto à criação de empregos para a juventude?
VJ - A problemática do emprego e da formação profissional assumem contornos cada vez mais relevantes. No nosso município, as oportunidades de emprego não muitas, devido à paralisação total de parte importante do parque industrial. É imprescindível a articulação dos vários operadores económicos visando encontrar soluções para superarmos o problema. Temos como estratégias a criação de micro empresas, acompanhamento permanente de actividades de formação e realização profissional, assim como o emprego. Vamos prestar atenção aos formandos para a sua inserção no mercado de trabalho, atrair empresários para dar dignidade aos jovens com o primeiro emprego, distribuir pequenas e médias oficinas a beneficiários que já possuem conhecimentos básicos, e acções de formação profissional para os desempregados que estejam interessados em desenvolver uma actividade de pequeno negócio.

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