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Apagar as marcas da guerra e rumar à reconstrução

Pedro Bica | Pango Aluquém

O município do Pango Aluquém, na província do Bengo, está a levar a cabo obras de construção e a apetrechar os serviços sociais básicos, com o objectivo de eliminar o triste cenário dos escombros deixados pela guerra e que ainda são visíveis.

Felisberta da Costa
Fotografia: Edmundo Eucílio

O município do Pango Aluquém, na província do Bengo, está a levar a cabo obras de construção e a apetrechar os serviços sociais básicos, com o objectivo de eliminar o triste cenário dos escombros deixados pela guerra e que ainda são visíveis. De acordo com a administradora municipal, Felisberta da Costa, o primeiro passo consistiu em convidar os empresários locais a reactivarem as suas actividades comerciais e assim contribuírem para o desenvolvimento e melhoria da imagem da região.
Apesar de reconhecer que o sector da indústria e do comércio ainda estão inoperantes, a responsável municipal revelou que a municipalidade possui solos aráveis para a prática da agricultura em grande escala. “Os ricos e aráveis solos do nosso município dão a qualquer agricultor que pretenda apostar no sector a certeza de que estará a contribuir no programa de combate à fome e à pobreza, um desafio assumido pelo Governo Central” disse.
Realçou que, com a conclusão das obras de reabilitação da estrada inter-municipal, estão criadas as condições mínimas que podem impulsionar os empresários a investir no Pango Aluquém. Outra novidade reside no facto de as vias que dão acesso às zonas rurais e à única comuna estarem, nesta altura, a ser reabilitadas para facilitar a implementação do plano integrado de desenvolvimento municipal.
Felisberta da Costa é da opinião que, com o alcance da paz, as pequenas infra-estruturas de apoio social básico às populações, que aos poucos o Governo constrói, já constituem um grande incentivo de atracção ao investimento privado. A par disso, revelou que, no município, grande parte das fazendas em estado de abandono se forem reabilitadas podem criar outros pólos de atracção, já que também possuem condições para a prática de turismo rural. A reactivação das fazendas, acrescentou, pode igualmente ajudar a desenvolver actividades que visam a realização de campanhas de preservação do meio ambiente.
A energia eléctrica que abastece parcialmente a sede municipal de Pango Aluquém tem origem num grupo gerador com a capacidade de 1.500 Kva, o que preocupa as autoridades locais devido ao nível de crescimento pretendido.
A administradora municipal adiantou que está em curso um projecto que visa dar continuidade ao processo de reabilitação e ampliação da rede eléctrica domiciliar, em toda a extensão do município. Indicou que após a conclusão das obras de reabilitação da Barra das Mabubas, o governo do Bengo vai estender a rede eléctrica aos municípios do Bula Atumba, Dembos Kibaxe e Pango-Aluquém.  
Felisberta da Costa referiu igualmente que o percurso por onde passava a linha de alta tensão para estas localidades já foi desminado e aguarda, a qualquer momento, a colocação de novos postes e fios eléctricos.

 Pango Aluquém sem água tratada

O sector das águas no município do Pango reclama por um sistema de captação, tratamento e distribuição, pois neste momento a população é obrigada a consumir água não tratada tecnicamente e de furos feitos no solo da sede municipal. Neste capítulo, Filisberta da Costa informou que decorrem estudos, a cargo de uma empresa nacional, com o objectivo de apresentar um programa de construção de um novo sistema de tratamento de água.
A falta de água potável na zona tem causado sérios problemas à saúde pública dos munícipes, que se debatem com doenças diarreicas agudas, sarnas e infecções urinárias. Para ultrapassar esta situação, está em estudo um programa de âmbito local no domínio da saúde pública, que vai promover campanhas de sensibilização porta a porta e palestras nos locais de trabalho e escolas do município.

 Saúde conta com novo hospital

A saúde tem, neste momento, concluído, apetrechado e em pleno funcionamento o hospital municipal que vai atender os serviços de pediatria, ginecologia, análises clínicas e farmácia.
As grandes dificuldades residem na falta de médicos e enfermeiros para atender a população que procura os serviços de saúde, bem como de residências para acomodar o pessoal em falta. O hospital do município de Pango Aluquém tem, ainda, uma maternidade, área administrativa e sala de internamento com uma capacidade para um total de 50 pacientes.
O sector da saúde dispõe ainda de um hospital regional, devidamente apetrechado e equipado na região dos Dembos Kibaxe, que serve para atender os municípios que lhe correspondem.
Fazem parte das doenças que mais assolam o Pango Aluquém a tuberculose, tripanossomíase, a cistos e a malária, que é a grande responsável no país pelo elevado índice de mortalidade.
De acordo com Felisberta da Costa, para dar maior e melhor resposta à qualidade do atendimento que é prestado aos pacientes, vão ser promovidas acções de formação dos técnicos que ali trabalham.
 De acordo com a administradora, os oito municípios que compreendem a província do Bengo vão ter centros sanitários de referência, com o objectivo de reforçar os actuais hospitais municipais. Tais unidades fazem parte de uma iniciativa do Governo Central, através do Ministério da Saúde, e terão capacidade para internar 30 pacientes

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