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Aumentam doentes com tuberculose

Edson Fontes | Caxito

O supervisor provincial do programa de controlo da tuberculose no Bengo, Luís Carvalho, defendeu na terça-feira a construção de um hospital sanatório com maior capacidade de internamento, para atender ao crescente número de pacientes, sobretudo provenientes de Luanda.

População é aconselhada a procurar os hospitais após os primeiros sintomas da doença
Fotografia: Jornal de Angola |

Por falta de um local apropriado para internamento, o programa de combate à tuberculose, nos anexos do hospital municipal do Dande, tem disponíveis apenas oito camas para atender os casos graves, explicou Luís de Carvalho. Durante o primeiro trimestre, o hospital sanatório registou 354 casos de tuberculose, dos quais 204 do tipo BK positivo e 150 do tipo negativo, com três mortes. “Estes são os dados controlados, pois existem pacientes que não aparecem às consultas ou simplesmente abandonam o tratamento hospitalar, não se sabendo se ainda estão vivos”, sublinhou.
O supervisor do programa de combate à tuberculose indicou que, actualmente, estão internados no hospital geral de Caxito seis pacientes, com um quadro considerado grave. “Ainda não há necessidade de os encaminhar, mas se o paciente apresentar uma resistência tuberculostática mandamos para Luanda”, explicou. Diariamente, acrescentou, são atendidos entre 15 a 20 pacientes, dos quais pelo menos cinco são positivos. Luís Carvalho reconheceu que a falta de informação contribui, também, para o aumento da tuberculose, já que muitos doentes ficam em casa.
“Se adoptarmos o método de informação nas comunidades através de palestras e teatro comunitário sobre os sintomas da doença vamos deparar-nos com mais casos”, disse, notando que o regresso da população às suas áreas de origem está, igualmente, a contribuir para o aumento dos casos de tuberculose.
Ao lamentar o fim do apoio que o programa recebia do Fundo Global, uma Organização Não-Governamental italiana que se retirou do Bengo, afirmou que esta situação tem limitado significativamente o trabalho de sensibilização junto das comunidades.
A população mais afectada pela tuberculose no Bengo oscila entre os 15 e os 25 anos de idade, referiu Luís de Carvalho, recordando que o tratamento de adultos leva oito meses e o das crianças seis.
Na província do Bengo existem dois tipos de tuberculose: pulmonar e extra pulmonar, que inclui óssea, ganglionar, intestinal, meninge e a peritoneal.
O programa de combate à tuberculose no Bengo funciona com dois técnicos angolanos e um médico vietnamita, o que é insuficiente para atender a procura, de acordo com Luís de Carvalho, que aponta para, no mínimo, dez, o número de profissionais necessários para cobrir os municípios, e evitar a deslocação das pessoas a Caxito.

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