Províncias

Autoridades do Ambriz atentas à Sida

Alfredo Ferreira | Ambriz*

Apenas três casos de VIH/Sida, contra cinco em 2012, foram registados este ano no município do Ambriz, reflectindo uma mudança de comportamento da população relativamente às doenças sexualmente transmissíveis.

Diversas actividades estão a ser realizadas para evitar a propagação da doença nas comunidades e a discriminação dos seropositivos
Fotografia: Jornal de Angola

A administradora do Hospital Municipal do Ambriz, Isabel Sango Ginga, elogiou o comportamento da população por acatar os conselhos das autoridades sanitárias, nomeadamente sobre o uso do preservativo, testagem voluntária, entre outras medidas preventivas. 
Sem avançar cifras, Isabel Ginga indicou que as mulheres, sobretudo grávidas, são as que mais se preocupam com o seu estado serológico.
O município do Ambriz não possui Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), sendo esta lacuna coberta pelo Hospital Municipal, segundo Isabel Ginga.
A administradora do hospital defendeu a construção de pelo menos três CATV e três salas para o programa de corte de transmissão vertical, que permite a seropositivas darem à luz bebés saudáveis, nas localidades do Tabi, Bela Vista e sede municipal.
Isabel Ginga revelou que o hospital do Ambriz recebe diariamente 20 a 30 pessoas e efectuou, este ano, mais de 12.429 consultas internas, enquanto pelo seu banco de urgência passaram mais de 5.818 pacientes.Na maternidade foram realizados 182 partos, com três nados mortos, acrescentou, lamentando a insistência de muitas mulheres em darem à luz nas suas residências em péssimas condições, sem acompanhamento de técnicos.
O município do Ambriz conta com uma população estimada em 17.575 habitantes, que se dedicam, na maioria, à pesca artesanal, comércio rudimentar, caça e agricultura de subsistência.

Sensibilização em Cabinda

Uma marcha de sensibilização sobre a prevenção e combate ao VIH/Sida, sob o lema “Conheça o seu estado serológico”, foi realizada no município de Buco-Zau, 120 quilómetros a norte da ciade de Cabinda, visando informar a população sobre as formas de prevenção e contágio da doença, assim como o tratamento da pessoa infectada.
A marcha foi organizada pela companhia petrolífera Chevron, para saudar o Dia Mundial da Luta contra o VIH/Sida, assinalado a 1 de Dezembro. Além de responsáveis da Chevron, contou com a participação da Cruz Vermelha de Angola, Secretaria Provincial da Saúde,  Associação dos Amigos dos Seropositivos de Cabinda (AAS) e da Rede de Pessoas que vivem com VIH/Sida.
O representante do departamento das relações públicas e governamentais da Chevron, Paulino Macosso, apelou a todos os cidadãos a serem solidários com os seropositivos.  

Novos casos


O responsável do Programa de Luta contra o VIH/Sida da Secretaria da Saúde em Cabinda, Vanda Júnior, considerou a província como zona “muito fértil” para a propagação do vírus do VIH/Sida, pois, como sublinhou, diariamente são diagnosticados novos casos positivos.
Entre Janeiro e Outubro deste ano, foram realizados 64.938 testes voluntários, dos quais 1.594 resultaram positivos.
O município de Cabinda é a zona mais afectada, com 1.424 casos positivos, seguindo-se o de Buco-Zau, com 98, Cacongo, 39 e Belize, com 34 pessoas seropositivos, segundo Vanda Júnior.
A responsável do Programa de Luta contra o VIH/Sida do município de Buco-Zau, Filomena Zinga, referiu que o surgimento de novos casos naquela localidade está ligado à ignorância e à estigmatização que determinadas pessoas infectadas sofrem no seio familiar e social.
 
* Com Leonor Mabiala

Tempo

Multimédia