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Bengo na via do progresso

Guimarães Silva|Bengo

A província do Bengo é, das 18 do país, a que tem o privilégio de cercar a capital, apenas dando-a espaço para o atlântico. Com um potencial económico de invejar no conjunto dos seus 41 mil kms quadrados, tem um espaço que faz dela pedra de toque quando se fala em desenvolvimento. O banho de mar, a norte e a sul, dá-lhe uma imagem única, e, agora, as estradas e pontes são também diamantes cintilantes.

As novas pontes e as estradas reabilitadas são as infraestruturas que em breve vão dar outro fulgor ao progresso no Bengo
Fotografia: Dombele Bernardo

A província do Bengo é, das 18 do país, a que tem o privilégio de cercar a capital, apenas dando-a espaço para o atlântico. Com um potencial económico de invejar no conjunto dos seus 41 mil kms quadrados, tem um espaço que faz dela pedra de toque quando se fala em desenvolvimento. O banho de mar, a norte e a sul, dá-lhe uma imagem única, e, agora, as estradas e pontes são também diamantes cintilantes.
O desenvolvimento pede muito aos homens como peças fundamentais. No entanto as estradas, pontes, pontecos, viadutos e aquedutos são elos imprescindíveis, sem o qual não se fazem ligações por terra, impedindo, deste modo, o transporte de pessoas e bens. O passado registou um período menos bom para a província, que faz fronteira com Luanda. A rede de 937 kms de troços de estradas asfaltadas catalogadas como existentes estava deteriorada e destruída. De pontes o somatório rondava 26 destruídas, pontecos em situação idêntica, além de estradas primárias, secundárias e terciárias com um serviço sofrível ou inexistente era o quadro possível.

Novos factos e números que mudaram o cenário

Hoje os factos e números ditam outras regras, a imagem mudou. Nada melhor do que constatar in loco. Viagens à província do Bengo por estrada são um convite esperado com ansiedade. O presente mostra 700 quilómetros de estradas construídas desde 2005. É obra!
Uma equipa de reportagem do Jornal de Angola fez-se à estrada pela via de 54 quilómetros entre Kifangondo, Funda e Catete. Viajar por terra é cómodo e rico em experiências, pela paisagem que a natureza dá a ver e a segurança ímpar. O circular por estrada longe de um reviver do passado sombrio é já a certeza de que o futuro está aí. Os camiões com produtos agrícolas cruzam os tracejados de asfalto na busca de bons mercados. Os autocarros intermunicipais e não só, mau grado os acidentes, continuam a viagem, no transporte de passageiros. Há quem o faça de forma isolada para testar o carro e apostar na comodidade da sua viatura.
O Bengo é o testemunho da livre circulação de pessoas e bens. A província que contorna Luanda tem movimentos rodoviários a norte, a sul, a leste e oeste, num vai e vem frenético de gentes à procura de conhecimentos, de novas realidades, do turismo e mesmo de fazer negócio, portanto, à cata de dinheiro e investimento, algo que o passado recente de guerra não permitia.

Viagem agora num ápice em estrada impecável

A zona oeste da província é banhada pelo oceano Atlântico.
Os 26 quilómetros até à comuna da Barra do Dande são consumidos de carro num ápice, sem exageros quanto à velocidade. O tapete asfáltico está impecável, com sinalização vertical e horizontal. Na localidade da Barra do Dande a reportagem do Jornal de Angola foi à fala com António Neto, um jovem que na flor dos seus 32 anos de idade, atravessa semanalmente a ponte sobre o rio Dande, para o transporte de mercadorias. Do interlocutor tivemos conhecimento que “a reabilitação da ponte, para além de facilitar as travessias, de e para, acelerou os ritmos de ­circulação. Faço viagens para os Libongos e mesmo para o Soyo em tempos reduzidos, o que não ocorria antes”, sentenciou.
A reabilitação do ramal que vai do desvio da Barra do Dande à comuna com o mesmo nome e da respectiva ponte, para lá dos atractivos turísticos, conforme retrata Abreu Leal, o administrador local, são um grande alívio porque “as estradas trouxeram para a comuna uma bênção, se tivermos em conta que se começa a viver sinais de alegria por parte das populações”. As duas infra-estruturas são motivo de esperança para o desenvolvimento da região num futuro próximo - disse.
À nossa reportagem, o responsável pela comuna foi de opinião que “o ramal e a ponte sobre o Dande vão também emprestar um forte apoio ao esforço de desenvolvimento da província vizinha do Zaire, já que se tratam de importantes elos de ligação com a capital do país”, garantiu.
O troço Kifangondo-Caxito-rio Dange, de 185 quilómetros de extensão, fazia-se, quanto pouco, em três dias. Hoje a via totalmente reabilitada está mais rápida, contudo convida à moderação, em termos de excessos de velocidade. Percorrê-la em sete horas parece ser o ideal, segundo os entendidos. Costa Manuel, que conhece a estrada, revela que “há motoristas que pisam o acelerador em demasia e têm tido dissabores, com prejuízos inclusive para a vida humana”.

Esforços do Executivo em vencer distâncias

A também famosa estrada das mil curvas tem de particular um serpenteado apetecível. No seu curso de subidas e descidas pelos montes e montanhas em direcçao ao norte do país, para além de um regalo aos olhos, é o exemplo do esforço do Executivo angolano em vencer distâncias.
Do Uíge, a terra do café, partem diariamente camiões com crueira de mandioca, banana, fúmbua - uma iguaria local bastante apreciada - e outros produtos, para os concorridos mercados de Luanda. A capital do país, um potentado quanto ao abastecimento de quase tudo, dá azo a que a parcela cafeícola tenha tudo o que de industrial se fale e inclusive de inertes. A reportagem do Jornal de Angola cruzou com camiões com areia de construção, cimento e porta contentores que se faziam à estrada no movimento de retorno, para cobrir as necessidades do Uíge.
De Viana à localidade de Maria Teresa, passando por Catete, são no todo 91 quilómetros asfaltados. Os motoristas conhecem-na das deslocações a Malange, ao Kuanza-Norte e mesmo para o sul do país, nomeadamente para o Huambo e Bié. Um trajecto de respeito, uma realidade de Angola em paz.

Táxis circulam a toda a hora

Ao longo das vias o sentimento de esperança por dias melhores está patente em alguns rostos, que mais do que nunca acreditam no esforço de reconstrução do Governo angolano. As estradas e pontes falam e traduzem muito dos anseios das populações. Lemba João, da aldeia do 107, confirma que ir a Cabala comprar cacusso tornou-se mais fácil. “Os táxis passam por aqui a toda hora e fazem a linha Viana-Cabala. Antes não era assim, era difícil. Os carros demoravam muito e os negócios atrasavam também”. Um testemunho que revela sinais de mudança.

Comprar cacussos na Cabala para revender

O transporte de produtos do campo é outro dos motivos de atracção. A praça da Cabala fica apinhada de gente de outras paragens, que aportam ao local para a compra de produtos hortícolas e de pescado. A situação está facilitada, uma vez mais, porque o serviço de táxis privados faz o trajecto sem interrupções. “As coisas estão a andar por aqui” - começa a conversa com  a nossa reportagem Luzia Domingos, uma revendedora de produtos do campo, que utiliza a via para o seu negócio. Habituada ao corre-corre actual, prefere os produtos da Cabala porque “estão à mão de semear. Compro-os, apanho o táxi e daqui a meia hora estou a vendê-los no mercado do 30, em Viana. A estrada está a facilitar muito”, disse ao finalizar.

O papel relevante do INEA

A província do Bengo possui um total de 700 quilómetros de estradas construídas e reabilitadas e aproximadamente 2 mil metros de pontes de construção definitiva, segundo confidenciou , em Caxito, Domingos António, director provincial do INEA (Instituto Nacional de Estradas e Pontes), no Bengo.
O esforço para o salto qualitativo, em termos de tapete asfáltico e infra estruturas que facilitam a travessia começou em 2005. Ao cabo de cinco anos os resultados são já um chamariz ao desenvolvimento. “Durante o conflito militar não foi possível construir ou reabilitar infra-estruturas e muitas estradas estavam em avançado estado de degradação”, elucidou o entrevistado, acrescentando que a circulação era precária, principalmente na zona norte, para as direcções Dembos, Kibaxi, Nambuangongo, Ambriz, onde a degradação foi mais acentuada.
“Em 2005 o Governo de Angola começou com os trabalhos de construção e reabilitação das vias principais e até 2009 já tínhamos aproximadamente 500 kms de estradas reparadas”, disse Domingos António. Continuando, o interlocutor acrescentou que em 2010 fez-se um esforço de mais 200 kms, o que perfaz um total de 700 kms de estradas concluídos.
Quanto a pontes, de acordo com a fonte, “foram construídas de raiz uma extensão de 400 metros até 2009. São estruturas de 100 metros cada, com destaque para as pontes da Barra do Dande, Porto Quipiri, Dange - em direcção à província do Uíge - e pontecos ao longo destes cursos.
O ano de 2010 acaba em glória, pois, segundo o director provincial do INEA, “concluímos uma das maiores pontes sobre o Kwanza, na Cabala, com a extensão de mil e 534 metros”.
A zona sul da província do Bengo, segundo o director do INEA, tem obras em curso. O destaque vai para o troço de 42 quilómetros entre Cabala e Muxima e desta para a localidade de Cabo Ledo, com a extensão de 112 quilómetros.

A ponte sobre o Kwanza na Cabala

A maior ponte já construída em Angola tem a extensão de um quilómetro e 534 metros. A largura acolhe duas faixas de rodagem de 3,5 metros cada, bermas com dois metros de ambos os lados e dois passeios de um metro para os peões nos sentidos ascendente e descendente. Uma infra-estrutura de engenharia que reúne em si tecnologia de ponta, inteligência humana, ousadia, enquadramento ambiental e turístico.
À partida o que chama atenção é o configurado da ponte, algo raro, uma inovação que se assemelha a meia lua, com uma zona central semi oval de 50 metros, entre os dois pilares gigantescos principais de suporte, que facilitam a navegação de embarcações de cinco metros de altura ao longo do ano, mesmo em situações de enchentes.
O desenho da estrutura, segundo o fiscal da obra, obedeceu ao traçado das vias já existentes entre as localidades ribeirinhas, respeitando, no entanto, alguns povoados que já se encontravam implantados na zona, e, ainda; teve em conta o melhor terreno para a implementação.
A obra foi implantada a 25 kms de Catete e 42 da Muxima. Para além da grandeza, tem inovação tecnológica que os tempos modernos exigem.
 Do fiscal da obra o Jornal de Angola teve conhecimento que a zona central é instrumentalizada, com aparelhos alimentados à luz solar, para fornecimento, via satélite, de dados sobre o comportamento da estrutura em funcionamento.
A ponte foi construída com pilares e vigas de alta resistência, de acordo com a nossa fonte, para suporte de grandes cargas, portanto uma mais valia para o transporte de mercadorias.

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