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Camponeses diversificam dieta alimentar

Maiomona Artur | Caxito

A dieta alimentar e a diversificação de produtos a nível da província do Bengo vão conhecer melhorias significativas nos próximos tempos, depois de quase 17 mil famílias camponesas terem recebido, em Janeiro, um total de dez toneladas de feijão carioca e 22 outras de manteiga e macunde, para a presente campanha agrícola.

Departamento da Estação de Desenvolvimento agrário realiza actividades entre as quais se destaca a formação de técnicos e associados
Fotografia: Maiomona Artur | Caxito

O chefe do departamento provincial da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), Francisco Gomes, que deu esta informação, esclareceu que os beneficiários são famílias camponesas dos seis municípios da província associadas em cooperativas.
Além de sementes diversas, Francisco Gomes adiantou que os camponeses do Bengo também receberam milho, jinguba, instrumentos de trabalho, motobombas e pulverizadores.
Com o apoio da Empresa de Mecanização Agrícola (Mecanagro), foram desbravados 17.722 hectares de terras aráveis, mais 3.222 do que o previsto para a presente época.
Para o sector privado, a Mecanagro preparou 1.153 hectares para a presente época agrícola, que se espera de boas colheitas, apesar da irregularidade das chuvas que se abateram no Bengo.
O departamento da EDA está a realizar várias actividades, com destaque para a formação de técnicos e associados, além de estar empenhado no levantamento das famílias camponesas, para posteriormente proceder à distribuição equitativa das sementes, para permitir um maior rendimento na colheita de produtos. Francisco Gomes apontou o mau estado das vias primárias, secundárias e terciárias como a principal dificuldade enfrentada pelos camponeses da região para a comercialização de produtos nas áreas mais recônditas das sedes municipais.
Além disso, salientou a necessidade de serem criados mercados rurais, para facilitar a comercialização de diversos produtos agrícolas produzidos pelos camponeses da região, o que só vai ser possível se os camponeses produzirem mais e distribuírem melhor a produção, uma vez que na região a rede comercial é incipiente. /> Entre os factores que concorrem para o insucesso das vendas, referiu a ausência de um programa de comércio rural permanente, a falta de incentivos aos comerciantes existentes e de infra-estruturas de armazenamento e processamento, quadro que pode ser alterado se houver o apoio de todos os membros da sociedade. Rede pecuária Em relação à pecuária, revelou que os dados não são animadores, uma vez que as famílias ainda têm falta de apoios para a criação e espaços de guarnição.
O Bengo tem cerca de 11.425 cabeças de animais, entre bovinos, caprinos, suínos e ovinos, sendo que o município do Dande é o líder da lista, com mais criadores.
Neste capítulo, os camponeses associados em cooperativas e singulares não beneficiaram de qualquer crédito agrícola, pelo que o quadro continua estacionário, a­guardando-se pelo reinício do mesmo. Os camponeses não vão ter meios para reembolsar o crédito, porque as colheitas da campanha passada não foram as melhores, devido à falta de chuvas em algumas zonas do Bengo.
Francisco Gomes explicou que, este ano, a instituição espera que continue a distribuição de sementes às famílias camponesas e pequenos agricultores, a assistência técnica, a consolidação e reorganização das cooperativas e associações de camponeses, em colaboração com a UNACA (União dos Camponeses Angolanos) e o acompanhamento na preparação das terras, através da Mecanagro.
A Estação de Desenvolvimento Agrário do Dande tem registadas 46 associações e cooperativas agrícolas e 14.500 famílias camponesas.

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