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Casos de violência doméstica aumentam no Bengo

Edson Fontes | Caxito e João Salvo | Saurimo

O número de casos de violência doméstica está a aumentar consideravelmente este ano na província do Bengo, revelam dados da direcção local da Família e Promoção da Mulher.

Autoridades pedem às famílias que denunciem qualquer caso que belisque a boa convivência ou fira os direitos dos seus membros
Fotografia: Francisco Bernardo

A chefe de secção provincial, Bibiana de Andrade, disse que, no primeiro trimestre deste ano, houve 92 casos de violência doméstica, contra 48 do período anterior.
Há ainda muitos casos de homens que insistem em dirigir os membros das suas famílias através de acções que atropelam os princípios de boa convivência doméstica, o que dá origem a intrigas nos lares, explica Bibiana de Andrade. Outro aspecto que continua a contribuir negativamente para o aumento de casos de violência doméstica tem a ver com o elevado índice de consumo de bebidas alcoólicas.
O incumprimento de mesada, ofensas morais e corporais, abandono do lar, privação de bens, fuga à paternidade, adultério, chantagem e ameaça de morte são os principais casos que ocorreram no referido período.
A direcção provincial conseguiu a reconciliação de 28 casais e 47 outros processos estão pendentes, havendo ainda muitos outros encaminhados para os tribunais para o devido tratamento.
Bibiana de Andrade lamentou o facto de os homens continuarem a evitar apresentar queixas contra a violação dos seus direitos, estando as mulheres a liderar sempre a lista de queixosos. A direcção da Família e Promoção da Mulher vai continuar a intensificar as acções de sensibilização, a harmonia familiar, resolução dos problemas que afligem os lares e a luta contra as doenças sexualmente transmissíveis, através de palestras e distribuição de panfletos.
A chefe provincial fez um apelo às famílias no sentido de denunciarem qualquer caso que belisque a boa convivência ou fira os direitos dos seus membros, para que as autoridades possam tomar medidas contra os seus praticantes. O diálogo, salientou, deve ser o primeiro passo para a resolução de conflitos.

Na Lunda Sul

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher da Lunda Sul defendeu, em Saurimo, o envolvimento de todos os membros da sociedade na sensibilização das comunidades, para a prevenção de casos de violência doméstica.
Maria Ulumbo reiterou o apelo, depois de manifestar a sua preocupação com o quadro de violência doméstica nas suas múltiplas formas, que, no primeiro trimestre, registou 70 casos, sendo que 20 das queixas foram apresentadas por homens. Dos casos apresentados, a directora provincial destacou a fuga à paternidade, violência física, económica e psicológica. Para se ultrapassar esta situação, a instituição está a promover palestras dirigidas a vários membros da sociedade. A criação de redes de pais, denominadas “Pró-mudança”, também vai ajudar a educar sobre as normas de boa conduta no lar e a diminuir os actos de violência, para proporcionar o bem-estar social das famílias, salientou. Maria Ulumbo lamentou a má interpretação da expressão “direitos iguais” dirigida por algumas mulheres contra os seus cônjuges, um outro problema que concorre para a prática da violência doméstica.
“A mulher não pode entender a frase como um desafio ao homem, mais sim apenas na igualdade de oportunidades”.

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