Províncias

"Celeiro" do Norte recupera estatuto

Pedro Bica| Quibaxe

O município dos Dembos Quibaxe, na província do Bengo, é conhecido tradicionalmente pela sua actividade agrícola, sobretudo produção de café, que em tempos idos foi um importante instrumento de combate à pobreza.

Uma vista da rua principal da vila de Quibaxe que procura recuperar o estatuto de um dos principais celeiros da província do Bengo
Fotografia: Edmundo Eucílio

O município dos Dembos Quibaxe, na província do Bengo, é conhecido tradicionalmente pela sua actividade agrícola, sobretudo produção de café, que em tempos idos foi um importante instrumento de combate à pobreza.
Conscientes da dádiva da “mãe natureza”, as autoridades municipais trabalham lado a lado com a população, para tirar da letargia o município que foi considerado um dos grandes celeiros do Norte.
As autoridades provinciais estão a fazer esforços para reabilitar as vias de acesso, consideradas como as principais responsáveis pela deterioração dos produtos do campo, por falta de escoamento.
O administrador municipal Domingos Fula “Kito”, em declarações ao Jornal de Angola, disse que as cidades do Caxito e Luanda têm sido os principais mercados que absorvem os produtos produzidos na região e que escapam ao destino da deterioração.
Domingos Fula referiu que outro problema da produtividade agrícola é a falta de parcerias privadas e de créditos bancários específicos para os agricultores e camponeses.
Apesar de tudo, disse o administrador municipal, o sector da agricultura, sobretudo o tradicional, é o que mais cresce e contribui para o desafio de combate à fome e à pobreza lançado pelo Executivo.
O movimento cooperativo agrícola é tímido mas já é visível e aos poucos vai dando o seu contributo para o desenvolvimento da região e da população dos Dembos, que pratica a agricultura como fonte de subsistência.
Domingos Fula revelou que o crédito aprovado pelo Conselho de Ministros para incentivar a agricultura, é importante para os camponeses e agricultores de Quibaxe que precisam de financiamentos.
A falta de uma instituição bancária no município faz parte das preocupações constantemente apresentadas por professores, funcionários públicos e empresários apostados em investir em Quibaxe.
Domingos Fula garantiu que há iniciativas no sentido de atrair o Banco Sol e o Banco de Poupança e Crédito para instalarem agências bancárias em Quibaxe, para permitirem uma maior intervenção dos empresários. 
“Os bancos são, em qualquer parte do mundo, a alavanca para o desenvolvimento das regiões e das suas populações, pela sua missão de concederem créditos”, afirmou  
O administrador lamentou que muitas fazendas importantes, grandes produtoras agrícolas no tempo colonial, foram entregues a fazendeiros sem capacidade para fazê-las funcionar em pleno.
 
Estruturas em escombros

A par dos ganhos, ainda tímidos, que a agricultura vai conhecendo, Quibaxe pretende também inverter o aspecto desolador das suas infra-estruturas, algumas, em escombros. Para mudar as coisas foi traçado o programa denominado “bloco a bloco e um balde de tinta”. O objectivo é acabar com os escombros que provocam “um triste cenário na bela e ordenada vila do café”, disse Domingos Fula.
O administrador municipal disse ao Jornal de Angola que foram notificados os proprietários das lojas e casas em estado de abandono, no sentido de as recuperarem. A falta de capacidade financeira e problemas de gestão empresarial são as principais dificuldades com que se debatem os donos de lojas, armazéns e casas, que têm as suas propriedades ao abandono.
O administrador municipal dos Dembos Quibaxe disse que quando terminar o prazo estabelecido pela administração l, os imóveis não reabilitados vão ser vendidos ou entregues a novos donos, “para terem a devida utilidade”.  
Domingos Fula recordou que passados oito anos de paz efetiva, já não interessa a ninguém continuar a ver as marcas provocadas pelo longo conflito armado que devastou o país: “o esforço do Executivo de criar desenvolvimento melhores condições de vida para as populações deve ser conjugado com a tomada de consciência dos proprietários destas infra-estruturas”, sublinhou o administrador de Quibaxe.
Domingos Fula disse que o principal objectivo da sua dministração “é devolver a antiga mística à região de Quibaxe, que sempre foi conhecida por ser limpa, organizada e acolhedora”. 
 
Educação aos soluços

Apesar de existirem alguns avanços no ensino primário, o II ciclo enfrenta sérios problemas, pois a única escola ainda está em obras de reabilitação.  
Domingos Fula informou que depois de um trabalho de levantamento das principais dificuldades vividas no sector da Educação no município, foi possível detectar que as suas infra-estruturas carecem de reabilitação e apetrechamento.
“Existe um programa municipal integrado de combate à pobreza, que aguarda a sua aprovação pelo Executivo e logo que isso aconteça as verbas vão igualmente beneficiar esta área”, disse Domingos Fula.
Até ao momento, 192 jovens que concluíram o ensino médio e que pretendem ingressar no nível superior, estão parados porque não existe na região dos Dembos Quibaxe qualquer escola superior.
Domingos Fula lamentou o facto de anualmente os técnicos médios abandonarem Quibaxe porque têm de ir para outras zonas a fim de darem continuidade aos estudos e procurarem melhores condições de trabalho. Disse que se existisse um núcleo do ensino superior no município, era possível fixar os quadros de Quibaxe, Bula Atumba e Pango Aluquém.

Água potável nas torneiras

Os munícipes da vila de Quibaxe já consomem água potável, embora o sistema de distribuição esteja em obras de reabilitação devido a algumas roturas na rede que é antiquada.
A preocupação da Administração Municipal dos Dembos reside na distribuição domiciliar às aldeias e bairros que circundam a sede do município.
Os munícipes da vila são abastecidos com energia eléctrica das 18 horas à meia-noite por um grupo de geradores de 1000 Kvas, que é manifestamente insuficiente para o actual nível de consumo dos habitantes.       
Com uma população estimada em 17.505 mil habitantes maioritariamente camponeses, Quibaxe debate-se ainda com sérios problemas de saneamento básico.

Comércio em crescimento

A actividade comercial aos poucos vai ganhando espaço em Quibaxe. O funcionamento de pequenas lojas, farmácias e armazéns de venda de roupas já é uma realidade visível logo à entrada da vila.  
O mercado municipal ainda está em obras. Quando terminarem, o mercado vai albergar grande parte dos vendedores que neste momento desenvolvem a sua actividade num dos muitos armazéns em estado de abandonado.
Os preços do calçado e do vestuário são muito mais elevados que os da alimentação. No período colonial a vila possuía uma bomba de combustível que servia as fazendas e viaturas dos agricultores que operavam nos municípios de Bula Atumba e Pango Aluquém.
 A bomba de combustível está encerrada o que provoca graves problemas às populações dos Dembos.
Para quem se faz à estrada a caminho dos Dembos, depara-se com paisagens exuberantes ao longo do percurso das famosas “Sete Curvas”. Trata-se de um troço temido pelos viajantes e que exige todos os cuidados aos automobilistas.
Localizada a 180 quilómetros do Caxito, ao longo da Estrada Nacional 100, a caminho da província do Uíge, a vila de Quibaxe tem um clima aprazível. A região é um testemunho vivo de como Angola foi generosamente contemplada com recursos naturais. Cabe a cada cidadão valorizá-los e tirar partido deles.  

Tempo

Multimédia