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Comuna do Piri ganha batalha contra a fome

Pedro Bica | Piri

A comuna do Piri, no município dos Dembos Kibaxe, pelos níveis de produção que tem vindo a alcançar, é hoje uma das principais zonas de desenvolvimento agrícola da província do Bengo.

As chuvas que caíram no ano passado propiciaram uma boa colheita de banana
Fotografia: Edmundo Eucílio

A comuna do Piri, no município dos Dembos Kibaxe, pelos níveis de produção que tem vindo a alcançar, é hoje uma das principais zonas de desenvolvimento agrícola da província do Bengo.
A comuna  tem excelentes solos aráveis, uma bacia hidrográfica rica e uma população camponesa fortemente comprometida com o combate à fome e à pobreza. 
Actualmente, segundo o administrador comunal Pereira Capemba Fula Massa, a fome deixou de ser uma preocupação da população e das autoridades. Mal terminou a guerra, há oito anos, a população, na tranquilidade proporcionada pela paz, readquiriu os seus hábitos milenares de trabalhar a terra. Como resultado, o risco da fome foi afastado e agora produz excedentes para vender.
Mas esta nova realidade tem um obstáculo: as dificuldades de escoamento da produção. Segundo o administrador Pereira Massa, grande parte dos excedentes da produção agrícola local “tem sido inutilizada devido às dificuldades de escoamento para os grandes centros comerciais mais próximos”.
O débil funcionamento do comércio local faz com que no Piri as transacções ainda sejam feitas na base da permuta. A um determinado produto manufacturado corresponde uma quantidade de produtos agrícolas. Isso torna os produtos do campo muito baratos.
As chuvas que caíram regularmente sobre as lavras proporcionaram aos camponeses da comuna do Piri grandes quantidades de banana, mandioca e feijão. Comerciantes de Luanda e do Caxito, chegam todos os dias ao Piri e adquirem grandes quantidades de produtos agrícolas a preços muito baixos.

Energia e água

A vila do Piri, com uma extensão territorial de 117 quilómetros quadrados, é abastecida de energia eléctrica por um grupo gerador de 135 kva, que garante a iluminação pública e a distribuição à rede domiciliária.
O administrador comunal disse à reportagem do Jornal de Angola que o grupo gerador instalado já não consegue dar resposta à grande procura de consumo domiciliar. As casas têm cada vez mais electrodomésticos.
A água potável é fornecida por um sistema de captação e distribuição, construído na época colonial, que funciona por gravidade. Depois de tanto tempo de funcionamento, o sistema responde com dificuldade às crescentes solicitações dos consumidores. Segundo o administrador Pereira Massa, a tubagem está em avançado estado de degradação e precisa de ser substituída. 
Técnicos de empreiteiros contratados pelo Governo Provincial procederam a um levantamento do que falta, em termos de infra-estruturas sociais básicas, com vista a uma intervenção rápida.  
Quando terminar a reabilitação da barragem hidroeléctrica das Mabubas, as regiões do triângulo que compreende Pango Aluquém, Bula Atumba e Dembos Quibaxe, que incluiu o Piri, vão beneficiar de energia eléctrica.

Comércio precário

O administrador comunal do Piri, Pereira Massa, recorda que a região tinha pequenas infra-estruturas comercias precárias, que davam apoio à população camponesa.
Segundo o responsável municipal, com o desenvolvimento agrícola e os índices de produção que o Piri tem vindo a registar, nestes últimos anos, é possível perceber que os camponeses carecem de apoios e de empréstimos bancários.
O sistema de micro-crédito rural e a criação de pequenos ou médios empreendimentos comerciais, podem devolver à comuna o orgulho e a mística dos tempos idos.
“O desenvolvimento é impossível se não tivermos uma energia eléctrica boa e capaz de atrair os potenciais investidores que pretendam instalar-se na nossa comuna”, referiu Pereira Massa.
O administrador comunal deu a conhecer que existe um programa municipal integrado de combate à fome e à pobreza, que visa a melhoria das condições sociais básicas da população.
Os constrangimentos existentes, na óptica do administrador, são próprios de um país que recupera dos anos de paralisia provocada pela guerra e enceta um processo de reconstrução das suas principais infra-estruturas. “Alcançada a paz, é possível o Piri voltar a sorrir”, disse Pereira Massa.
As pequenas barracas ao longo da estrada servem de alento aos viajantes. Nelas são servidas as comidas típicas da região, entre as quais avulta a carne de caça com funje de bombó.  As barracas são igualmente famosas por servirem o “molho sujo” típico do Piri, com carne de javali ou veado. A alimentação local já começa a emergir como um chamariz turístico, fruto da vontade de muitos citadinos de descobrir as delícias da paz e da vida rural. 
“Aquelas barracas são exemplos de que no Piri há muito que comer”, disse o administrador comunal, sem esconder uma ponta de vaidade.
Uma das personagens mais famosas das barracas é a Tia Eva. Os viajantes habituais da Estrada Nacional 100, a caminho de Bula Atumba, Dembos Quibaxe e da província do Uíge, conhecem-na bem e têm na sua barraca um sítio ideal comer e retemperar forças.
“Meu filho, aqui no Piri não comemos carne importada”, gabou-se à reportagem do Jornal de Angola. Tia Eva lamentou a falta, na sua terra natal, de mais escolas, postos de saúde e energia eléctrica.

Educação é prioridade

“A expansão do ensino de base na comuna do Piri, e a abertura do nível médio, pode contribuir, em grande medida, para o aumento do desenvolvimento da região”, assegurou o administrador comunal.
Pereira Massa considerou  vital o sector da Educação, “por ser o ponto de partida para o desenvolvimento das sociedades modernas”.
Apesar das dificuldades com que vive o sector, disse que tem sido possível acompanhar a evolução da sociedade estudantil, com mais salas de aulas e a melhoria da qualidade do próprio sistema.
Nas nove aldeias da comuna existem escolas do Iº ciclo. A meta para os próximos tempos é o arranque do ensino médio na sede comunal.
O administrador Pereira Massa referiu que os estudantes que concluem o primeiro ciclo na região têm sido transferidos para a sede municipal dos Dembos Kibaxe e para a cidade do Caxito, para darem continuidade aos seus estudos.
O Piri tem uma nova escola de artes e ofícios e um novo edifício da Administração Comunal, que está apetrechada com meios técnicos que vão permitir maior comodidade aos funcionários.

Falta de médicos

A rede sanitária na comuna do Piri carece ainda de médicos, pessoal especializado e de mais unidades hospitalares. Actualmente existe apenas um centro e um posto de saúde, notoriamente insuficientes para garantirem a assistência a um contingente de 4.371 habitantes espalhados pelas nove aldeias.
O administrador disse que existe um plano do Governo Provincial do Bengo para construção de um centro médico de referência, postos de saúde e o seu apetrechamento com pessoal especializado e meios técnicos.
“Queremos voltar a ter um sitío bom e aprazível para viver, como era no outro tempo”, garantiu o administrador comunal.

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