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Entreposto e silo combatem a fome

Noé Jamba| Bengo

O Caxito vai dispor, em 2011, de um entreposto de frio a ser construído numa área de um hectare, enquanto que na vila de Catete, no município do Icole e Bengo, vai ser construído um silo para armazenamento de oito toneladas de cereais.
A construção das infra-estruturas na província do Bengo enquadra-se na estratégia do Executivo angolano de garantir a segurança alimentar das populações e de combater a fome e a pobreza, diversificando a economia no meio rural.

Camponeses têm sido apoiados com sementes e instrumentos de trabalho para poderem aumentar a produção
Fotografia: Edmundo Eucílio| Bengo

O Caxito vai dispor, em 2011, de um entreposto de frio a ser construído numa área de um hectare, enquanto que na vila de Catete, no município do Icole e Bengo, vai ser construído um silo para armazenamento de oito toneladas de cereais.
A construção das infra-estruturas na província do Bengo enquadra-se na estratégia do Executivo angolano de garantir a segurança alimentar das populações e de combater a fome e a pobreza, diversificando a economia no meio rural.
O Jornal de Angola constatou, junto das associações de camponeses e cooperativas, a existência de um aumento considerável da produção obtida na segunda época agrícola 2009 e do rendimento das principais culturas nos sectores camponês e empresarial.
Durante a segunda época da campanha agrícola 2009/2010, foram desbravados, de forma mecânica, cerca de 235 hectares de terras.
Cerca de 16 mil famílias camponesas e 76 pequenos agricultores receberam instrumentos de trabalho, fertilizantes e diversas sementes e outros equipamentos agrícolas.
Quase 50 mil hectares de terras foram cultivados, sendo 13.331 no sector empresarial e 36.636 no sector camponês, com uma estimativa de produtividade calculada em 245.359 toneladas de produtos diversos, distribuídos pelos dois sectores, sendo o empresarial de 76.956 toneladas e o camponês de 168.403 toneladas.
Segundo a Directora Provincial da Agricultura no Bengo, Maria Augusta Peixoto, na campanha agrícola 2009/2010 foram cultivados 33.793 hectares de mandioca, 6.096 de batata-doce, três hectares de batata-rena, 20.320 de milho, 6.634 de feijão comum, 6.849 de amendoim, 3.046 de hortícolas e 133.086 de outras culturas.
"No domínio pecuário, a exploração empresarial é estimada em 18.993 criadores de gado bovino, caprino, ovino, suíno, equino e aves, enquanto a camponesa, ou tradicional, em 29.985 criadores de gado bovino, caprino, ovino e suíno."  
 
Rendimentos animadores

Os benefícios alcançados pelo sector camponês e empresarial durante a segunda época agrícola 2009/2010 são animadores, de acordo com as estatísticas da Direcção provincial da Agricultura.
O sector camponês produziu cerca de dez toneladas de produtos diversos, uma de milho, 0,3 de feijão, igual quantidade de feijão macunde e amendoim, oito de mandioca, seis de batata-rena e cinco toneladas de hortícolas.
No sector empresarial, a produção das principais culturas é estimada em três toneladas de milho, 1,5 de feijão, igual quantidade de feijão macunde e amendoim, dez toneladas de mandioca, 89 de batata-rena e cinco de hortícolas.
No primeiro semestre da campanha agrícola 2010, foram enquadradas no município de Ambriz 3.572 famílias camponesas, 2.900 em Bula Atumba, 11.700 no Dande, 18.465 nos Dembos, 13.770 no Icole e Bengo, 29.700 em Nambuangongo, 3.500 no Pango Aluquém e 5.600 no Quissama.
A Província do Bengo conta com seis Estações de Desenvolvimento Agrário (EDAS) localizadas nos municípios de Ambriz, Dande, Quissama, Icole e Bengo, Nambuangongo e Dembos Kibaxe.
Para uma melhor cobertura em termos de assistência técnica em toda a extensão da província, foram criados recentemente mais dois núcleos das EDAS nos municípios de Bula Atumba e Pango Aluquém.
 
Preparação das terras
 
Cerca de 235 hectares de terras de cultivo nos municípios de Ambriz, Dande, Icolo e Bengo foram desbravadas pela empresa de mecanização agrícola Mecanagro.
Nos municípios do Ambriz, Bula-Atumba, Dande, Dembos Kibaxe, Icolo e Bengo, Nambuangongo, Pango Aluqém e Quissama, desbravaram-se 34.804 áreas de cultivo correspondentes a 35.039 hectares de terras trabalhadas manualmente.
Para apoiar a campanha agrícola em curso e no âmbito do programa de Extensão e Desenvolvimento Rural, durante o presente semestre a província do Bengo foi contemplada com sementes de milho, feijão manteiga, instrumentos agrícolas (enxadas, catanas e limas) e fertilizantes.
Da quantidade de meios recebidos constam 1.320 enxadas europeias, 16.490 enxadas tradicionais, 650 catanas e igual número de limas e machados. Duas toneladas de semente de milho, três de semente de feijão manteiga, 25 de adubos e 20 de ureia foram as quantidades recebidas.

Sector cafeícola
 
O relançamento da actividade caféicola robusta constitui um dos objectivos do executivo do Bengo para 2011. Actualmente estão identificadas 824 explorações agrícolas familiares, 52 no município de Bula Atumba, 81 nos Dembos Quibaxe, 26 no município do Pango Aluquém e 665 no de Nambuangongo, numa área de 2.534 hectares. O sector controla ainda 263 fazendas do sector empresarial, com uma área de 161.081 hectares, sendo 60 no município de Bula Atumba, 68 nos Dembos Quibaxe, 64 no Pango Aluquém, 32 na comuna do Úcua município do Dande e 65 no de Nambuagongo.
A produção do café robusta é desenvolvida por 19 associações de produtores e sete cooperativas. Muitas fazendas de café encontram-se abandonadas, havendo apenas o registo de 15 a proceder à recuperação e manutenção do café robusta. No âmbito da campanha agrícola 2010/2011 e do programa de Desenvolvimento Rural de combate à fome e à pobreza das populações, pretende-se criar na província do Bengo pequenos perímetros irrigados nos municípios do Ambriz, Icolo e Bengo e Dande, com o objectivo de se manter uma produção contínua no seio dos camponeses.
A localização de áreas para o surgimento de novos empreendimentos agrícolas, relançar os mercados rurais em toda a extensão da província, zelar pela melhoria e pelo acompanhamento do trabalho do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e a criação de viveiros e polígonos florestais comunitários fazem parte das prioridades da Direcção Provincial da Agricultura para o período 2010/2011.  

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