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Falta quase tudo nas localidades de Ludy I e II

Alfredo Ferreira |Ludy

As localidades do Ludy I e II, no município do Dande, província do Bengo, debatem-se com dificuldades sociais, com maior destaque para a falta de água potável e energia eléctrica. Ao rol de dificuldades junta-se o estado degradado das vias secundárias e terciárias.

Governadora provincial foi constatar as dificuldades no Centro Médico do Ludy I que atende 45 pacientes por dia
Fotografia: Maria João | Edições Novembro | Bengo

A falta de quase tudo nas regiões deixa os habitantes sem esperança de que os dias vindouros serão melhores. Os cidadãos abordados pelo Jornal de Angola manifestaram cepticismo quanto à inversão do quadro das localidades.

O coordenador da localidade do Ludy I, Aurélio Ximbe, disse que a população local tem de andar largos quilómetros em busca de água, pois só agora estão em curso obras para a instalação de um sistema de captação e distribuição de água. “Acredito que não será tão cedo que a população vai beneficiar deste sistema de água, os trabalhos estão a decorrer com muita morosidade. As máquinas da empreiteira foram retiradas do local, o que pressupõe que os trabalhos não vão ser concluídos dentro dos prazos”, disse.
Aurélio Ximbe informou que em relação à energia eléctrica, a administração local está à espera que o Governo Provincial “faça alguma coisa” para a população deixar de ser abastecida por meio de geradores. “Aqui vivemos de energia de geradores e nem sempre há dinheiro para comprar combustível”, disse.
O responsável lamenta que a via Panguila/Ludy continue em estado degradado. “Esta situação vai de mal a pior, cria muitos transtornos ao trânsito na zona, particularmente no período chuvoso. Por isso, o preço da passagem, quer do táxi quer do mototáxi nesta localidade é muito alto, variando entre 200 e 600 kwanzas.
A população de Ludy I dedica-se maioritariamente à agricultura, actividade que este ano atingiu cifras muito baixas por falta de sementes e instrumentos de trabalho.

Sem vacinas há mais de dois anos

O Centro de Saúde da localidade do Ludy II debate-se com a falta de vacinas de tétano, tuberculose (BCG), poliomielite,hepatite B, pneumo, meningite, pentavalente, sarampo e febre-amarela, disse o responsável da instituição.
Elias Muzala explicou que a unidade hospitalar que dirige dispõe de um painel solar para gerar energia e apenas uma arca para a conservação de vacinas, estando neste momento a aguardar a chegada de técnicos do Ministério da Saúde para a instalação de vários equipamentos. “Grande parte das doenças que surgem aqui na localidade são preveníveis com campanhas de vacinação mas as famílias não têm onde obter vacinas com regularidade”, disse Elias Muzala. A unidade sanitária debate-se com a falta de água canalizada, laboratório e uma sala de partos. “As gestantes são obrigadas a percorrer 25 quilómetros de táxi ou mototáxi , até ao Centro de Saúde do Panguila, por falta de meios aqui”, deplorou.
Com dois técnicos superiores, o centro que está bem servido em termos de fármacos, atende 45 pacientes por dia. Segundo Elias Muzala, o quadro de funcionário necessita de ser preenchido com mais 27 técnicos e um auxiliar de limpeza. A população, estimada em mais de sete mil, dedica-se à agricultura e à pesca artesanal.

Posição do Governo Provincial

Em resposta aos problemas aflorados, a governadora provincial do Bengo, Mara Quiosa, assegurou que a situação da água potável nas duas localidades está a ser equacionada. “Estamos a construir sistemas de captação, tratamento e distribuição de água, a partir de uma conduta de 110 milímetros que beneficiará cerca de 600 famílias”, assegurou a governante.
No que toca à energia eléctrica, disse que “num futuro breve”, as duas localidades serão beneficiadas. “Estão em curso estudos para que a energia chegue a todos os habitantes através da requalificação das linhas de transportação.”
Relativamente ao troço Panguila/Ludy, a governadora provincial ,Mara Quiosa, sublinhou que as obras , no troço mais importante das localidades , vão ser enquadradas “dentro das vias estruturantes que estão em execução no Complexo Habitacional do Panguila”.

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