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Fim da seca em Quicabo

Alfredo Ferreira e Edson Fontes | Quicabo

As chuvas devolveram a alegria aos habitantes da comuna de Quicabo, Dande, e a esperança na produção agrícola depois de um período de seca de dois anos. A estiagem que assolou a região de 2008 a 2010 causou enormes prejuízos na actividade agrícola e deixou mais de 12 mil pessoas sem água e com pouca alimentação. províncias|33

Os camponeses esperam colher grandes quantidades de produtos neste período
Fotografia: Edmundo Eucílio|Caxito

As chuvas devolveram a alegria aos habitantes da comuna do Quicabo, Dande, e a esperança na produção agrícola após um período de seca de dois anos.
A estiagem que afectou a circunscrição de 2008 a 2010 causou enormes prejuízos na actividade agrícola e deixou mais de 12 mil pessoas sem água e com pouca alimentação.
As chuvas que se registam na região devolveram aos habitantes de Quicabo a expectativa de dias melhores, com o relançamento da produção do milho, batata-doce, mandioca e jinguba.     
Maria Francisco, camponesa, residente há muitos anos em Quicabo, disse, ao Jornal de Angola:
 “Estou muito contente, pois durante estes dois anos de sofrimento não tínhamos praticamente nada para comer, mas, com as chuvas, regressámos aos campos, onde já cultivámos produtos para o sustento das nossas famílias”.
Durante o período da estiagem, afirmou, muitas pessoas ficaram doentes por falta de água para consumo e não tinham como tomar banho ou lavar as roupas.
“Felizmente, o sofrimento acabou, recebemos da Direcção Provincial da Agricultura sementes para aumentarmos a produção”, referiu.
Adão Domingos, camponês, 52 anos, também está satisfeito com o fim da estiagem e com os trabalhos de terraplanagem que o governo provincial executa para abrir a via que vai facilitar o transporte de pessoas e bens.
A maioria da população de Quicabo, lembrou, é camponesa e a chuva veio resolver o problema da seca que assolou a região, fazendo com que muitos voltem agora aos campos.
“Este ano agrícola é de muita chuva, esperamos colher grandes quantidades de produtos. Louvamos o gesto do governo de distribuir sementes”, disse.
O administrador comunal de Quicabo, Adão Pipas, frisou que “a estiagem trouxe muitos problemas, a produção ficou comprometida, mas o governo provincial e as Organizações Não-Governamentais deram um grande apoio à população necessitada”.
O apoio, disse, incluiu o abastecimento de água potável, por meio de cisternas, e bens de primeira necessidade.
“Com o fim da estiagem, a população foi mobilizada para trabalhar a terra para poder adquirir produtos para a subsistência”, declarou, acrescentando que “para facilitar a circulação de pessoas de uma aldeia para a outra e permitir o escoamento dos produtos está a ser terraplanada uma via de 45 quilómetros”.
  
Seca atrasa projectos
 
O ano de 2010 foi de muitos prejuízos para a comuna devido à seca que atrasou alguns projectos sociais, que a administração tencionava desenvolver para melhorar o nível de vida dos habitantes da circunscrição. O administrador da comuna, Adão Pipas, disse que, no ano transacto, “o governo virou as atenções para a assistência da população que sofria com a estiagem, daí o atraso dos projectos”.      
Adão Pipas recordou que estavam para ser executados vários projectos, como a construção de postos de saúde, casas e escolas.

Educação e Saúde

Quanto às áreas da educação e da saúde, lamentou, a comuna debate-se com problemas de vária ordem, como falta de professores, salas, enfermeiros e postos médicos.
A localidade tem 12 escolas, uma delas do primeiro ciclo, sendo necessárias mais cinco do ensino primário para reduzir o número de crianças fora do sistema normal de ensino. As aulas são ministradas por 62 professores, mas, referiu, são precisos mais 12.
Adão Pipas revelou que em 2010 foram matriculados 2.250 alunos, 108 dos quais desistiram. Este anos estão matriculados cerca de três mil alunos.
A comuna tem apenas com um posto médico, na sede da comuna, pois o posto construído na aldeia de Balacende ainda não está apetrechado.
A comuna, disse, precisa de mais quatro postos médicos para as pessoas deixarem de percorrer longas distâncias para serem assistidas.
O posto de saúde na comuna dispõe de quatro enfermeiros e atende diariamente entre 15 e 20 pessoas.
As doenças mais frequentes são as respiratórias, o paludismo, as diarreias e as conjuntivites. 
No ano passado foram consultadas 3.073 pessoas.

Energia e Águas

O sector da Energia, afirmou Adão Pipas, vive com muitas dificuldades.  “A comuna dispõe apenas um gerador de 100 KVA e temos também problemas para suportar os encargos com o combustível e a assistência”.
A comuna encontra-se às escuras, pois, queixou-se, o gerador está avariado à espera da intervenção da direcção do município do Dande.
“Esperamos pela conclusão da barragem das Mabubas, que vai gerar mais energia eléctrica para a província”, disse, acrescentando que “a comuna ainda não dispõe de água potável”.
Mas, este ano, anunciou, vai ser inaugurado, na sede comunal, um centro de captação, tratamento e distribuição, no âmbito do programa “Água para todos”.
O administrador também gostava de ver instaladas na comuna antenas repetidoras da Movicel e da Unitel:
“Para entrar em contacto com as pessoas que se encontram noutros pontos do país temos que subir a uma montanha, com cerca de 200 metros, para conseguirmos comunicar”.  

Exploração de inertes

A comuna de Quicabo tem registado 16 empresas de exploração de inertes, mas apenas oito funcionam.
Das empresas que se encontram a funcionar, afirmou, a Camargo Correia é a única que honrou o compromisso com a comunidade, construindo uma escola provisória e um fontanário no bairro do Lifune Anapasso.
A comuna tem 16 cantinas, que têm facilitado a vida dos habitantes da região quanto ao abastecimento de bens de primeira necessidade.
A população de Quicabo dedica-se, além da agricultura, à caça, exploração de carvão e à venda ambulante de produtos diversos.
A comuna localiza-se a Sul de Caxito, tendo a Norte a do Úcua e a de Canacassala, município de Nambuangongo, a Oeste, a da Barra do Dande e a Leste, o município do Ambriz.
Quicabo, com 2.872 quilómetros quadrados, tem 28 bairros, com 12 mil habitantes.
A comuna é rica em recursos minerais, como mica, argila, ferro, caulino e amianto e tem solos férteis. 

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