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Jovens do Bengo recebem créditos

Pedro Bica | Caxito

Cooperativas de jovens da província do Bengo receberam créditos do programa do Ministério da Juventude e Desportos que visa dar apoio a projectos económicos.

Cooperativas de jovens da província do Bengo receberam créditos do programa do Ministério da Juventude e Desportos que visa dar apoio a projectos económicos. Nesta primeira fase foram contemplados os municípios do Ambriz e do Dande e os fundos emprestados foram destinados a projectos agrícolas e comerciais.
Em declarações ao Jornal de Angola, António João “Manga”, director provincial da Juventude e Desportos do Bengo, explicou que das 20 associações de jovens que beneficiaram do empréstimo, apenas sete têm pago as prestações.
Esta situação, segundo o director provincial da Juventude e Desportos, reside no facto de muitas cooperativas não terem ainda arrancado com as suas actividades e outras enfrentam problemas por falta de experiência na execução de projectos agrícolas.
António João “Manga” disse que a Direcção Provincial da Juventude e Desportos do Bengo, embora entidade promotora do projecto para a reinserção social e económica dos jovens, não tem mecanismos e muito menos capacidade para impor qualquer sanção de natureza judicial às associações que não cumprem o compromisso assumido com o Banco de Poupança e Crédito (BPC), que é a entidade financiadora do Programa  Crédito Jovem.
António João “Manga” afirmou que a sua instituição tem vindo a sensibilizar os jovens para demonstrarem mais responsabilidade e colaborarem com o Governo no esforço social do combate à fome e à pobreza, honrando os compromissos assumidos junto do BPC.
“Nós somos apenas intermediários neste processo, só o Banco de Poupança e Crédito é que tem a legitimidade de recorrer judicialmente contra as associações que não honram os seus compromissos”, declarou, afastando quaisquer culpas que possam ser atribuídas à sua instituição.
 Recordou que o dinheiro do crédito concedido varia entre os três mil, 10 mil e 18 mil dólares, conforme a natureza e o estudo de viabilidade económica que cada associação apresentou ao banco no acto da adesão ao Crédito Jovem.
A segunda fase do programa, segundo António João “Manga”, só arranca quando as primeiras cooperativas que beneficiaram do crédito fizerem o reembolso acordado com o BPC. “Nos já manifestámos esta preocupação ao Ministério da Juventude e Desportos, no sentido de juntos encontrarmos uma solução pacífica e, se isso for possível, continuar com a segunda fase”, precisou. O responsável da Juventude e Desportos no Bengo informou que neste momento a sua instituição continua a receber pedidos de jovens associados em cooperativas que pretendem iniciar o seu próprio negócio nas áreas agrícola e comercial, mas não é possível satisfazê-los enquanto o pacote do crédito jovem atribuído na primeira fase do programa não reembolsado.
António João “Manga” disse que os critérios para concorrer aos créditos são em primeiro lugar a legalização da cooperativa, a sua área de trabalho, o tipo de actividade que pretende exercer e só depois disso o pretendente deve dirigir uma carta com um estudo de viabilidade económica do projecto ao banco credor, que o analisa e aprova o empréstimo.
Para dar resposta aos pedidos, o responsável do Bengo da Juventude e Desportos disse que foi criado um comité de avaliação que se encarrega de decidir sobre a concessão dos créditos para cada tipo de actividade da cooperativa.
António João “Manga” apelou à juventude para apostar mais em projectos agrícolas, tendo em conta as condições favoráveis que os solos do Bengo apresentam em quase toda a extensão do seu território.

Período de reembolso

Quanto aos montantes e o período de reembolso do crédito, João Manga disse que não foi estipulado um valor mensal, estando isso a depender dos ganhos ou rendimentos que cada cooperativa obtiver no exercício da sua actividade.
A título de exemplo, revelou que as cooperativas que exercem actividade agrícola, devido às suas especificidades, têm um período de carência que vai dos seis meses a um ano e as do ramo comercial só começam a pagar o empréstimo ao fim de três meses.
Acrescentou que todas as cooperativas têm um período de dez anos para pagar o crédito concedido pelo BPC, a instituição bancária escolhida pelo Governo para parceira do Programa Crédito Jovem.
António João “Manga” afirmou que depois de várias paralisações, por falta de pagamento às empreiteiras, as obras de construção das casas sociais da juventude no Bengo retomaram agora o seu curso normal, estando alguns projectos a decorrer a um ritmo acelerado.
Depois de concluídas as casas vão ficar por fazer os arruamentos, sistema de distribuição de água potável, energia eléctrica e o saneamento básico, o que preocupa António João “Manga”,.
Quanto à adesão da juventude ao projecto, explicou que das 92 casas em construção até ao momento apenas 60 candidatos fizeram a sua inscrição para concorrer à compra.
O grande problema, informou, reside no facto de muitos candidatos estarem a pouco menos de cinco anos na função pública e numa carreira técnica de base, média e auxiliar, com um salário não compatível com o crédito para a compra das casas.
Para ultrapassar esta situação, o responsável da Juventude e Desportos apontou a sensibilização, informação e afixação em locais públicos dos regulamentos e do decreto executivo que regula as condições de adesão à compra das habitações para os jovens.
António João “Manga” diz que a fraca adesão dos jovens ao projecto reside também no facto de terem de pagar como sinal a primeira prestação que é condição básica para concorrer a uma habitação.
Para concorrer a uma das casas do projecto, explicou, os jovens devem ser casados ou viver em união de facto e terem entre os 23 e os 35 anos, pagando mensalmente ao banco valores que variam entre os 200 e os 250 dólares em 20 anos.
A par dessas obrigações, António João “Manga” esclareceu que podem aderir ao projecto pessoas com mais de 35 anos ser tiverem dado o seu contributo na luta de libertação nacional e na conquista da paz. “Estamos a falar dos antigos combatentes e veteranos da pátria e dos desmobilizados”, afirmou.
O projecto das casas para a juventude, na província do Bengo, esta á ser desenvolvido apenas no município do Dande e só quando estiveram concluídas as 92 habitações é alargado aos outros sete municípios da província.
“Temos algumas ideias para levar à consideração do Ministério da Juventude e Desportos, em relação aos preços das casas, à adesão dos jovens e também da própria regulamentação dos bairros sociais de acordo com as características do Bengo”, informou.
No decorrer do ano passado, os oito municípios que compõem a província do Bengo beneficiaram igualmente do projecto de auto-construção dirigida, o qual contemplou 125 jovens das zonas rurais, tendo a Direcção Provincial da Juventude e Desportos distribuído os materiais básicos como chapas e barrotes. 

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