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Kibaxe na luta contra pobreza

Guimarães Silva e Alfredo Ferreira| Kibaxe

O administrador municipal de Kibaxe, Kito Domingos Fula, assegurou que a aposta das autoridades, para este ano, é o combate à pobreza. Garantiu que tem um pacote de projectos sociais ligados à Educação e à Saúde, ao fornecimento de água potável e energia eléctrica às populações, sem descurar o sector da Agricultura, com o fomento da produção do café.   províncias|33

Administrador municipal de Kibaxie
Fotografia: Edmundo Eucílio

O município de Kibaxe, na província do Bengo, é uma referência na produção de café, uma das principais culturas da região. O desafio das autoridades para este ano é o combate à pobreza, disse Kito Domingos Fula, administrador municipal.
Dembos Kibaxe, como também é conhecido, tem quatro comunas: a sede, Coxi, Paredes e Piri, numa extensão de 1.444 quilómetros quadrados e 18.546 habitantes. No início do ano arrancou um programa municipal integrado de desenvolvimento rural  e combate à pobreza.
“ Temos para Kibaxe um pacote de projectos sociais e vamos empenhar-nos a fundo para a sua materialização. Água, saúde e educação estão na primeira linha de conta. Temos o plano de aquisição de dois geradores, um de 100 KVA e outro de 60, para a estação de captação e tratamento de água. Com isto vamos melhorar a rede de extensão e tratamento, construir chafarizes, lavandarias e balneários”, garantiu à nossa reportagem o administrador municipal.
O município de Kibaxe beneficia também do Programa “Água para Todos”, um projecto de âmbito nacional, em execução.
No sector da Saúde as autoridades locais vão construir instalações junto ao Hospital Regional para acomodar as famílias dos doentes: “temos ainda o programa de educação sobre doenças transmissíveis nas aldeias e a formação de 60 agentes sanitários e 100 parteiras tradicionais”, disse o administrador Kito Domingos Fula.
O Executivo disponibilizou fundos para os programas de saúde em Kibaxi que foram aplicados “na aquisição de três ambulâncias para evacuação de doentes, reabilitação de infra-estruturas, recuperação de meios de transporte e abastecimento em medicamentos”, afirma Kito Domingos Fula.
Kibaxi tem um hospital regional, três centros de saúde e seis postos médicos. O pessoal clínico e de apoio, segundo Kito Domingos Fula, é exíguo, pois conta somente com quatro médicos, um técnico superior, 18 técnicos médios, 60 básicos e pessoal de apoio. “No saneamento básico o pacote prevê a aquisição de um damper, contentores de lixo, carros de recolha, carros de mão, vassouras e pás”.No sector da educação o município conta com o ensino do primeiro nível, primeiro e segundo ciclos de ensino. Em 2010, foram matriculados 2.151 alunos, dos quais 1.292 aprovados e 529 desistências, sobretudo meninas grávidas e alunos que vivem distante das escolas.
O sector conta com 321 professores: “o presente ano lectivo arrancou com 6.437 alunos, sendo 4.305 regulares e 1932 no ensino de adultos”, disse Kito Domingos Fula.
O programa de alfabetização tem muitos aderentes. De 1.816 inscritos chegaram ao fim 1.118 e ficaram aprovados 727. Kibaxi, conforme informação do administrador municipal, tem ainda um centro de formação profissional no Piri, para serralheiros, pedreiros, carpinteiros e informáticos.

Sector da agricultura

O município de Kibaxi tem um potencial agrícola de invejar. A mandioca, a banana, o milho, ginguba,  batata-doce e feijão são produzidos em grandes quantidades suficientes para a alimentação da população local e para abastecer diversos mercados.
No ano passado, a população camponesa preparou manualmente 9.976 hectares de terras para sementeira. Tudo fruto do empenho de 28 associações de 1.334 camponeses e nove cooperativas com 361 membros. Os pequenos agricultores são os mais fortes, os que mais produzem.
Para o corrente ano, vai arrancar uma experiência piloto para o repovoamento do gado caprino, com 200 cabeças, nas aldeias de Ki Menga, no Koxi e Kipalo. A produção de mandioca foi prejudicada pelas chuvas irregulares. Quanto à produção da banana na região dos Dembos é uma fonte importante de rendimento. “Temos alguns problemas no que toca ao escoamento de produtos. As vias que ligam Kimuenga, Ngombe de Kibaxi, Piri antigo, Ngombe do Piri, carecem de intervenção para que possamos usufruir da sua produção agrícola”, disse Kito Domingos Fula.
O sector privado também dá o seu contributo ao desenvolvimento da agricultura em Kibaxi. “Temos registadas 154 fazendas de café, mas apenas oito produziram, o que é uma gota de água no oceano. O café jogou um papel importante no passado, pois com os seus rendimentos foi possível construir vilas e cidades em toda a Angola e era a base de rendimento dos Dembos”, assegura Kito Domingos Fula.
“Os fazendeiros têm vontade de produzir. Em 2010, 18 fazendeiros criaram um viveiro com 8800 plantas de café. Mas a colheita foi aquém das expectativas. Só conseguimos 157 sacos e isto para nós são números insignificantes”, referiu o administrador de Kibaxi.

Energia de geradores

O município de Kibaxi é abastecido de energia eléctrica com um sistema de geradores. “Temos instalado o sistema de energia pública que abastece a sede e bairros vizinhos. Temos energia das seis às 23 horas, o que permite o ensino nocturno. A nossa central é impotente, mas a sua manutenção é irregular e consomem 225 litros de gasóleo por hora”, disse Kito Domingos Fula.
Este ano está prevista a reabilitação e ampliação da linha de energia de Kibaxi  à Aldeia da Missão e a aquisição de  mais um gerador de 500 KVA. Esta é a solução enquanto se aguarda pela conclusão da linha de alta tensão a partir das Mabubas, para abastecer o município com energia de rede”, disse o administrador.

Estrada e  turismo

Paisagens bonitas, verdejantes, com montes e montanhas cercam o município de Kibaxi. Mas esta riqueza é pouco apreciada “porque os empresários da área do turismo ainda não descobriram a beleza deste lugar. Precisamos de investidores para podermos caminhar e aproveitar as potencialidades que Kibaxi tem para oferecer”, disse Kito Domingos Fula.
Mas o município também precisa de melhorar a sua rede viária, condição essencial para que os turistas frequentem a região.
Os telefones funcionam em Kibaxi: “daqui podemos falar para qualquer parte do mundo. Temos dificuldades na escuta da Rádio Nacional de Angola e para ver a TPA porque aqui chove muito, há relâmpagos e perdemos o sinal”, lembra o administrador municipal.
Kibaxi tem falta de quadros técnicos. Kito Domingos Fula refere que “os Dembos têm dificuldades a nível municipal e comunal. Está prevista a realização de um concurso público para resolvermos o problema da carência de quadros. Temos muitos jovens formados mas não têm empregos.
Temos que promover o primeiro emprego. É necessário que as empresas se instalem aqui”. 
Nos Dembos há 360 jovens que transitaram do ensino médio para o superior. Mas no município não podem estudar, o que provoca uma fuga de quadros.
Os jovens que partem para prosseguir os estudos, dificilmente regressam.

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