Províncias

Novas estradas servem aldeias

Pedro Bica | Bula Atumba

As autoridades municipais de Bula Atumba, província do Bengo, elegeram a reparação e construção infra-estruturas sociais básicas à população como prioridade.

A vila de Bula Atumba teve o auge do seu desenvolvimento na época em que o café era um dos principais produtos de exportação
Fotografia: Pedro Bica |Bula Atumba

As autoridades municipais de Bula Atumba, província do Bengo, elegeram a reparação e construção infra-estruturas sociais básicas à população como prioridade. Está em curso a construção de escolas, casas para os quadros, a reabilitação da estrada entre Kibaxe e Bula e a abertura de novas vias entre as aldeias e a sede municipal.
Apesar do atraso que se regista na conclusão das obras da estrada Kibaxe-Bula, já é possível viajar da cidade de Caxito para a sede do município em poucas horas. O administrador municipal, Domingos Ventura Neto, disse à nossa reportagem que a conclusão das obras da estrada é fundamental, pois “grande parte dos empresários que operam na região e pretendem fazem novos investimentos, reclamam das obras da via, que já duram há cinco anos”.
O responsável municipal revelou à reportagem do Jornal de Angola que estão a ser feitos esforços para que a empresa construtora acelere os trabalhos: “os atrasos são preocupantes e o empreiteiro deve entregar a obra pronta em Julho de 2011, mas a este ritmo, temos dúvidas que isso aconteça”, disse. 
Domingos Ventura Neto realçou que as empresas que concorrem às diversas obras da Administração Municipal de Bula Atumba têm capacidade financeira e material para as realizar, “mas em muitos casos o Executivo atrasa com os pagamentos das empreitadas, daí que, por vezes, os empreiteiros usem os seus próprios recursos financeiros para concluírem as obras”.

Sector agrícola no bom caminho

Bula Atumba é um dos principais celeiros agrícolas da província do Bengo e tem na cultura do café, banana, mandioca e feijão a primeira fonte de rendimento dos seus munícipes, que diariamente lutam contra a pobreza.
Para quem se faz à estrada, a caminho de Bula Atumba, salta imediatamente à vista o movimento de camiões carregados com grandes quantidades de produtos do campo, com destino aos mercados do Caxito e Luanda.
O administrador municipal revelou ao Jornal de Angola que a produção agrícola na região ainda é feita de modo artesanal e quando a produção for mecanizada vão ser alcançadas metas muito mais ambiciosas no final das campanhas agrícolas. Apesar da falta de meios mecânicos, a colheita deste ano atingiu níveis muito elevados.
Ventura Neto recordou o tempo em que Bula Atumba era um dos principais pólos de produção do café. O administrador disse que os agricultores e camponeses associados em cooperativas aguardam pela concessão dos créditos aprovados pelo Executivo.
“Existem contactos avançados com a gerência do Banco Sol, que solicitou um espaço para a construção de uma agência, e com o Banco de Poupança e Crédito, que já possui um terreno cedido pela Administração Municipal para construir uma agência em Bula Atumba”, afirmou.

Recurso ao crédito e mais investimento

“Estamos ansiosos pelo sinal verde destas instituições, pois os bancos, em qualquer sociedade, provocam o desenvolvimento social e económico ao concederem créditos aos pequenos agricultores”, afirmou Ventura Neto.
O responsável municipal apelou aos naturais, amigos e investidores em geral a apostarem na região, que possui boas condições naturais, com solos férteis e aráveis e um clima propício à prática da agricultura. O município está aberto a todos os investidores e quem quiser desenvolver projectos rentáveis e de interesse social tem em Bula Atumba todo o apoio das autoridades locais.
Para quem pretender investir em Bula Atumba, garantiu Ventura Neto, a Administração Municipal “oferece apoio institucional, cedência de terrenos, a legalização e a protecção dos seus bens”. Afirmou que as populações do município estão empenhadas na participação e colaboração com os programas traçados pelo Executivo, que visam a melhoria das condições sociais da população.
“No nosso município, os visitantes quando pedem água, recebem primeiro um prato de comida, o que demonstra que já não temos fome”, disse o administrador municipal, com um sorriso aberto.
Em Bula Atumba o lema das autoridades é deixar de lado os problemas administrativos e atacar as dificuldades sociais básicas das populações, o que faz com que os responsáveis e funcionários trabalhem intimamente com as comunidades.
Com a reabilitação e extensão da rede de abastecimento domiciliar, milhares de habitantes de Bula Atumba vão poder consumir água potável. A rede de energia eléctrica também está a ser reabilitada. Foi contratada uma empresa para elaborar estudos e apresentar propostas para que, no próximo ano, inserido no programa de combate à fome e à pobreza, o objectivo seja uma realidade. 
Actualmente, os habitantes da sede municipal consomem a água fornecida através de chafarizes construídos no âmbito do programa de gestão municipal e que estão espalhados pelos bairros.  
Neste momento, segundo as autoridades municipais, a intenção é levar a energia eléctrica e a água às aldeias que ainda consomem água de rios e riachos, correndo o risco de contrair doenças.
A grande preocupação reside no facto das aldeias do município estarem distantes da vila, o que provoca uma enorme dispersão populacional. O município cresceu de forma desordenada, pela inexistência de um programa municipal de urbanização. Isto tem dificultado a acção do Executivo, sobretudo no que diz respeito à construção de escolas, postos de saúde e centros de formação profissional.
O crescimento populacional e a entrada em funcionamento das fazendas agrícolas exigem mais consumo de energia eléctrica, daí a necessidade do reforço da rede existente. O problema da energia eléctrica ganha mais pertinência quando se coloca a questão da reactivação dos empreendimentos comerciais e industriais.
A vila tem cada vez mais comércio precário mas está prevista a construção de pensões e outras unidades hoteleiras.
Das 60 fazendas registas na Administração Municipal, apenas 25 funcionam, a meio gás, o que preocupa Ventura Neto, dado que essas empresas agrícolas podem dar emprego a muitos jovens. 
O Jornal de Angola apurou que nos trabalhos de reabilitação da Barragem das Mabubas, é dada prioridade aos jovens das zonas do Bula Atumba, Pango Aluquém e Dembos Kibaxe. 
Com duas comunas e uma população de 61.582 mil habitantes, que na sua maioria se dedica à agricultura e à caça, o município de Bula Atumba tem tudo para se desenvolver. Só resta aos seus munícipes arregaçar as mangas e lançar mãos ao trabalho.

Tempo

Multimédia