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"O maior ganho da Independência foi a liberdade"

Noé Jamba | Bengo

Januário Bernardo é o administrador do Ambriz a histórica vila que já foi o maior porto comercial de Angola e centro de produção de café com cotação internacional. No dia da Independência Nacional tinha 11 anos e estava em Cabo Ledo. Em entrevista ao nosso jornal fala dos ganhos da reconstrução nacional no seu município.

Administrador Januário Bernardo
Fotografia: Edmundo Eucílio|Bengo

Januário Bernardo é o administrador do Ambriz a histórica vila que já foi o maior porto comercial de Angola e centro de produção de café com cotação internacional. No dia da Independência Nacional tinha 11 anos e estava em Cabo Ledo. Em entrevista ao nosso jornal fala dos ganhos da reconstrução nacional no seu município.
 
Jornal de Angola - Que avaliação faz dos ganhos da independência?

 Januário Bernardo - Sinto-me feliz por viver num país que fez uma luta armada para conquistar a independência. Para mim foi um ganho muito grande que nos levou aos 35 anos de liberdade. Este foi o maior ganho da nossa História: a liberdade. Mas também foi um período de muito sacrifício consentido pelo povo angolano, com derramamento de sangue dos seus filhos em defesa da pátria e da integridade territorial.

JA - A liberdade foi o maior ganho da independência Nacional?

JB – Considero que sim. A libertação do jugo colonial permitiu cimentar as bases para a reconstrução do país. Democratizamos a nação com a realização das eleições multipartidárias e hoje Angola é um estado democrático e de direito. Foi pena que o longo período do conflito armado deixou o país desencontrado.

JA - E como vê a actualidade?

JB - Ganhos e mais ganhos. O Executivo tem trabalhado muito para melhorar a vida das populações do interior do país. Posso referir o excelente trabalho feito na desminagem e na recuperação das estradas em todo o país, que garantiu a circulação de pessoas e bens.
Mas não posso esquecer o trabalho árduo feito pelo Executivo na recuperação das pessoas desavindas e no seu empenho na assistência e reinserção social das populações.

JA - E como se reflecte esse trabalho no Ambriz?

JB - Ao longo dos anos de paz tivemos a recuperação e construção de muitas infra-estruturas administrativas, escolas, hospitais, pontes. Mas quero realçar os projectos que foram realizados nas comunas do Tabi e da Bela vista. Foram construídas nessas localidades muitas escolas, hospitais, estruturas administrativas que não existiam antes da proclamação da independência. No domínio do fornecimento de água potável também tivemos largos benefícios.

JA - o que foi feito na Bela Vista?

JB - Na comuna da Bela Vista foram construídas novas infra-estruturas de carácter social como hospitais e escolas. Também temos 90 quilómetros da estrada terraplanada.
Em relação à comuna do Tabi podemos afirmar que ao longo desse período foram construídas novas infra-estruturas nos domínios da saúde e educação e foi possível a recuperação da sede municipal.

JA - E na vila do Ambriz?

JB - Na sede municipal do Ambriz temos várias infra-estruturas que foram recuperadas, como escolas e hospitais e temos estradas melhoradas na sede municipal. Em 2011, a estradas nacional que liga a sede municipal do Ambriz ao Caxito também vai ser reabilitada para garantir o desenvolvimento da região.

JA - Onde estava no dia da Independência Nacional, em 1975?

JB - No dia 11 de Novembro de 1975, tinha apenas 11 anos. Na altura vivia em Luanda com os meus pais e estava enquadrado nos pioneiros do MPLA. Devido à guerra que se vivia em Luanda, com receio de sermos mortos, regressámos à nossa aldeia na comuna do Cabo Ledo, onde assistimos à distância à proclamação da independência nacional.

JA - O Ambriz tem projectos para a área do turismo?

JB - O município de Ambriz tem um potencial económico que está a renascer. As potencialidades económicas do município de Ambriz são enormes. Temos uma extensão de costa marítima de 60 quilómetros, com boas praias e belas paisagens para o turismo, que infelizmente ainda está adormecido. Se esses locais forem bem aproveitados e explorados, as receitas financeiras vão aumentar muito.

JA - A actividade das pescas está a ser estimulada?

JB - As pescas também constituem um dos grande potencial no nosso município, tendo em conta que o melhor peixe e marisco que é consumido em Angola tem a sua proveniência no município de Ambriz. Há investidores interessados em desenvolver as pescas no Ambriz. O relançamento do sector vai trazer melhorias na vida das nossas populações.

JA - Quando arranca o projecto de produção de camarão?

JB - O projecto já arrancou e para já garantiu emprego directo a 1.200 trabalhadores na sua maioria jovens de ambos os sexos. É um investimento de 160 milhões de dólares e visa a produção de camarão para o consumo interno e para a exportação.
 O projecto começou com a limpeza da área onde são instalados os reservatórios e tanques para a produção de camarão.

JA - O Ambriz já tem agências bancárias?

JB - O município de Ambriz é privilegiado no domínio da Banca, para além da agência do Banco Sol foi recentemente inaugurado a agencia do Banco Totta e em breve vamos inaugurar uma agência do BCI. Com o regresso das agências bancárias, muitos empresários nacionais estão apostados em fazer os seus negócios no nosso município.

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