Províncias

O recanto que encanta o Bengo

Guimarães Silva| Bengo

O triângulo do café, que compreende os municípios de Bula Atumba, Dembos e Pango Aluquém, numa extensão de 8.802 quilómetros quadrados, a leste da província do Bengo, é um espaço apetecível e escolhido por muitos para as “escapadelas” de fim-de-semana, na fuga ao stress das cidades grandes ou à decepção do mau desempenho do clube do coração, devido à tranquilidade que oferece.

Fotografia: Jornal de Angola

O triângulo do café, que compreende os municípios de Bula Atumba, Dembos e Pango Aluquém, numa extensão de 8.802 quilómetros quadrados, a leste da província do Bengo, é um espaço apetecível e escolhido por muitos para as “escapadelas” de fim-de-semana, na fuga ao stress das cidades grandes ou à decepção do mau desempenho do clube do coração, devido à tranquilidade que oferece.
Trocar hábitos de fim-de-semana, deixando a cidade dos milhões de habitantes para ir ao encontro da monotonia do vazio de “equipamentos” sociais e rebuliço, partir atrás dos quilómetros para o “mundo” verde, é uma opção cada vez mais popular entre os que vivem o dia-a-dia no bulício da grande cidade.
A viagem por estrada tem aditivos insuperáveis. Um deles é o contacto com pessoas que salvaguardam as tradições que respeitam as origens, hábitos e costumes, num apelo a associarmo-nos àquilo que é natural e de algum modo genuíno. Outro é o desfrute de ar puro, de sumptuosas paisagens, com árvores e plantas exóticas, onde o verde parece esmerar-se na sua diversidade imperial de tonalidades, que apenas competem com o céu e as nuvens.

Percurso

O percurso para as sedes do triângulo está asfaltado. As estradas de 12 metros de largura e a uma altitude de mais de 300, têm as ribanceiras como particularidade, porque foram construídas em eixos com subidas, descidas, curvas, contracurvas, num desafio entre os homens e a natureza, no qual os primeiros venceram, mas estão sob as leis da última. A estrada nacional 225, com as variantes 12, 120 e 120-3 (que são ramificações da primeira), são vias modernas como poucas. No seu percurso há inúmeras localidades rurais, onde a sinalização aconselha à redução de velocidades. Além disso, são prenhes em curvas e contracurvas ao longo dos 135 quilómetros que conformam o triângulo. O instinto humano apela à competição e esta acção activa a velocidade, que é franca aliada da sinistralidade. Desaconselhável, portanto, mais valendo saborear a paisagem na calmaria e pacatez de um fim-de-semana tranquilo e repousante.

Convite à aventura

Os caminhos que vão dar ao triângulo são um verdadeiro convite à aventura, ao turismo ecológico e à curiosidade. Muita gente se questiona sobre a biodiversidade no espaço entre as montanhas, consumido por florestas, onde o topo das árvores corre em paralelo ao tapete asfáltico, a muitos metros de altitude.
No triângulo, a paisagem é riqueza, fonte de inspiração, de fotografias e de descobertas. Aqui, sim, aprendemos que os nossos antepassados se desdobraram em esforços para desbravar florestas, desbastar montanhas e fazer estradas, numa altura em que a tecnologia ainda dava os primeiros passos. A singularidade do triângulo do café reside nos pontos elevados, na abundante chuva, no clima tropical húmido, nos nevoeiros, na escassez dos terríveis mosquitos e nas noites de muitas e muitas estrelas.
A maravilha do triângulo também está nos terrenos aráveis, que dão azo à agricultura, com variadíssimas espécies. A banana, o abacate, os legumes, a batata, a mandioca, a manga, a laranja, o limão, o dendém da palmeira que produz o concorrido maruvo. O café não se faz rogado e dá nome ao triângulo, porque existe por todo o lado. Este espaço da província possui 229 fazendas de média e grande dimensão, segundo dados da direcção provincial do Instituto Nacional do Café no Bengo. Escondido entre árvores de grande porte, repartindo sombra, sol e chuva, o cafeeiro dá um ar da sua graça com os bagos vermelhos. Nesta mescla multiplica-se, materializando o apelo divino para terminar em mercados concorridos.

Destinos turísticos

Nos Dembos, os destinos turísticos são múltiplos. O rio Luvi, que nasce em Bula Atumba e desagua no Dande, é um espectáculo à parte, porque faz as delícias de quem se dirige para a comuna do Coxe. Ao lado da ponte sobre o mesmo, aos poucos escava a rocha basáltica, num sistema de rápidos que a imagem e a foto podem registar para a eternidade.
Adiante, já no Coxe, a nascente do rio Camutonha é outro exemplar que vale a pena conhecer. A água da vida que abastece e mata a sede da comuna tem aqui a sua génese e, num feito raro, brota da terra, a um toque da palma da mão. Fresca, límpida, sem cloros ou outros químicos, é um convite ao consumo. Ainda na estrada 225, a famosa pedra verde, uma rocha gigante que é hoje motivo de feitos, esconderijos, mistérios e respeito, dá oportunidade a desportos radicais e ao alpinismo. Há quem arrisque afirmar que do cume da montanha, que está a uma altitude considerável, vêem-se as chamas da Petrangol, em Luanda.
A noite no triângulo é monótona. Os locais recolhem-se cedo, a ordem e a tranquilidade são serventias e só estranha quem não está habituado. De manhã a população acorda muito cedo, antes mesmo de o sol raiar, e parte para os seus afazeres, num procedimento que contagia o visitante, que corre o risco de ficar só. Afinal, quem acorda cedo conquista mais, tem mais tempo para avaliar a calmaria que envolve o triângulo.

Tempo

Multimédia