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Obras da ponte da Cabala ficam prontas em Agosto

Manuel Albano |

O engenheiro civil e projectista Armindo António Marcos Rito, da construtora Teixeira Duarte, garantiu que as obras em curso na nova ponte sobre o rio Kwanza, na região da Cabala, província do Bengo, ficam concluídas no mês de Agosto.

A abertura da nova ponte sobre o rio Kwanza vai melhorar o tráfego e reduzir o número de acidentes na região
Fotografia: Dombele Bernardo

O engenheiro civil e projectista Armindo António Marcos Rito, da construtora Teixeira Duarte, garantiu que as obras em curso na nova ponte sobre o rio Kwanza, na região da Cabala, província do Bengo, ficam concluídas no mês de Agosto.
Em declarações à imprensa, no final de uma visita às obras, Armindo Rito assegurou estar tudo encaminhado para a conclusão, no final do próximo mês de Agosto, da ponte sobre o rio Kwanza na via expressa entre Catete, Cabala e Muxima.
No imponente empreendimento, com 1.534 metros de comprimento, 14,5 de largura e duas faixas de rodagem, vão poder circular viaturas até 200 toneladas de carga. Para a segurança dos peões, a nova ponte, além do passeio nas bermas, vai estar totalmente sinalizada, o que proporciona, à noite, mais segurança, assegurou o engenheiro.
Armindo Rito acrescentou que os tabuleiros dos viadutos, de betão armado, têm uma extensão de 1.278 metros a Norte e 1.074 metros a Sul e já estão todos concluídos, acrescentando que a execução da obra está na recta final.
O engenheiro civil explicou que a ponte tem um traçado que permite uma velocidade elevada com correcções do percurso já adequadas às características modernas de circulação.
A ponte tem cinco metros de altura e 50 de largura, o que vai permitir a navegação de embarcações no rio mesmo em tempo de cheias. A ponte, segundo Armindo Rito, tem capacidade de resistência a choques das águas equivalente a 300 toneladas e está preparada para aguentar qualquer situação de risco que possa ocorrer. As fundações têm uma profundidade de 75 metros.
O dono da obra, o Instituto de Estradas de Angola (INEA), assegura que a ponte vai dar maior fluidez ao trânsito automóvel pesado e ligeiro na região, onde os automobilistas ainda têm de efectuar muitas manobras para ter acesso às principais unidades económicas localizadas naquele percurso em direcção à zona da Muxima.

A ponte dos peregrinos

O ministro do Urbanismo e Construção, José Ferreira, disse que a visita às obras da ponte da Cabala serviu para verificar o andamento das obras e confirmar se o empreiteiro vai cumprir o prazo de entrega acordado, que termina no próximo mês de Agosto. Para o ministro do Urbanismo e Construção, a ponte vai ser uma mais valia para as populações da província, mas também vai facilitar a vida dos peregrinos que se deslocam ao santuário de Nossa Senhora da Muxima.
José Ferreira disse que a nova ponte vai também facilitar o tráfego de mercadorias que vêem do Sul para o Norte, principalmente com destino a Luanda, evitando que a única alternativa seja apenas a outra ponte sobre o rio Kwanza, a Sul de Luanda. “Aqui temos uma ponte mais segura e com mais capacidade de suporte de cargas”.
O ministro ficou satisfeito com a tecnologia aplicada nas obras da ponte da Cabala sobre o rio Kwanza e acrescentou que existe um programa do Executivo que prevê a manutenção de todas as obras que estão a ser construídas a nível nacional: “a maior preocupação do Governo é agora começar a pensar em empresas vocacionadas para a manutenção das obras, para que estas possam ter mais tempo de duração”, realçou.
O ministro José Ferreira disse que com a abertura da nova ponte sobre o rio Kwanza vai melhorar o tráfego e reduzir o número de acidentes: “estas devem ser vias de escoamento rápido com vias largas. E o objectivo é tornar o tráfego cada vez mais seguro e fluido aos habitantes da província do Bengo”. 

Casas para os expropriados

Com a conclusão das obras, a circulação rodoviária em Catete vai ficar mais fluida e segura, segundo o engenheiro civil Duarte Nobre, coordenador das obras das casas sociais que estão a ser erguidas para alojar os habitantes expropriados das suas terras onde foi construída a ponte da Cabala. Acrescentou que as maiores dificuldades para o avanço da empreitada se prendiam com a transferência de moradores cujas casas se encontram no percurso do projecto.
Duarte Nobre afirmou que foram feitos acordos prévios entre os proprietários das casas e o empreiteiro, que já construiu um lote de 50 moradias do tipo T2. “Estão a ser concluídas casas com cem metros quadrados com o objectivo de realojar as famílias cujas casas foram demolidas por se encontrarem no traçado da ponte e respectivos acessos”, explicou.
Garantiu que falta apenas construir oito habitações, que são feitas em dois meses: “a qualidade das casas está bastante acima daquilo que é a expectativa dos moradores. Comparando com as condições em que viviam e as actuais, podemos dizer que as casas são óptimas”, frisou.
Duarte Nobre acrescentou que do ponto de vista de engenharia, as obras atingiram o seu pico no mês de Maio, durante o qual foram utilizados 457 trabalhadores, sendo dez por cento da mão-de-obra estrangeira, mas agora foram reduzidas para 400 pessoas: “de momento já não existem grandes dificuldades, tirando o problema que consistia no realojamento de algumas famílias que construíram e vivem em zonas de risco”.
O engenheiro Duarte Nobre garantiu que, até agora, ninguém reclamou, “pelo contrário, as negociações têm sido bem compreendidas pelas populações, nós temos sabido honrar as nossas obrigações”, assegurou.
Duarte Nobre acrescentou ainda que vários jovens recém licenciados em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, técnicos do Instituto de Estradas de Angola (INEA), têm feito estágios na obra para aperfeiçoarem os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação académica.

Realojamento garantido

O ministro do Urbanismo e Construção, José Ferreira, ficou satisfeito com o projecto das casas sociais, principalmente por saber que o realojamento das populações não vai constituir problema: “lamentamos apenas que a modernização das cidades passe, em muitos casos, pela demolição de casas”, disse, assegurando que tudo tem sido feito para que sejam feitos acordos satisfatórios entre as partes envolvidas no processo.
O ministro do Urbanismo e Construção encorajou a iniciativa do empreiteiro. “É necessário construir casas para realojar aqueles que construíram e vivem em zonas de risco, esta deve ser uma preocupação de todos e não simplesmente do Executivo”, declarou José Ferreira.

Moradores aliviados

Alguns moradores que habitam nas áreas das obras da construção da ponte destacaram os benefícios que estas empreitadas vão proporcionar às suas vidas. Os habitantes do bairro Tandala Nova, que acompanham diariamente a edificação da ponte, elogiam a construção da infra-estrutura que vai facilitar o escoamento dos produtos agrícolas da região.
A moradora Maria José “Malú” reconhece o esforço desenvolvido pelo Executivo e disse que em tempo de chuvas os moradores eram obrigados a sair de casa ou a construir em zonas mais altas, porque as águas das chuvas aumentavam o caudal do rio e invadiam as residências, mas agora a situação vai melhorar significativamente. “Ainda temos algumas dificuldades, como a falta de água potável. Precisamos que nos ajudem nesse aspecto, mas com a nossa ponte pronta já vai nos facilitar na deslocação de um lado para o outro”, disse visivelmente satisfeita.
O camponês Augusto Francisco, 30 anos e morador no bairro Tandala Nova há 25, elogiou os trabalhos realizados e referiu que há muito era necessária uma obra do género: “espero que os projectos sejam complementados com programas de fornecimento de água potável e energia eléctrica às populações locais”.
Augusto Francisco referiu ainda que “esta ponte vai tornar as nossas viagens muito mais baratas, porque no passado, antes da construção da ponte provisória, tínhamos que pagar custos muito elevados de transporte dos nossos produtos nas canoas dos pescadores”, disse visivelmente satisfeito.

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