Províncias

Pescadores pedem material e combustíveis

ALFREDO FERREIRA e EDSON FONTES | Caxito

Pescadores do município do Ambriz, na província do Bengo, reclamam a necessidade de uma maior disponibilização de materiais de pesca e de combustíveis com vista a evitarem-se os grandes constrangimentos registados na actividade piscatória naquela região.

A falta de material e de combustível está na base da fraca captura
Fotografia: Edumundo EUCÍLIO | CAXITO

 

 Pescadores do município do Ambriz, na província do Bengo, reclamam a necessidade de uma maior disponibilização de materiais de pesca e de combustíveis com vista a evitarem-se os grandes constrangimentos registados na actividade piscatória naquela região.
Os pescadores explicaram que a carência destes produtos têm influenciado a pouca produtividade, como afirmou Jerónimo Mendes Inocêncio, pescador há mais de sete anos. Para o jovem, de 25 anos, é necessário que os empresários construam armazéns para a venda de materiais de pesca e que ali sejam instalados postos de abastecimento de combustíveis, para que se minimizem as dificuldades que os “homens do mar” ainda enfrentam no seu dia-a-dia.
Para realizar o seu trabalho, o pescador Mendes sublinhou que se tem deslocado a Luanda para a aquisição dos materiais essenciais para a actividade piscatória, como anzóis, lanças, redes, chumbadas, bóias e lubrificantes.
José João, que exerce a actividade há seis meses, revelou que as dificuldades com que os pescadores se debatem têm levado alguns pescadores a abandonarem as cooperativas de pesca, passando a realizar trabalhos isolados e a comercializar directamente os produtos do mar à população.
O coordenador da Cooperativa de Pescadores Artesanais de Sanga Canganda Ponta do Ambriz, Gomes Augusto Boma, afirmou que estes problemas se arrastam desde 2005, período em que começou a fraca captura. O responsável acrescentou que, no princípio, a cooperativa tinha um preço estabelecido para o pescado, que rondava os 130 kwanzas por quilo.
Mas, devido à falta de bombas de combustível, material de pesca e do próprio peixe, o preço passou para 200 kwanzas.

Câmaras frigoríficas

Para inverter o quadro, o responsável solicitou, às entidades competentes, a instalação na região de câmaras frigoríficas para a conservação do pescado local e um túnel de congelação.
Gomes Boma salientou que, em 2002, a cooperativa beneficiou de dez embarcações de fibra e vidro, doadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), meios que se encontram actualmente danificados. Existem apenas três embarcações de fibra oferecidas pela empresa Petromar. Para colmatar a situação, o governo procedeu igualmente à entrega de duas embarcações de fabrico chinês à instituição, mas estas estão paralisadas por falta de recursos humanos com formação para manejar os mesmos. O coordenador da organização salientou ainda que o município conta com duas cooperativas de pescadores, denominadas “Sanga Canganda Ponta” e “Mbiji Ngudi”, bem como um núcleo de pescadores amadores.
Durante o primeiro trimestre deste ano, a cooperativa registou cerca de 30 toneladas de pescado, contra os 120 do mesmo período de 2009.  O município do Ambriz oferece diversidades de peixes, tais como a corvina preta e branca, garoupa maia, piazete, merma, pargo, pungo, cachucho, calafate e linguado.

Tempo

Multimédia