Províncias

Praga afecta mandioca em campos agrícolas do Bengo

Edson Fontes | Caxito

Grandes quantidades de mandioca dos campos agrícolas do Bengo estão a deteriorar-se, depois de afectadas por um vírus do mosaico africano e bacteriose, acompanhado pelo raiado castanho, que causa a podridão do produto, disse, em Caxito, o chefe de investigação agronómica do Programa Nacional de Raízes e Tubérculos.

Equipa de investigadores nas suas análises concluíram que a mandioca está a ser atacada pelos vírus do mosaico do fungos e do raiado cantanho
Fotografia: Edmundo Eucílio

Moniz Paulo Mutunda avançou que uma equipa de investigadores deslocou-se aos municípios de Quibaxe, Pango Aluquém e Bula Atumba, tendo apurado que a mandioca está a ser atacada pelo vírus do mosaico, fungos e o raiado castanho da mandioca.
Neste particular, o responsável afirmou que a situação é muito preocupante, uma vez que o tubérculo é a primeira cultura na província do Bengo e um dos principais alimentos da região.
Moniz Mutunda disse ainda que se trata de uma doença de virose, não sendo fácil a sua extinção. Mas, adiantou que se trabalha para intervir com quatro variedades que se adaptam e produzem melhor, visando a multiplicação das estacas de mandioca e abastecer  com celeridade os produtores e camponeses.
Para contrapor a situação que se vive no Bengo, o Programa de Raízes e Tubérculos tem, na sua vitrina tecnológica, algumas variedades tolerantes e resistentes ao vírus do mosaico africano, arraigado de bactérias com a selecção de algumas variedades melhoradas, que vão servir como ponto de partida para resolução deste problema. O chefe de investigação agronómica do Programa Nacional de Raízes e Tubérculos frisou igualmente que existe ainda um projecto de investigação de raízes e tubérculos, que trabalha na pesquisa da mandioca. Disse que o problema do surgimento de pragas e de doenças da mandioca tem a ver, em grande escala, com o facto de, quando se viaja para o exterior, encontrar campos do produto muito uniformes. “Cortamos estacas e trouxemos aqui. Isto, chama-se introdução de material vegetativo por viajantes, sem saberem que este produto está afectado”, explica. O responsável referiu que, nos aeroportos do país, por outro lado, não tem havido quarentenas para a entrada deste material vegetativo, no caso de plantas para jardins, que afectam o continente africano, em particular Angola.

Outras zonas afectadas


Moniz Mutunda informou que este problema de praga já tinha sido verificado nas províncias do Uíge e Malanje, frisando que existe um projecto para atacar o problema de região a região.
No Cuanza Norte, disse que a instituição tinha registado problema com a mandioca, há quatro anos. Nesse caso, o produto não engordava, dai ter-se feito um projecto facilitado pela Chevron e financiado pela Sonangol, que visou introduzir algumas variedades que estão a dar sucesso quer na província acima referida, quer no Uíge.
Moniz Mutunda disse que no processo de implementação das estacas existe a semente do melhorador, produto que existe em pequenas quantidades, sendo imperioso que haja produção de sementes em grande escala, para substituir a plantação afectada.
O chefe de investigação agronómica do Programa Nacional de Raízes e Tubérculos fez saber que está em carteira um programa para a criação de pólos de multiplicação nos municípios mais ou menos afectados.
“O instituto vai acompanhar os trabalhos, uma vez que conhecemos como se produz o melhor material, e trabalhar com a direcção provincial e os agentes da extensão rural, que são do IDA”, referiu o responsável.
Explicou ainda que estes técnicos vão supervisionar os campos e o grupo de investigação vai actuar anualmente com três visitas, sendo uma no início da plantação, outra aos seis meses e a última na colheita do material.

Tempo

Multimédia