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Produtos agrícolas da província do Bengo abastecem mercados da cidade de Luanda

Noé Jamba | Caxito

Os mercados de Luanda e espaços comerciais recebem diariamente cerca de 300 toneladas de produtos provenientes dos campos agrícolas da província do Bengo e arredores.

Mitó da Silva proprietário da Essapa
Fotografia: Edmundo Eucíio |

Os mercados de Luanda e espaços comerciais recebem diariamente cerca de 300 toneladas de produtos provenientes dos campos agrícolas da província do Bengo e arredores, revelou em Caxito ao Jornal de Angola  Mitó da Silva, proprietário da Essapa, uma empresa de comércio rural.
Num balanço de 12 anos de intercâmbio com os camponeses, Mitó da Silva salientou que a Frescangol e a rede de supermercados Nosso Super se destacam entre os destinatários  dos produtos do Bengo e arredores de Luanda, mas lamentou que uma parte significativa da produção se deteriore por falta de uma indústria transformadora.
Mitó da Silva explicou que com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Agrário, (IDA) e dos Bancos de Comércio e Indústria e de Poupança e Crédito, a Essapa concede crédito aos camponeses das zonas verdes de Luanda no valor anual de 50 mil dólares.
“Eles têm o crédito três vezes ao ano. Depois de 90 dias, no período da colheita, fazem o reembolso em produtos como o milho, feijão e 12 espécies de hortícolas”, disse. Além de Luanda, a Essapa, segundo o seu proprietário, atende as provincias do Uíge, Zaire, Kwanza-Sul, Kwanza-Norte e Malange.
“Ao contrário de Luanda, aos camponeses destas cinco províncias não concedemos crédito, fornecemos os produtos a pronto pagamento”, explicou Mitó da Silva, acrescentando que no ano passado a sua empresa vendeu na província do Bengo produtos agrícolas no valor de  30 milhões de kwanzas.
Disse que desde 2000 houve um crescimento em termos de qualidade e comportamento dos camponeses, pois se antes faziam uma agricultura de sobrevivência, hoje já o fazem na vertente comercial.
“Com a introdução da mecanização agrícola, muitos camponeses passaram à condição de fazendeiros. Possuem tractores, gado e já ajudam outros a evoluir”, sublinhou Mitó da Silva, acrescentando que a Essapa apoia há 12 anos 200 associações de camponeses que criaram cerca de 800 postos de trabalho e transformaram os espaços baldios em campos de produção agrícola.
Muitos dos camponeses eram deslocados de guerra, que passaram da prática da agricultura familiar para a de cariz comercial, que é hoje a sua principal fonte de rendimento.
“Os camponeses têm hoje bases mais sólidas para o desempenho das suas actividades, pois utilizamos métodos de aplicação de fertilizantes em época de cultivo que combatem algumas pragas, aumentando, assim, os  níveis de produção”, sublinhou Mitó da Silva.

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