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Serviços básicos preocupam autoridades

Alfredo Ferreira e Edson Fontes| Caxito

A falta de serviços sociais básicos para a população constitui, neste momento, uma das principais preocupações das autoridades da comuna da Barra do Dande, a 48 quilómetros da cidade do Caxito, no Bengo.

Administrador Abreu Leal disse estar em curso a construção de captação de água
Fotografia: Edmundo Eucílio

A falta de serviços sociais básicos para a população constitui, neste momento, uma das principais preocupações das autoridades da comuna da Barra do Dande, a 48 quilómetros da cidade do Caxito, no Bengo.
Segundo o administrador comunal, Abreu Leal, apesar da zona ser rica em recursos hídricos, grande parte da sua população ainda não possui energia eléctrica nem água potável.
Devido à ausência de sistemas de abastecimento, as populações são obrigadas a percorrer, todos os dias, longas distâncias para conseguir água bruta a partir do rio Lifune e em lagos e lagoas espalhados por toda a extensão da vila.
Para alterar este triste cenário, Abreu Leal disse estar em curso um projecto para a construção de um sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável nas localidades do Musseque, Kabele e Massul.
Quanto à energia eléctrica, a população tem de recorrer ao uso de pequenos geradores particulares, sendo que as instituições do Estado, como a própria administração comunal e o comando da Polícia Nacional, são abastecidos por um grupo gerador.
O responsável comunal revelou que a conclusão da reabilitação da barragem das Mabubas vai garantir, provavelmente, que a circunscrição beneficie de uma linha de alta tensão de corrente eléctrica.
A vila foi contemplada com um projecto de 50 postos de iluminação pública, através de energia solar, dos quais 40 já estão em funcionamento.Com uma extensão territorial de 732 quilómetros quadrados, a vila piscatória da Barra do Dande é composta por 24 bairros e tem uma população estimada em 25.570 habitantes.
Quanto à Educação, o administrador Abreu Leal disse que são necessárias mais de 60 salas para colmatar as necessidades que o sector ainda enfrenta neste momento.
Para este ano, 5.814 alunos estão matriculados da iniciação ao ensino médio, sendo que este último nível começou a funcionar em 2010, numa primeira fase, em salas de regime provisório. A comuna conta apenas com 23 escolas estatais, que perfazem um total de 96 salas, estando 114 professores a assegurar o seu funcionamento. Tem ainda uma escola privada, com seis salas.
Existe um programa comunal, que visa a construção de mais salas, a reabilitação e apetrechamento de todas as escolas em estado de degradação naquela parcela do município do Dande.
O sector da Saúde também precisa de algumas intervenções para melhorar os serviços. A comuna conta com 13 postos médicos, mas uma parte significativa deles necessita de reabilitação e apetrechamento.
 Além disso, segundo o administrador comunal, têm carências em recursos humanos e técnicos para melhor darem resposta às ocorrências. Nos últimos tempos, o sector do turismo tem assistido ao crescer de visitantes nacionais e estrangeiros pela vila do Dande, daí a necessidade de se reforçar a rede hoteleira, que conta actualmente com três hospedarias de pequeno porte.
A paradisíaca praia da Pambala é um dos principais pontos turísticos da vila, que aos poucos têm atraído vários turistas nacionais e estrangeiros.
A zona dos Libongos também é tida como um dos pontos mais atractivos, pois oferece boas condições para exploração turística, necessitando de potenciais investidores para o seu desenvolvimento.
A grande preocupação, neste momento, reside no facto de muitos banhistas que frequentam os locais turísticos terem um comportamento negativo, do ponto de vista da higiene e preservação das praias. Para evitar estas situações, criou-se uma comissão fiscalizadora das praias e outras turísticas para garantir maior segurança e melhor saneamento básico dos espaços de recreação. A administração controla 61 estabelecimentos comercias de características precárias, sendo 12 cantinas, duas lojas do tipo retalhista e grossista e igual número de minimercados, que abastecem produtos de primeira necessidade aos munícipes.

Pesca carece de apoios

Com apenas duas associações de pescadores e 80 associados, o sector das Pescas, na comuna da Barra do Dande, carece de apoios financeiros e meios para o seu desenvolvimento.
A falta de lanchas, chatas e de infra-estruturas condignas, além de outros instrumentos ligados à pesca, tem vindo a dificultar a vida das famílias que, na sua maioria, se dedicam à actividade pesqueira.
A par disso, os pescadores artesanais recebem da administração comunal apenas um apoio moral, porque a instituição não possui meios para resolver as suas necessidades.

Falta de escoamento

Quanto à agricultura, a população da Barra do Dande possui as melhores condições para a produção, mas a grande dificuldade reside na falta de escoamento dos produtos produzidos.
Abreu Leal disse que, no ano transacto, grande parte dos produtos produzidos, como a mandioca, feijão, batata-doce, banana, tomate e a batata rena, apodreceu por falta de comercialização.
A UNACA (União Nacional dos Camponeses de Angola) tem vindo a apoiar os agricultores associados com fertilizantes, sementes e instrumentos agrícolas, inseridos no Programa Nacional de Combate à Fome e à Pobreza.
 Na comunidade, existem sete associações e duas cooperativas agrícolas, onde estão associados cinco mil camponeses e agricultores.

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