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Terra Nova carece de apoios

Alfredo Ferreira e Edson Fontes |

A localidade da Terra Nova, comuna da Barra do Dande, que dista cerca de 28 quilómetros da cidade de Caxito, província do Bengo, é umas das regiões que dispõe de uma grande quantidade de solos aráveis para a prática da agricultura.

Camponeses querem transitar do sistema familiar para a produção em grande escala
Fotografia: Edmundo Eucílio | Bengo

Devido a esta característica, os habitantes daquela região, que é banhada pelo rio Lifone, desenvolvem a agricultura familiar como uma das principais actividades para o seu sustento.
Os camponeses pretendem transitar do sistema de agricultura familiar para a produção em grande escala, com a ampliação das áreas de cultivo, mas precisam de incentivo para aumentar os níveis de produção.
A reportagem do Jornal de Angola constatou no local que entre os produtos mais cultivados na região estão a mandioca, batata-doce, hortícolas, feijão e a banana, que são a base da dieta alimentar da população, para além de servirem para a comercialização.
O coordenador adjunto do bairro da Terra Nova, José Sebastião Gregório, não tem dúvidas: “Temos as condições necessárias para fazer uma agricultura mais alargada mas faltam apoios para concretizar esta transição como inputs agrícolas, sementes e crédito agrário”.
  
Água e energia

A localidade tem um sistema de tratamento de água, cujo funcionamento, iniciado há um ano, é suportado por um grupo gerador. Para garantir a distribuição de água potável, a administração beneficia do apoio da população que contribui com uma quantia monetária módica para a compra de combustível.
A energia é um bico-de-obra e as autoridades ainda não sabem quando é que este problema fica resolvido. O recurso a geradores é a solução encontrada pela população para minimizar a falta deste bem. A escola número 325, que alberga o I ciclo do ensino primário, é o único estabelecimento a funcionar na Terra Nova. No entanto, o estado avançado de degradação que apresenta preocupa tanto a direcção quanto a comissão de pais e encarregados de educação. Faltam portas, janelas e carteiras, e as telhas estão a ruir.
De acordo com o sub-director pedagógico, Domingos Maiza Pedro, outra preocupação resulta do facto de os moradores do bairro usarem as salas de aulas como latrinas. O recinto escolar não possui vedação nem segurança, daí ser invadido por populares. A direcção provincial de Educação do Bengo, disse, já está na posse de uma informação sobre as condições degradantes em que a escola número 325 se encontra, cuja estrutura remonta à era colonial.
Com 15 turmas, o funcionamento da escola é garantido por 26 professores, alguns dos quais fazem um percurso de cinco quilómetros por dia para leccionar os cerca de 50 alunos da primeira à quarta classe, numa altura em que um grande número de crianças da localidade está fora do sistema de ensino.

À espera de ambulância

Quanto à Saúde, um centro médico garante a assistência dos cerca de cinco mil habitantes. A enfermeira Antonica Graciano disse que não há problemas em relação aos medicamentos, que são  fornecidos pela direcção provincial de Saúde,  que permitem o atendimento normal das pessoas que acorrem àquela unidade sanitária. O  paludismo, as doenças diarreicas agudas e respiratórias são as patologias frequentes.
A unidade hospitalar da Terra Nova, com capacidade de internamento para cinco doentes, conta com quatro técnicos básicos de saúde e dois enfermeiros. “Precisamos de uma ambulância para a transferência dos doentes com patologias graves, tendo em conta a distância que separa esta localidade da cidade de Caxito”, salientou Antonica Graciano.

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