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Terra rica em minérios vive do carvão e do maruvo

Fula Martins| Libongos

A região dos Libongos é produtora de alimentos desde tempos idos e com o regresso da paz quer recuperar os níveis produtivos e contribuir para a redução da fome na província do Bengo.

A região dos Libongos é rica em asfalto, gesso e inertes
Fotografia: Jornal de Angola

A região dos Libongos é produtora de alimentos desde tempos idos e com o regresso da paz quer recuperar os níveis produtivos e contribuir para a redução da fome na província do Bengo. A região dos Libongos está situada entre a comuna de Kicabo, a cidade de Caxito, a comuna do Tábi e o rio Onzo. Sem apoios, os camponeses devastam as florestas para fazer carvão e “sangram” as palmeiras para produzir maruvo.
O coordenador do bairro Terra Nova, o maior da comuna, Pedro Gregório, disse ao Jornal de Angola que apesar das dificuldades, as aulas nas escolas têm decorrido dentro da normalidade e elogiou a atitude dos encarregados de educação que têm contribuído para o bom funcionamento do sector.
Pedro Gregório aproveitou para pedir à Direcção Provincial de Educação para arrancar com o programa de merenda escolar na região para ajudar a reduzir os índices de desistência e absentismo dos alunos.
Pedro Gregório disse que os estudantes dos Libongos precisam de um novo complexo escolar do segundo ciclo e um Instituto Politécnico para os alunos que terminam a 9ªclasse.
 “A comuna dos Libongos necessita de mais salas de aulas e professores”, disse Pedro Gregório. Este ano lectivo, foram matriculados 1.482 alunos no sistema normal de ensino, que vai da Iniciação à 4ª classe e com 48 professores. Os Libongos têm dez aldeias, mas apenas cincos com escolas.
Os centros  médicos da Terra Nova, Mbaú, Fazenda Lifune e Cerâmica não têm capacidade para internar doentes, porque têm apenas uma cama para pacientes em estado muito crítico.
Pedro Gregório disse que os Libongos precisam de  mais enfermeiros e centros de saúde equipadas com laboratórios de análises  clínicas e que possam garantir o internamento de doentes. Os partos são realizados com o apoio de parteiras tradicionais. Lamentou a falta de medicamentos essenciais no centro e postos de saúde.

Estrada e nova ponte encurtam  distâncias

A construção da nova ponte sobre Rio Dande e da estrada que liga a Barra do Dande à região dos Libongos, com 20 quilómetros, veio encurtar distâncias no percurso que liga Luanda aos Libongos num percurso de 40 quilómetros.
Antes da construção da estrada, para chegar aos Libongos, os automobilistas eram obrigados a escalar Caxito. Agora a ligação é directa a partir da Barra do Dande.
Os camponeses da região dos Libongos necessitam de agências bancárias para impulsionar o desenvolvimento económico da região, afirmou o coordenador do bairro Terra Nova, Pedro Gregório, que defendeu a necessidade de fomentar o crédito aos jovens, mulheres e produtores locais, para que possam desenvolver os seus negócios, no sentido de se massificar o comércio rural.
Convidou os investidores a desenvolver os seus projectos nos Libongos, para gerarem mais postos de trabalho.
A abertura de agências bancárias na região vai permitir aos agricultores o acesso ao crédito e facilitar o pagamento dos salários dos funcionários. Hoje  têm de recorrer aos bancos na cidade do Caxito.

Carvão e maruvo meios de sustento

A população recorre ao abate indiscriminado de árvores para o fabrico de carvão. Os palmares também estão a ser devastados porque as palmeiras são “sangradas” para a produção de maruvo. Muitas famílias camponesas têm nestas actividades a sua actividade de subssistência, porque há poucos apoios à agricultura.
Tomás Manuel Pedro, carvoeiro de profissão, disse à reportagem do Jornal de Angola que com o abandono das fazendas agrícolas dos Libongos e da Fazenda Lifune, parte dos habitantes desta zona sobrevive do fabrico de carvão.
“Com os campos improdutivos e sem incentivos para a sua revitalização, nem empregos para a população a única saída é o abate de árvores para fabrico de carvão”, disse.
Tomás Manuel Pedro disse que a par da agricultura de subsistência o fabrico de carvão é a actividade diária dos povos da região.
“Eu levanto-me às cinco da manha e só regresso a casa por volta das 19 horas vindo da minha actividade diária que é fabricar carvão”, disse. Tomás Manuel Pedro revelou que a população “está a sofrer muito” porque “aqui falta de tudo um pouco, emprego, comida, roupa, medicamentos”
Por falta de emprego e locais de ocupação dos tempos livres, parte da juventude dos Libongos faz uso excessivo de bebidas alcoólicas.  

Água Para Todos

A população dos Libongos, oito mil habitantes, continua a consumir água imprópria para consumo, retirada do Rio Lifune sem qualquer tratamento. As autoridades tradicionais querem nas aldeias sistemas de captação de água.
“Com a implantação de um sistema de captação e distribuição vai diminuir o sofrimento das populações que têm que percorrer longas distâncias à busca do precioso líquido”, disse o soba Simeão
Tendo em conta o agravamento do nível de delinquência na região, os sobas dos Libongos reclamam mais agentes da polícia, do Serviços de Migração e Estrangeiros porque a costa da região é ponto de entrada de emigração ilegal.

Exploração de inertes

A região é rica em asfalto, gesso e inertes. As empresas que exploram os inertes na região nada fazem para ajudar as populações a sair da pobreza. António Simão João Manuel, presidente da Comissão Instaladora da Associação dos Naturais e Amigos dos Libongos (Ana-Libongos) disse ao Jornal de Angola que a região é muito rica em recursos minerais e as empresas que exploram estes recursos deviam pensar fazer algo em beneficio das populações.
Acrescentou que a população dos Libongos carece de quase tudo: “precisa de um hospital, escolas, energia eléctrica e água potável e instrumentos agrícolas. As empresas que exploram os inertes deviam ajudar as populações a satisfazer estas necessidades”.
António Simão João Manuel pede ao Governo Provincial para pressionar as empresas que exploraram os minérios dos Libongos para colaborarem: “estes empresários devem ser um pouco mais humanos com a população”, disse.
A irregularidade das chuvas desde o último trimestre de 2008 provocou sérios danos às culturas na região dos Libongos comprometendo a presente campanha agrícola.
Falando ao Jornal de Angola, o soba Simeão disse que as chuvas causaram danos à população.
Os habitantes da região dos Libongos desejam ver instalados os sinais de telefonia móvel porque vai permitir que a população possa comunicar de maneira célere sem ter que se deslocar a outras localidades.

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