Províncias

Turismo e agricultura desenvolvem a região

Pedro Bica |Barra do Dande

Uma aposta séria nas variedades turísticas e no potencial agrícola que a comuna piscatória da Barra do Dande possui pode ajudar ao seu desenvolvimento socioeconómico.

Administrador municipal da Barra do Dande
Fotografia: Edmundo Eucilio |Barra do Dande

Uma aposta séria nas variedades turísticas e no potencial agrícola que a comuna piscatória da Barra do Dande possui pode ajudar ao seu desenvolvimento socioeconómico.
Com um litoral deslumbrante, com cerca de 30 quilómetros de costa marítima, onde abunda grande diversidade de peixe, os dois grandes rios e quatro lagoas, que dão muito cacusso, podem contribuir para a irrigação dos campos agrícolas da região.
Após a reabilitação do seu principal troço rodoviário e inauguração da ponte sobre o rio Dande, destruída durante a luta pela Independência Nacional, aos poucos a Barra do Dande está a marcar passos rumo ao desenvolvimento.
Em declarações ao Jornal de Angola, o administrador comunal Abreu Leal afirmou que a ligação por estrada trouxe grande movimentação rodoviária, bem como oportunidades de negócio entre a comuna e as localidades circunvizinhas.
Diariamente, muitas pessoas circulam no troço Luanda/Barra do Dande, em direcção ao município do Ambriz. O mesmo percurso dá acesso à província do Zaire.
Hoje, a vila tornou-se num ponto importante de travessia de bens e serviços essenciais básicos às populações locais, bem como das localidades que fazem fronteira com a região piscatória.

Escoamento de produtos

Quanto à Agricultura, a população da Barra do Dande possui as melhores condições para a produção, mas a grande dificuldade reside na falta de escoamento dos produtos.
Abreu Leal assegurou que, no ano transacto, grande parte dos produtos produzidos, como a mandioca, feijão, batata-doce, banana, tomate e a batata rena se deterioraram por falta de comercialização.
A UNACA (União Nacional dos Camponeses de Angola) tem vindo a apoiar os agricultores associados, com fertilizantes, sementes e instrumentos agrícolas, no quadro do Programa Nacional de Combate à Fome e à Pobreza.
Na comunidade existem sete associações e duas cooperativas agrícolas, onde estão associados cinco mil camponeses e agricultores. As mulheres representam um número maior. Para melhorar a actividade, o responsável adiantou que a presença de bancos comerciais e a variedade dos produtos cultivados podem determinar o desenvolvimento da região.

Sector da Educação sem grandes problemas

Sobre o sector da Educação, o responsável comunal da Barra do Dande revelou que a circunscrição está relativamente bem, já que lecciona até à décima classe.
Para evitar a fuga maciça de quadros locais, sobretudo jovens, as autoridades comunais perspectivam a urgente necessidade de se instalar infra-estruturas para albergar o ensino médio, ainda no próximo ano lectivo.
Revelou que grande parte dos professores que trabalha na comuna reside em Caxito e na província de Luanda, o que tem dificultado a sua presença, devido aos custos de deslocação e acomodação. A localidade, com uma extensão territorial de 12 quilómetros quadrados, conta neste momento com 23 escolas.

Saúde no bom caminho

Relativamente ao sector sanitário, o administrador Abreu Leal afirmou que está em construção na zona um hospital de referência, com capacidade para internar 70 pacientes.
O responsável comunal disse que a unidade hospitalar é moderna e vai prestar serviços de parto, pediatria, oncologia, estomatologia, cirurgia, ortopedia e ginecologia. O hospital de referência vai ter ainda uma área administrativa, dois blocos operatórios devidamente equipados, banco de urgência, farmácia, sala de raios-X, refeitório, morgue e lavandaria.
Actualmente, a rede hospitalar é constituída por 13 postos de saúde. A assistência à população é assegurada por 43 enfermeiros.

Energia em falta

A energia eléctrica constitui para a comunidade da zona piscatória da Barra do Dande uma das grandes preocupações de  momento, devido à actividade pesqueira e dos projectos em perspectiva.
O responsável revelou que, com a extensão dos serviços do Porto de Luanda na vila, a energia eléctrica vai impulsionar os pequenos e grandes investimentos no sector turístico, pesqueiro, agrícola e demais.
O responsável comunal fez saber que está em curso a colocação de postos eléctricos de alta tensão, no troço rodoviário Caxito/Barra do Dande ao município do Ambriz.
Abreu Leal revelou que tão logo esteja concluída a reabilitação da barragem das Mabubas, a questão da energia eléctrica vai ser resolvida. O responsável adiantou que existe igualmente um projecto do Executivo, que prevê a construção de uma central hidroeléctrica na zona do Musseque Kicoca, com uma área de 200 metros quadrados.

Turismo e pesca

Na Barra do Dande, apesar de existirem condições para a actividade pesqueira e do turismo, os pequenos pescadores e empresários exercem a actividade de subsistência, sem grande impacto na vida das populações. A maior parte do pescado é vendida às vendedoras provenientes de Caxito e Luanda.
Com sete cooperativas, três associações de pescadores e 80 associados, o sector das Pescas na comuna carece de apoios financeiros e meios para o seu desenvolvimento.
A falta de lanchas, chatas e de infra-estruturas condignas, além de outros instrumentos ligados à pesca, tem vindo a dificultar a vida das famílias que, na sua maioria, se dedicam à actividade pesqueira.
O administrador solicitou a colaboração dos empreendedores, no sentido de investirem na localidade, pois a região ainda é bastante virgem e rica em espaços para a actividade turística.
Para os apreciadores de espaços turísticos, a comuna da Barra do Dande é fértil em paisagens naturais, devido ao cruzamento do rio Dande com a zona costeira do Oceano Atlântico.
“Quem quiser apostar nesta região, deve apenas cumprir os requisitos administrativos, bem como apresentar um projecto e capacidade financeira para investir”, disse Abreu Leal. A região é parte do grande mosaico turístico e paradisíaco da província do Bengo, que carece de investimentos para um aproveitamento em termos de receitas para os cofres do Estado. A circunscrição enfrenta ainda algumas dificuldades relacionadas com o fornecimento de energia eléctrica e distribuição de água potável.

Tempo

Multimédia