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Zona da ex-açucareira tem nova imagem

Pedro Bica| Caxito

A região da ex-açucareira Heróis do Caxito, que em tempos idos albergava a fábrica de açúcar, no município do Dande, no Bengo, tem vindo a alterar a sua imagem nos últimos tempos.

Várias infra-estruturas de impacto social estão a ser construídas na região e as ruas e residências estão a ser restauradas
Fotografia: Santos Pedro

A região da ex-açucareira Heróis do Caxito, que em tempos idos albergava a fábrica de açúcar, no município do Dande, no Bengo, tem vindo a alterar a sua imagem nos últimos tempos.
Grande parte das ruas passou a dispor de um novo tapete de asfalto, as residências estão pintadas, constroem-se mais edifícios destinados a equipamentos sócio-culturais, como escolas, biblioteca, sítios de lazer e monumentos históricos. O grande bilhete-postal da zona é, sem dúvida, o jardim que se encontra logo à entrada da zona, chamando a atenção de qualquer visitante nacional ou estrangeiro. Em tempos idos, além da indústria açucareira, produzia-se óleo de palma e sabão, ao mesmo tempo que existia uma oficina geral que servia as fábricas e uma loja que atendia os trabalhadores.
Para melhor produtividade, funcionamento e pontualidade no serviço, a administração colonial resolveu criar acampamentos que albergavam os cerca de cinco mil trabalhadores, distribuídos por três turnos.
De acordo com João de Gouveia Pinto, de 56 anos, ex-funcionário da área de produção do açúcar, os produtos locais eram comercializados em Angola e exportados para Portugal e Holanda em pequenas embarcações, que atracavam na comuna da Barra do Dande.
O ancião recorda, com alguma tristeza, que muitos angolanos sofreram e perderam a vida na açucareira por se terem revoltado contra os maus-tratos praticados pela administração colonial.
Passados 50 anos desde o início da Luta Armada de Libertação Nacional, João de Gouveia Pinto sustenta que a nova imagem que a zona está a ganhar significa o desejo de liberdade dos angolanos.
Durante os quatro anos em que trabalhou na secção de produção e ensaque da açucareira, conseguiu juntar um salário que lhe permitiu realizar o seu alembamento. Actualmente, o espaço em que funcionava a referida antiga indústria açucareira está em escombros, embora aos poucos vá sendo aproveitada para serviços sociais básicos destinados à população.
A construção de pequenos bairros sociais, com casas de funções, é um exemplo desse aproveitamento que o governo da província do Bengo tem vindo a fazer na região.
Os outros grandes empreendimentos, de que a zona da ex-açucareira passou a dispor no passado dia 4 de Fevereiro, são o memorial da luta de resistência contra a repressão colonial e o Museu da Tentativa. O Instituto Médio de Saúde e o Instituto Superior Pedagógico, este último afecto à Universidade Agostinho Neto, que garantem formação técnica e académica, são outros ganhos a realçar.
Na zona, constatou o Jornal de Angola, existem ainda o primeiro campo relvado da província, um projecto de irrigação de auxílio à agricultura e o Instituto Politécnico Eiffel, que forma técnicos nas áreas de química, matemática, física e informática.

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