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Actividade agrícola é feita com maior segurança

António Gonçalves | Benguela

A actividade agrícola da população que vive à margem do rio Cavaco, na província de Benguela, vai ser desenvolvida com maior segurança, a partir deste ano, depois das acções de melhoria das comportas do dique de retenção das águas da barragem do Dungo.

Acções em curso nas margens do rio Cavaco visam fazer com que os camponeses possam aumentar a produção com segurança
Fotografia: Domiano Fernandes

O administrador municipal de Cubal, Alberto Guardado, salientou ontem que, com as obras de reabilitação do dique de retenção das águas da barragem do Dungo, no rio Cubal da Hanha, que visou manter o nível freático no vale de Cavaco, há condições para o exercício da actividade dos agricultores e maior segurança para os moradores das margens do referido rio.
Os trabalhos de reabilitação, executados em 15 dias, basearam-se na reciclagem das partes do dique, que sofreram roturas devido ao embate de troncos de árvores arrastados pela força das águas durante as últimas chuvas.
Com este trabalho, o administrador referiu que as comportas do dique de retenção das águas da barragem do Dungo foram abertas ontem, para permitir que o rio Cavaco possa receber água e, com isso, aumentar o seu nível freático.
Tendo em atenção o grau de perigosidade que representa a abertura das comportas da albufeira, numa altura em que se aproximam as chuvas, Alberto Guardado explicou que as comportas vão ser abertas de forma parcial.“A ideia é fazer com que apenas se mantenha o nível freático desejado para o rio Cavaco, evitando, desta forma, possíveis inundações ao longo do percurso do rio”, explicou o administrador municipal do Cubal.
O responsável falava no termo de uma visita do governador de Benguela, Isaac dos Anjos, àquela localidade, situada a 180 quilómetros da cidade, para verificar o andamento dos trabalhos de reabilitação das infra-estruturas que compõem a barragem do Dungo, que sofreram roturas durante as últimas chuvas.
Alberto Guardado explicou que as obras de reabilitação do dique de retenção das águas da barragem do Dungo foram efectuadas pelo facto de as últimas chuvas terem danificado partes deste, daí a necessidade de efectuar-se uma intervenção paliativa, no sentido de garantir que, neste período, a infra-estrutura funcione sem sobressaltos.
Na base dessas roturas, disse que reside o facto de aquela infra-estrutura ter sido construída com cal hidráulico natural e pedras. Por isso, foi preciso reforçá-la com uma estrutura de malhassol e betão armado, com vista a impedir a penetração da água e permitir que ela resista ao impacto dos troncos e de outros objectos arrastados pela força das águas ao longo do percurso do rio.
O director provincial das Obras Públicas, engenheiro António Rego, referiu que, por uma questão de segurança, a próxima empreitada vai ser a de efectuar um trabalho definitivo de protecção do dique de retenção das águas. Para isso, avançou que vai ser reforçado o dique com uma outra parede do lado oposto, cujo orçamento está a ser preparado, para juntar-se ao anterior, avaliada em mais de dois milhões de kwanzas.

Correcção dos solos


O agrónomo salientou que, com a diminuição do lençol freático, vai ser necessário fazer-se uma correcção dos solos, uma vez que a diminuição do lençol origina o problema da salinidade da terra, que afecta particularmente as hortícolas. Fernando Assis explicou esta particularidade para justificar a participação de agricultoras na delegação que se deslocou ao Cubal. Entre estes está o agricultor Gil Oliveira, do Vale do Cavaco, que afirmou que, após o término das últimas chuvas, deixou de haver água no rio.
“Não havendo o suporte da barragem do Dungo para o Cavaco, o nível freático vai baixando e começamos a ter dificuldades na captação da água”, exemplificou o agricultor. Acrescentou que a reabilitação do dique de retenção das águas da barragem vai permitir que a água flua no rio, o que faz com que o nível freático aumente e, desta forma, se obtenha água suficiente para a irrigação dos campos agrícolas. Erguida em princípios da década de 80 e concebida para servir de reserva hidrográfica do vale do Cavaco, a barragem do Dungo serve igualmente de reservatório de reforço do rio Cubal da Hanha.

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