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“Arrastões” na Baía Farta ameaçam espécies do mar

Maximiano Filipe | Benguela

O presidente da Associação de Pescadores Artesanais do município da Baía Farta, Domingos Correia, defende mais e melhor fiscalização das embarcações de pesca para a preservação da espécie marinha.

O carapau é das espécies mais ameaçadas pela pesca do arrasto
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, o responsável sublinhou que assiste-se com frequência, na Baía Farta e a sul da zona costeira, a circulação de embarcações de grande porte que fazem arrastões de carapau, práticas que têm danificado os viveiros de reprodução de diversas espécies de peixe.
Explicou também que muitas das embarcações são de origem estrangeira, sobretudo chinesas, que possuem equipamentos de ponta, e fazem grandes arrastões em águas profundas, de todo o tipo de pescado, desde o peixe normal até o peixe miúdo em fase de crescimento, uma situação que preocupa a associação de pescadores.
O administrador municipal, José Ferreira, explicou que decorrem acções que visam a preservação das áreas consideradas possíveis fontes de reprodução do pescado, sobretudo a desova, bem como combater a pesca ilícita. No âmbito da estratégia de dinamizar o turismo na região e captar receitas financeiras a favor do Estado, o administrador fez saber que decorre também o recadastramento das praias a nível do município e a sua catalogação.
 Avançou que este trabalho já atingiu cerca de 35 por cento, sendo as praias do Chamume, Equimina, Baía dos Elefantes e a área da Calohanga, entre outras localidades, a beneficiar de uma atenção especial em termos de asseguramento e tratamento, de modo a que os seus recursos sejam melhor aproveitados.
O administrador salientou também que a primeira parte do trabalho desenvolvido pelos técnicos da administração local serviu para efectuar um estudo das praias existentes, identificação, sinalização, registo e valor turístico, para constar na base de dados da Administração local. Por outro lado, lamentou o facto de muitas áreas turísticas do município serem invadidas por construções de residências e empreendimentos de grande vulto, facto que tem vindo a descaracterizar a beleza real das respectivas áreas.
O responsável avançou também que os locais turísticos que foram alvo de construções de residências deixarem de oferecer um ambiente natural aos cidadãos que esperam encontrar um clima turístico favorável para lazer e outros tipos de atractivos.
De igual modo, fez saber que está em curso um programa de distribuição de terrenos em zonas urbanizadas para a população, no sentido de se evitar a ocupação ilegal, a venda e a construção de casas em zonas de risco, e garantir a preservação dos espaços turísticos.
Consta também da agenda da administração da Baía Farta a construção de uma marginal, que, do ponto de vista histórico, vai dignificar o potencial económico e turístico existente localmente, assim como dar outra imagem à região.
A Associação de Pescadores Artesanais do município da Baía Farta existe há mais de cinco anos e conta com mais de 250 associados, entre pescadores, armadores e escaladores do pescado.

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