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Aumento do número de mortos

Jaime Azulay| Benguela

O governador de Benguela, Isaac Maria dos Anjos, anunciou ontem, durante uma reunião com os seus colaboradores, que em menos de um mês 85 pessoas morreram em consequência das fortes chuvas registadas na província.

Famílias vítimas das inundações estão a ser apoiadas pelas autoridades locais com meios para a reconstrução de uma nova vida
Fotografia: Jaime Azulay| Benguela

O Governo Provincial reuniu extraordinariamente para analisar as consequências da precipitação pluviométrica que alterou de forma significativa a vida das populações. Isaac dos Anjos apresentou condolências às famílias de todos os que perderam a vida.
O número de mortes causadas pelas cheias de quinta-feira na cidade de Benguela subiu para 12, enquanto sete pessoas continuam desaparecidas, segundo o último balanço divulgado ontem pelo administrador municipal, Leopoldo Muhongo.
Estão contabilizadas 183 famílias desabrigadas. “Neste momento a nossa maior preocupação é assegurar a vida das pessoas que se encontram na condição de desalojadas das suas residências, localizadas nas zonas onde ainda há perigo no caso das precipitações pluviométricas prosseguirem com intensidade”, referiu.
De acordo com o administrador, as operações de resgate pelos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros prosseguem nas zonas sinistradas. Está igualmente em curso uma campanha de assistência em bens alimentares e vestuário para as famílias desabrigadas, que se encontram concentradas em alguns pontos da cidade.
“Contamos com o apoio solidário da sociedade civil do nosso município que está a responder de forma positiva, o que está a facilitar o nosso trabalho”, acrescentou o administrador Leopoldo Muhongo.
O Jornal de Angola apurou que prosseguem os trabalhos de reparação do dique do rio Lengue, que na quinta-feira desabou e provocou inundações em vários bairros e parte da cidade de Benguela.
A propósito, o governador Isaac dos Anjos revelou, durante a reunião do Governo Provincial, que os diques construídos no curso do rio Cavaco “carecem de correcções técnicas urgentes”, para prevenir situações como as que ocorreram.
Isaac dos Anjos acrescentou que a empreitada de desassoreamento do rio e construção dos diques foi executada pela empresa brasileira Odebrecht e “nunca foram dadas por concluídas e nem entregues ao Governo Provincial”, pelo que foi solicitada a intervenção do Ministério correspondente.
De acordo com o governador, as obras realizadas no Cavaco não contemplaram a existência de “bocas de respiração” para que, em caso de forte precipitação, a água seja canalizada para o leito do rio e não se espalhe para as zonas agrícolas e residenciais.  Os receios de que o dique volte a ceder são uma realidade, porque continuam a registar-se fortes chuvas nas regiões a montante, nomeadamente no município de Caimbambo, 130 quilómetros a sudeste de Benguela, onde também se contabilizam prejuízos materiais de vulto na infra-estrutura local, nomeadamente a passadeira de acesso à estação ferroviária da localidade, anunciou um correspondente da Rádio Nacional.
A cintura verde do Vale do Cavaco ficou totalmente inundada e mais de 200 hectares de culturas ficaram sem aproveitamento, revelou durante a reunião do Governo o director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Fernando Assis.
“Moto-bombas e electrobombas encontram-se debaixo de água e o equipamento de rega foi arrastado para a estrada”, disse Fernando Assis, que garantiu apoio do Governo aos agricultores sinistrados a fim de garantir a retoma da produção e “evitar uma crise alimentar”.
A actividade agrícola na província está praticamente paralisada em todas as fazendas do perímetro do vale.
“Os prejuízos estão a ser contabilizados, mas podemos dizer que são elevados”, disse o presidente da Cooperativa Agro-Pecuária de Benguela, Manuel Monteiro.
As previsões do Inamet indicam que fortes precipitações pluviométricas vão continuar a ocorrer na região. Segundo António Francisco, do Inamet, “o facto de estarmos no final da época chuvosa significa que é altura de caírem fortes cargas”.

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