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Baía Farta tem novas indústrias na área das pescas

Sampaio Júnior |Benguela

Uma nova fábrica com capacidade para produzir uma tonelada por hora de farinha de peixe está a funcionar em regime experimental no município da Baía Farta.

Responsáveis provinciais foram à Baía Farta auscultar as preocupações dos armadores
Fotografia: Sampaio Júnior|Benguela

Uma nova fábrica com capacidade para produzir uma tonelada por hora de farinha de peixe está a funcionar em regime experimental no município da Baía Farta. O empreendimento, da empresa Pesca Fresca, avaliado em mais de cinco milhões de dólares, criou 15 postos de trabalho directos e deve dar empregos  indirectos a  pelo menos mais  50 pessoas.
 A unidade fabril foi construída em dez meses e é fruto de uma parceria entre empresários angolanos, com 51 por cento das acções, e homólogos namibianos e sul-africanos, que detêm os outros 49 por cento. Além da produção de farinha de peixe, que serve para ração animal e fertilizantes na agricultura, a fábrica vai produzir óleo de peixe,  destinado à indústria farmacêutica.
De acordo com Carlos Martinó, director provincial da Agricultura e Pescas, a fábrica vai contribuir para melhorar as condições sanitárias na Baía Farta, porque as vísceras do pescado eram abandonadas nas praias pelos pescadores e vendedores. “Agora há um sistema que vai dar tratamento adequado às vísceres do peixe e ao mesmo tempo levar ao mercado produtos que até agora não existiam”, disse Carlos Martinó.
O director das Pescas de Benguela informou que o sector assiste a grandes progressos no domínio da congelação do pescado e seus derivados, com a instalação de novos sistemas de congelação na província e que se encontram todos operacionais.
“Esta acção é o resultado de um projecto do Executivo no âmbito do programa para a redução da pobreza e combate à fome, particularmente no meio rural, onde existe escassez de peixe”, disse.    

Fábrica de embarcações

De acordo com o director das Pescas, foi igualmente restaurado um estaleiro de construção de embarcações de pequeno porte, localizado na Caota. A construção naval proporcionou emprego a vários jovens e  já produz chatas de fibra, que têm sido distribuídas pelo país no âmbito do programa da pesca continental.
O director das Pescas de Benguela revelou que a província também recebeu chatas de fibra fabricadas na Caota, que foram distribuídas a pescadores do município da Ganda e do Cubal, dando resultados satisfatórios no programa de combate à pobreza no meio rural.
Carlos Martinó disse que no passado houve alguns problemas com a iodação do sal, mas com a intervenção do Executivo na subvenção da compra do iodeto de potássio, deixou de haver problemas: “os produtores têm iodo suficiente para refinação de sal e proporcionar a qualidade aos seus produtos conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde”, assegurou.
O responsável provincial das Pescas admitiu que com a proibição da pesca do carapau, para permitir a sua reprodução, o mercado sofreu uma quebra, mas os armadores para colmatar esta falta viraram-se para a pesca da sardinha, que embora venda menos vai minorando as dificuldades em termos de pescado no mercado.
Segundo estimativas da Direcção das Pescas, os armadores na  Baía Farta têm uma produção por trimestre de 19 mil toneladas de sardinha, o que na óptica de Carlos Martinó, “já é muito bom”, porque esta espécie de peixe é a que mais contribui para a dieta alimentar da maior parte população em Benguela e noutras regiões do país.

Protecção do carapau

A sardinha é um peixe de pequenas dimensões, atingindo entre 10 e 15 centímetros de comprimento, e caracteriza-se por possuir apenas uma barbatana dorsal sem espinhos, ausência de espinhos na barbatana anal, cauda bifurcada, boca sem dentes, maxilas curtas e com as escamas ventrais em forma de escudo. Formam frequentemente grandes cardumes e alimentam importantes pescarias. As sardinhas assadas são um prato tradicional na cozinha angolana.
A pesca do carapau continua proibida para a preservação da espécie. Pescadores artesanais contactados pela nossa reportagem garantiram que têm encontrado enormes cardumes de carapau ao longo da costa, o que significa que a proibição está a ter efeitos positivos na reprodução: “o mercado, finda a proibição, vai ter muito peixe para consumo interno e até para exportação”, afirmou o director das Pescas de Benguela.
Carlos Martinó assegurou que os arrastões deixaram de fustigar o nosso mar, desde que foram detidos e julgados pelo Tribunal da Baía Farta alguns armadores que pescavam sem autorização.Também acabaram os casos de pesca ilegal. A Direcção das Pescas deixou de receber queixas dos pescadores alegando destruição das redes de pesca artesanal feitas por barcos arrastões de grande porte: “as medidas tomadas pela fiscalização do sector, em cooperação com a Polícia Fiscal e a Marinha de Guerra Angolana, têm trazido bons resultados”, afirmou.
O director das Pescas de Benguela afirmou ainda que a estreita colaboração entre as direcções das Pescas e do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) permitiu a destruição de toneladas de sal não iodizado, que estavam para ser comercializadas às populações por comerciantes sem escrúpulos: “a acção foi abortada graças ao trabalho da fiscalização, que detectou a mercadoria imprópria para consumo, roubada das salinas e que estava pronta para ser vendida à população. Os comerciantes estão já a contas com a justiça”, declarou Carlos Martinó.

Novo mercado

A administradora Municipal da Baía Farta, Maria João, assegurou que os feirantes do município vão ter um novo mercado para venderem os produtos com melhores condições e para evitar lixo no centro da cidade.
O actual mercado está no centro da Baía Farta e contrasta com o programa de embelezamento que se pretende dar à cidade, que se situa na zona costeira num local propício ao turismo, outro importante sector económico, “daí que esta promiscuidade estava a tornar-se insuportável”, disse Maria João.
“Já escolhemos um local onde vai ser instalado o futuro mercado da Baía Farta, os feirantes foram notificados e aguardam apenas pelo dia em que a administração vai anunciar o encerramento do actual mercado e a sua deslocação para o novo espaço”, disse a administradora municipal.
Para Maria João, “a Baía Farta e o país não podem, nesta altura em que a preservação do ambiente é prioridade mundial, admitir que as vendas de produtos alimentares se façam à custa da saúde pública e de agressões ambientais. Temos de preservar o ambiente que nos rodeia”, disse.
A responsável admitiu  que haverá sempre alguma resistência durante a mudança para o novo mercado, sob as mais diversas alegações, mas as pessoas têm de mentalizar-se que o que está a ser feito é para presrvação da saúde delas e das comunidades. Acrescentou que não se justifica que se continue a comercializar no país em locais impróprios, colocando em risco a saúde pública.
“As pessoas nem sempre aceitam as  mudanças de ânimo leve, criam sempre alguma resistência, apontando razões de ordem económica, afectiva e outras, mas com o tempo acabam por aceitar e reconhecer que o passo dado foi o melhor”, disse.
No quadro do programa de melhorias das condições sociais das populações, o Executivo angolano tem levado a cabo em todo o paísa construção de vários empreendimentos económicos e sociais , incluindo mercados municipais e regionais.
Desde o arranque do programa, segundo fontes do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) já foram construídos mercados nos principais centros municipais e em todas as 18 sedes capitais de província. Na capital do país, Luanda, o mercado do Panguila, onde foram transferidos na semana passada os antigos feirantes do Roque Santeiro, é o maior construído até agora, com capacidade para acolher mais de 10 mil vendedores, em condições dignas.
Com um parque de estacionamente para dois mil carros, o mercado do Panguila está situado no município de Cacuaco.

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