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Barragem do Lumaum entra em reabilitação

Sampaio Junior| Benguela

A reabilitação da Barragem Hidroeléctrica do Lumaum, a maior unidade de produção de energia eléctrica na província de Benguela, começou, com a remoção, por uma empresa afecta ao Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), dos equipamentos destruídos pela guerra. 

Empresa afecta ao Gabinete de Reconstrução Nacional começou a remover os equipamentos destruídos durante o conflito armado
Fotografia: Sampaio Júnior

               
A reabilitação da Barragem Hidroeléctrica do Lumaum, a maior unidade de produção de energia eléctrica na província de Benguela, começou, com a remoção, por uma empresa afecta ao Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), dos equipamentos destruídos pela guerra. 
Estudos sobre a reabilitação referem que o empreendimento, que se prevê estar pronto em três anos, vai produzir 50 MW, que se juntam aos actuais 48 MW fornecidos pelas centrais térmicas da Kileva, 38 MW, e de Benguela, 10 MW.
Com a conclusão das obras de reabilitação, lembrou o director provincial da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), o nível de produção de energia eléctrica em Benguela aumenta, permitindo que se estenda aos municípios do interior, que estão fora do sistema e são abastecidos a partir de geradores a diesel.
Alcides Bravo da Rosa acrescentou que, quando a Barragem Hidroeléctrica do Lumaum entrar em funcionamento, grande parte das centrais térmicas que abastecem a cidade de Benguela e os arredores é posta fora de serviço, passando a funcionar apenas em situações de emergência.
 

Outra hidroeléctrica
 sobre o rio Kacongo

Bravo da Rosa disse, ao Jornal de Angola, que vai ser construída mais uma barragem hidroeléctrica sobre o rio Kacongo.
“Existem estudos para a  construção de outra central hidroeléctrica no perímetro onde está a ser reerguida a do Lumaum”, revelou, adiantando:
“Todos estes investimentos vão trazer grandes melhorias na produção de energia distribuída aos consumidores e revitalizar a economia na região”.  
O director provincial da ENE afirmou que dos 48 MW que são produzidos, estão disponíveis para consumo 45 MW, o que permite uma cobertura de 80 por cento de fornecimento aos municípios do Lobito, Benguela e Baía Farta.
A central térmica da Kileva, na cidade do Lobito, e a outra unidade térmica instalada na cidade de Benguela funcionam interligadas num único sistema de transporte e de distribuição.
Bravo da Rosa referiu, ao Jornal de Angola, que a “produção ainda não é a suficiente para cobrir os três municípios devido ao surgimento de novos aglomerados populacionais”.   
As centrais térmicas do Lobito e do Biópio, que se encontram fora de serviço, disse, “aguardam por obras de reabilitação, que podem começar muito em breve”.    
Em Benguela, frisou, o “Governo tem feito avultados investimentos no sector para diminuir as restrições na distribuição de corrente eléctrica aos consumidores do litoral”, estando, por isso, a ser montadas mais quatro turbinas, com capacidade de produção de 15 MW cada uma, que devem entrar em funcionamento ainda este ano.

Energia a partir de Capanda

O director provincial da ENE anunciou que a Barragem Hidroeléctrica de Capanda vai, também, contribuir para o reforço da capacidade e melhoria da distribuição de corrente eléctrica à província de Benguela.
Bravo da Rosa lembrou que “está em execução o projecto de construção da linha de alta tensão em 220 KV que vai partir da Gabela, no Kwanza-Sul, e interligar a Central da Kileva, na cidade do Lobito”.
“O troço indicado para a colocação dos postes já foi completamente desminado pelas Forças Armadas”, disse.
Parte do equipamento para a montagem dos postes e linhas de transporte já se encontra na Direcção Provincial da ENE, aguardando apenas que a administração municipal do Lobito, que se prontificou a colaborar, ceda o local para o estaleiro.
No âmbito do programa de melhoria do fornecimento de energia eléctrica a Benguela, 50 quilómetros de rede de baixa tensão vão ser reabilitados para substituir o actual sistema, instalado há mais de 40 anos e que já não suporta as cargas.
O grande crescimento dos níveis de consumo registados nos últimos anos, salientou o director provincial da ENE, fez com que o Governo aprovasse um projecto para reabilitar mais de  50 quilómetros de rede de baixa tensão nas cidades do Lobito e de Benguela e nas vilas da Baía Farta e da Catumbela.                 

Iluminação pública

A Empresa Nacional de Electricidade iluminou grande parte das artérias das periferias das cidades de Benguela e do Lobito e das vilas da Baía Farta e da Catumbela, o que contribui para a diminuição da criminalidade nos bairros, agora mais facilmente patrulhados pela Polícia Nacional.
Marta Ngueve, moradora no bairro do Curral, na Vila da Catumbela, disse, ao Jornal de Angola, estar “bastante satisfeita com a luz nas ruas”: “Agora os nossos filhos vão e vêm da escola, à noite, sem grandes sobressaltos, as crianças podem brincar depois do pôr-do-sol, os pais não tem grandes motivos de preocupação”.
 “Antes, depois das 18 horas, os nossos filhos não podiam brincar nem mais um pouco, corriam muitos riscos”, lembra.
António Costa, morador no Kioche, disse que a “zona e o bairro vizinho da Massangarala vivem um dos melhores momentos dos últimos anos devido à iluminação pública, que permite que se circule à-vontade”.
O administrador municipal do Lobito, Amaro Ricardo, naturalmente, também está satisfeito com o aumento da produção de energia eléctrica distribuída aos consumidores de baixa e média tensão.
Os grandes investimentos que o município do Lobito regista no sector eléctrico, sublinhou, vão ter efeitos positivos no desenvolvimento económico e social do município.
 Benguela é, depois de Luanda, o maior parque industrial do país. Amaro Ricardo tem a certeza que as “políticas traçadas, pelo Governo, para a região vão permitir a concretização de um ambicioso programa, que contempla a instalação de infra-estruturas económicas de referência, como é o caso da refinaria do Lobito, que deve estar concluída em 2012, e o porto mineiro”.

Lobito cresce a Norte e a Sul

“O Lobito está a ganhar infra-estruturas económicas, com a construção de novas fábricas de pequeno, médio e grande porte, e o sector da energia deve acompanhar esse crescimento para contribuir na produção de bens alimentares e de outros produtos manufacturados”, afirmou.   Amaro Ricardo disse ao Jornal de Angola que se multiplicaram os pedidos de parcelas de terras, a norte do Lobito, para a montagem de pequenas, médias e grandes empresas e construção de condomínios habitacionais.
O administrador do Lobito afirmou que no “centro da cidade e na periferia já não existem espaços para cedência”, pelo que a cidade vai crescer para norte e sul. 
“Os terrenos onde se cultivava a cana-de-açúcar, agora Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela, chegaram ao limite das capacidades. Tivemos de escolher a zona norte do Lobito, na via que liga ao Biópio, através da Estrada Nacional, para parque industrial”, referiu.
No local, frisou, há a barragem hidroeléctrica e a central térmica do Biópio e nas redondezas, os rios Balombo e Catumbela, “recursos indispensáveis para o desenvolvimento dos enormes desafios públicos e privados”.
Na Hanha do Norte estão a ser construídas, além da Refinaria do Lobito, duas fábricas de cimento e o porto mineiro.
 A Sécil Lobito e a Angola Palanca são as produtoras de cimento.
“O Lobito tem o privilégio de ter no subsolo e, em abundância, o clinker, uma das matérias-primas para a fabricação do cimento”, referiu, adiantando que “milhares de postos de trabalho vão ser criados na região” e outras tantas famílias “sairão da pobreza”.
 
Crescimento turístico

 Amaro Ricardo revelou que a Restinga “já não aguenta mais construções”, pelo que a “saída encontrada pelas autoridades para o desenvolvimento de projectos turísticos e habitacionais” é o bairro da Kabaia.. 
“No local vão ser erguidos novos hotéis, escritórios, prédios e casas de habitação. É uma área projectada, tendo em atenção o turismo”, disse, lembrando:
“Isso vai descongestionar a ponta da Restinga e criar uma nova área nobre na cidade do Lobito, ribeirinha ao mar”.

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