Províncias

Benguela aumenta índices de produção de sal

Sampaio Júnior| Benguela

As salinas Calombolo vão aumentar a área de produção para uma superfície estimada em dois mil hectares, no quadro da estratégia do grupo empresarial Adérito Areias de colocar no mercado mais produtos nacionais.

A administradora de Calombolo Tânia Areias (à esquerda) e Veríssimo Sapalo (ao centro) durante uma visita à localidade de Chamume
Fotografia: Sampaio Júnior

As salinas Calombolo vão aumentar a área de produção para uma superfície estimada em dois mil hectares, no quadro da estratégia do grupo empresarial Adérito Areias de colocar no mercado mais produtos nacionais. O grupo possui na região da Baía Farta quatro unidades de produção de sal, nomeadamente Calombolo I, II e III e Zeca Monteiro que, no conjunto, produzem 250 mil toneladas de sal por ano.
De acordo com a administradora da empresa Calombolo, Tânia Areias, o aumento da produção de sal visa colmatar a procura que o produto tem vindo a registar nos últimos tempos no mercado. "Houve uma procura exponencial, recebemos muitas encomendas para fornecimento", revelou.
Esta reacção do mercado, prosseguiu, estimulou o grupo a forjar novas acções, que passam pelo aumento das actuais 250 mil toneladas, para uma produção de 400 mil, em 2012.
"A região da Baía Farta possui solos com muita água e clima favorável à produção de sal, razão pela qual foi determinada pelas autoridades uma zona de expansão para a instalação de novas infra-estruturas salineiras, sendo a povoação do Chamume, que fica a 17 quilómetros da sede municipal da Baía Farta, a área identificada para expandirmos as nossas acções", explicou.
Tânia Areias assegurou que na Baía Farta existe uma extensa área fértil para os produtores empreendedores se aplicarem neste tipo de actividades, realçando que o negócio é rentável, promove o crescimento e o desenvolvimento.
"Temos vivido alguns constrangimentos durante a produção devido a factores relacionados com o tempo, por altura das chuvas e das calemas, o que tem provocado o defeso e a escassez do sal em determinadas épocas do ano, mas isso não retira os ganhos ao sector", afiançou.
Acrescentou que tudo isso acontece porque o sistema de produção do sal ainda é rudimentar, mas com a criação da zona de expansão, os empresários do ramo vão aprimorar e modernizar as técnicas para atingir índices de produção satisfatórios.
"Existe empenho, boa vontade do grupo empresarial que eu represento, que já labora na actividade há mais de 80 anos. Chegou, portanto, o momento de se efectuar uma revolução tecnológica do sal,  para não sermos ultrapassados no tempo e no espaço", desafiou.
Tânia Areias garantiu que o grupo que representa "tudo está a fazer para deixarmos de ter perdas. Foram equacionados estudos para a entrada em funcionamento, a médio prazo, de novas tecnologias para aumentar a produtividade, bem como melhorar a qualidade do sal produzido".
A gestora lembrou que o sector salineiro, como os restantes sectores produtivos no país, conheceu poucos avanços por altura do conflito armado, mas hoje, com a paz, registam-se boas perspectivas de desenvolvimento, daí a razão do seu grupo empresarial aumentar a área de produção para os dois hectares e atingir uma produção de 400 mil toneladas.
De acordo com Tânia Areias, ultrapassada que está a crise do iodo na região, todo o sal produzido pelo seu grupo é iodado. "Estamos empenhados em contribuir para aumentar a qualidade de vida dos nossos compatriotas, produzindo sal iodado".
Tânia Areias disse que outro desafio aguarda o seu grupo empresarial, que vai trabalhar para levar o sal a todo o leste do país e aos países vizinhos, com a entrada em funcionamento, nos próximos dois ou três anos, dos Caminho-de-ferro de Benguela (CFB). "Vamos fazer chegar o nosso sal a outros países da SADC, havendo por isso toda a necessidade de se caprichar na quantidade e na qualidade", disse.

 Comercialização da sardinha

Tânia Areias, cujo grupo empresarial também está ligado ao sector das pescas, disse haver fraca rentabilidade com a venda de sardinha, por ser um peixe de fraca qualidade, particularmente para consumidores residentes nas principais cidades do litoral da província de Benguela.
"Nos últimos tempos só é permitido realizar pesca da sardinha em cerco. Esta espécie de pescado tem pouca procura, o que tem complicado a vida dos industriais da Baía Farta", disse, acrescentando que enquanto não for levantada a interdição da pesca do carapau, o sector vai continuar a registar baixos índices de crescimento.
Sublinhou que o carapau é um dos recursos marinhos que dá um forte contributo para o crescimento das indústrias de pesca e emprego na Baía Farta, mas com a suspensão das capturas, as embarcações estão a trabalhar a "meio gás".
Álvaro Eugénio, outro industrial do sector, apoia a suspensão da captura do carapau, reconhecendo que existe toda a necessidade de explorar os recursos marinhos de forma responsável. "A salga do pescado da espécie sardinha tem diminuído nos últimos tempos, devido à especificidade da actividade, que obedece a critérios rigorosos, porque a escala do peixe deixou de ser feita de forma tradicional para não atentarmos contra a saúde dos consumidores, e como não compensa, registou-se uma quebra na produção deste produto", disse.
Álvaro Eugénio acrescentou que os mecanismos ainda funcionais para a salga têm custos operacionais bastante onerosos, daí a necessidade da requalificação do sistema de trabalho para o progresso da actividade, que muito contribui para a redução da fome e da pobreza no país            
"Existem operadores de pesca com visão de investimento no domínio da salga do peixe, por ser uma parte importante da dieta alimentar da população, mas o actual mau momento tem lugar porque o carapau deixou de ser pescado, por razões que todos os industriais compreendem. Mas, quando se recomeçar a pesca do carapau, asseguro que os níveis de salga vão aumentar", afirmou.   
Álvaro Eugénio "Alvarito" admitiu que, com a interdição, o mercado se retraiu e alguns dos seus companheiros do ramo foram obrigados a dispensar trabalhadores. "Tenho a certeza que estes momentos de crise vão ser superados muito em breve", disse confiante.
        
Apoios

Manuel Rodrigues, presidente da Associação de Produtores de Sal em Benguela, aproveitou a visita do segundo secretário do MPLA à região, Veríssimo Sapalo, para manifestar a preocupação dos produtores na zona de expansão de novas salinas, pedindo-lhe que defenda junto do Governo a necessidade de apoio para fazer face a alguns problemas com que se debatem os empresários do sector na preparação de terras.
Sublinhou que os meios técnicos são muito importantes para o êxito da expansão das salineiras na localidade do Chamume, solicitando ao Governo apoio em moto-niveladoras, tractores, basculantes, moto-bombas, cilindros, cisternas, entre outros equipamentos, para a preparação dos solos.            
Segundo Manuel Rodrigues, a localidade de Chamume, pelo crescimento económico que está a conhecer, já necessita de outros investimentos no sector da energia eléctrica, para facilitar a vida aos empresários não só das salineiras, mas também da actividade pesqueira. "A energia só chega à sede municipal. Temos aqui uma comunidade em número considerável, uma população que já tem cultura de ver televisão, ouvir rádio, mas que apenas vive de sistemas alternativos, sujeitos a todos os riscos provenientes do manuseamento dos geradores para terem corrente eléctrica em suas casas", indicou.
"Nós somos empresários e nem sempre temos de ir a Benguela. Vezes há em que temos de ficar aqui alguns dias para trabalhar. Então, precisamos de luz eléctrica e água potável 24 sobre 24 horas", declarou.
Veríssimo Sapalo disse ter tomado nota das preocupações dos empresários, mas recomendou que estes apresentem o seu plano de necessidades para que o Governo Provincial de Benguela, dentro das disponibilidades existentes, os tente apoiar.
O segundo secretário provincial do MPLA pediu paciência e assegurou que o Governo da Província vai desencadear acções com a finalidade de melhorar as condições de trabalho dos produtores de sal.

Tempo

Multimédia