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Benguela e Lobito com nova imagem

Jaime Azulay|Benguela

Se fosse permitido recuar no tempo, para apenas seis anos atrás, veríamos canaviais, palmeiras, milharais ou simplesmente terrenos devolutos.

Novo estádio de futebol enriquece a arquitectura urbana de Benguela
Fotografia: Jornal de Angola

Se fosse permitido recuar no tempo, para apenas seis anos atrás, veríamos canaviais, palmeiras, milharais ou simplesmente terrenos devolutos. Agora encontramos empreendimentos a serem erguidos por todo o lado. Empresas industriais começaram a instalar-se no perímetro da Catumbela, lado a lado com grandes armazéns comerciais e até condomínios residenciais. Uns já foram concluídos e têm as suas portas abertas, outros encontram-se em fase de conclusão.
Foi também construída uma estrada nova, com duas vias e um separador central, num troço de quase 30 quilómetros de extensão a ligar as cidades do Lobito e de Benguela, em substituição da antiga via estreita e que estava na origem do congestionamento do intenso tráfego rodoviário existente na região. Ao longo do percurso surge, de rompante, a imponente ponte sobre o rio Catumbela, obra de engenharia moderna recentemente inaugurada.
Enquanto circulávamos por esta via, pudemos igualmente observar o edifício de um hotel de vários andares que está a ser erguido no morro da Catumbela, próximo do local onde estavam as residências da antiga direcção “Kassequel”. Quem não vem à Benguela nos últimos anos, dificilmente conseguirá esconder a sua admiração, face às mudanças que praticamente se operam diariamente.
 Por feliz coincidência, o novo “Estádio Nacional de Ombaka” foi construído a poucas centenas de metros da estrada que liga as cidades de Benguela e do Lobito.
O acesso está assim altamente facilitado. Existe, igualmente, uma estação ferroviária e que pode constituir uma alternativa para os que preferem deslocar-se de comboio. Da estrada avistamos, com facilidade, o imponente estádio ao longe, como um símbolo de orgulho na capacidade dos angolanos em reconstruírem o país, após mais de trinta anos de guerra e que praticamente tinham destruído todas as infra-estruturas nacionais.
 As cidades da província engalanaram-se para receberem os visitantes. No Lobito existe uma estrada nova para o tráfego que vem de Benguela entrando pelo bairro da Luz. Foi instalado um sistema de iluminação ao longo da extensa avenida que passa pela rotunda do obelisco. Ali, um ramal segue para o morro da Bela-Vista e liga à estrada nacional que vai para o Huambo, Kuanza-Sul e Luanda. A outra bifurcação vai cidade adentro, sempre com separador central até chegar ao quartel dos bombeiros. Daqui podemos divisar as águas calmas da baía e os guindastes do porto do Lobito e dos estaleiros da Sonamet, uma empresa gigante que se dedica ao fabrico de estruturas metálicas usadas na exploração petrolífera.
Outra surpresa surge perante os nossos olhos: a antiga ponte “Carmona”, que ligava as duas partes da cidade separada pelas lagoas e mangais, foi substituída por uma construção moderna que se tornou num autêntico postal. Transpomos a ponte e entramos na zona do “Vinte e Oito”, uma área comercial por excelência e onde se encontra o mercado municipal agora totalmente reabilitado.
 Existem vias paralelas de um e de outro lado do “Vinte e Oito”. Num deles estão os acessos principais para o Porto Comercial do Lobito. Há relativamente pouco tempo enormes camiões porta-contentores realizavam alias suas manobras para carga e descarga, o que chegava a embaraçar o trânsito citadino. Para pôr cobro à situação, as autoridades optaram pela construção de um porto seco noutra zona do município, encontrando-se ligada por um ramal de linha férrea. Assim, os contentores são descarregados dos navios através dos guindastes directamente para as carruagens das composições ferroviárias que os vão descarregar no porto-seco. Dali seguem para os seus destinos instalados nos reboques dos camiões.
A restinga é uma das zonas mais emblemáticas do Lobito e a sua área nobre. Trata-se de um cabedelo de areia com seis quilómetros de extensão. Cortada por uma ampla avenida asfaltada, está ladeada por construções e edifícios. Um ramal dá para a baía e um outro segue para o lado do mar alto.
O acesso para a restinga é feito pela Colina da Saudade, que faz o papel de uma autêntica placa giratória para o tráfego que circula entre o Compão e o Bairro Académico e segue, igualmente, em direcção ao Vinte e Oito e para a própria restinga. A avenida principal vai até à ponta da restinga, onde se encontra o canal de entrada para os navios que demandam o porto. Também existem duas vias secundárias que permitem o acesso para os luxuosos blocos residenciais. Uma delas desemboca na rotunda, o que permite a entrada para a área balnear mais frequentada pelos locais e pelos visitantes. Existem aqui inúmeros restaurantes de categoria e cuja construção obedeceu a critérios rigorosos de respeito pela paisagem.
     Finalmente temos a parte alta da cidade, dominada pelo bairro da Bela-Vista e por outros de surgimento mais recente, devido ao rápido crescimento da população. Observamos que praticamente já não existe uma divisória clara a separar o Lobito e a Catumbela, pela zona dos morros. Elas estão praticamente ligadas, embora administrativamente a Catumbela esteja adstrita à municipalidade do Lobito. Mas nem sempre foi assim. O curioso é que o Lobito é uma das cidades mais novas de Angola, contrariamente à Catumbela e Benguela, velhos baluartes do comércio de escravos, marfim e borracha.
O surgimento do Lobito deveu-se à construção do porto e do Caminho de Ferro de Benguela, no início do século XX. A restinga foi a primeira área a ser ocupada, seguida do Compão, onde ficaram instalados os trabalhadores que participaram nas obras do porto e do CFB. Os ingleses designavam este local de “Compound”. Quando eles se foram embora os locais aportuguesaram o termo para “Compão” e assim ficou até hoje.

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