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Benguela está a formar professores

Jesus Silva| Lobito

Mais de 12 mil professores de diversos níveis de ensino vão ser formados até 2015 na província de Benguela, no âmbito do Programa de Educação para Todos, disse ontem o director provincial do sector, Joaquim Pinheiro.

Mais de 12 mil professores de diversos níveis de ensino vão ser formados até 2015 na província de Benguela
Fotografia: Jornal de Angola

Mais de 12 mil professores de diversos níveis de ensino vão ser formados até 2015 na província de Benguela, no âmbito do Programa de Educação para Todos, disse ontem o director provincial do sector, Joaquim Pinheiro.
O responsável disse ao Jornal de Angola que a província conta actualmente com 24 mil professores e um dos grandes desafios é aumentar o número de docentes e melhorar o desempenho na implementação do processo de ensino e aprendizagem, no sentido de corresponderem aos anseios da sociedade.
Para tal, o director avançou ser preciso o empenho de todos neste momento de mudança do nosso sistema de ensino, no sentido de se produzirem resultados que satisfaçam os anseios da sociedade. Dentro dos próximos dois anos, adiantou o responsável, será feita uma avaliação da implementação da Reforma Educativa que decorre actualmente em todo o território nacional.
Do seu ponto de vista, é necessário recuperar a cultura do professor, uma vez que a profissão de docente não pode ser apenas um recurso para aqueles que procuram o primeiro emprego. “A Educação não pode continuar a ser a alternativa para aqueles que não conseguiram outras ocupações”, alertou, acrescentando que este é o sector que mais emprega pessoal não profissionalizado no país. “É uma questão que deve ser abordada com seriedade”, defendeu Joaquim Pinheiro, para quem muitos pseudo professores ingressam no sector da Educação com o objectivo de ganharam um salário melhor e garantirem a sua reforma.
Por outro lado, reconhece que nem tudo está mal, havendo professores que se identificam com a causa, ensinando com entrega e amor os futuros quadros da nação. “Esses são os docentes de que nós precisamos e com os quais nós contamos. Entretanto, é necessário promover o profissionalismo responsável”, frisou, considerando que estes “verdadeiros professores” têm feito um excelente trabalho e “são os construtores de competências e do saber, pensando, não no imediato, mas sim no cidadão que está a ser formado”.

Preparar as futuras gerações

O chefe da repartição municipal de Educação do Lobito, Lino Passassy, salientou que os professores, com o seu saber, trabalho e desempenho, preparam as sociedades e as futuras gerações, daí a necessidade de se pautarem pela criatividade e responsabilidade nas acções produtivas e sociais, vida cultural e desenvolvimento da cidadania.
Nos últimos tempos, segundo asseverou, não tem havido esse reconhecimento devido ao trabalho dos professores. No entanto, a administração municipal reconhece o valor inquestionável dos professores, sem os quais não seria possível o desenvolvimento das sociedades.
Para David Santana, docente brasileiro, que falou em nome dos seus colegas estrangeiros que leccionam no Instituto Médio Politécnico do Lobito (IMPL), a Educação deve ser observada como um processo de construção contínua e dinâmica, onde a participação do docente é fundamental para que haja bons resultados no avanço da medicina, das ciências e de tantas outras áreas do saber.
“Isso só acontece graças à vontade e à dedicação dos professores que, no mundo inteiro, sofrem revezes, oposições e outros constrangimentos que impedem que o exercício da docência seja encarado como uma actividade nobre”, referiu.
Segundo ele, o dia 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, deveria ser pensado como um marco, o símbolo de uma das actividades mais importantes no que tange à transmissão do saber, formação de pessoas e cidadãos que participam na construção de um país.
“Neste sentido, os docentes que laboram no IMPL e noutras instituições de ensino, entre os quais brasileiros, cubanos e cidadãos de outras nacionalidades, que dão o seu contributo na formação do capital humano para a construção de um país em crescimento, devem merecer o respeito da sociedade, independentemente da sua origem, de questões étnicas, culturais ou geográficas”, rematou.

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