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Benguela precisa de mais professores e escolas

Maximiano Filipe | Benguela

Um total de 267 mil crianças em idade escolar estão fora do sistema normal de ensino, na província de Benguela, por falta de salas e de professores, revelou ontem o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.

Autoridades locais criaram condições para se evitar o absentismo nos primeiros dias de aulas visando aumentar os níveis de aproveitamento
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Samuel Maleze considerou este facto um grande desafio do sector a nível da província e lançou um apelo à classe empresarial local para fazer investimentos significativos no domínio do ensino, com vista a colmatar a exiguidade de espaços. O director provincial da Educação disse que a questão da carência de professores tem “tirado o sono” aos responsáveis do sector, principalmente nos últimos tempos, com o surgimento de solicitações de transferências de docentes do interior para o centro.
Do ponto de vista estatístico, até hoje, o sector contabiliza 1.450 solicitações de transferências. “Muitos desses professores já cumpriram com o período estabelecido por lei, equivalente a cinco anos de exercício profissional no local, para ter acesso à deslocação”, disse.
Apesar das dificuldades, o responsável avançou que o sector tem dado grandes avanços, principalmente na formação de alfabetizadores e de professores de Química, Física, Biologia e Electrónica, e beneficiou com a reabertura das escolas agrárias Joaquim Kapango, Paulo Teixeira Jorge e Tomás Ferreira, no município de Benguela.
Para este ano lectivo, a província matriculou 146.457 alunos, no quadro do programa geral do sector da Educação, que visa desenvolver um sistema de ensino de qualidade em Benguela e arredores.
O director avançou que as acções desenvolvidas pelo Governo, no domínio da Educação, resultaram na construção de novas salas de aula e na entrada em funcionamento das mesmas no presente ano lectivo, o que está a minimizar o número de crianças fora do sistema.
Neste momento, salienta Samuel Maleze, a província dispõe de 1.263 escolas e outras em construção, com um corpo docente de cerca de 21 mil professores.
Disse que, em 2016, o grau de aproveitamento escolar foi de 80 por cento e  para este ano lectivo a taxa pode elevar-se a 96 por cento, tendo em conta as condições criadas para o efeito.

Material escolar

A Novaeduca, fábrica de material escolar, localizada na Zona Industrial de Benguela, regista uma grande baixa na capacidade de produção de material didáctico, por falta de matéria-prima.
A directora-geral da fábrica, Cecília do Rosário, referiu que a matéria-prima usada para a produção de cadernos e manuais escolares diversos, bem como lápis, borrachas e giz vêm do exterior.
Em função da conjuntura económica, Cecília do Rosário referiu que o mecanismo de importação do material tornou-se bastante oneroso, facto que não compensa o trabalho que tem sido feito. “Temos elevados gastos com a produção desses bens e com a venda a grosso no mercado nacional”, frisou.
Cecília do Rosário sublinhou que a Novaeduca produzia anteriormente 20 mil cadernos por dia, estando hoje a fazer apenas seis mil.“Estamos com o stock baixo, incapaz de atender todos os comerciantes da província, que têm vindo a solicitar o produto”, lamentou, para avançar que, neste momento, a fábrica está a atender apenas algumas instituições, que fizeram solicitações antecipadas.

Recuperar a capacidade


A directora-geral da fábrica afecta ao Ministério da Indústria disse que estudos estão a ser feitos para se encontrarem mecanismos para a identificação de empresas de âmbito nacional que fabricam materiais como bobinas e capas, para que a Novaeduca recupere a capacidade de produção.
A Novaeduca é um projecto que surgiu em 2014, em substituição da antiga fábrica Emateb, paralisada por falta de material e de meios financeiros. Foi concebida para a produção de material didáctico, em conformidade com as disposições do Ministério da Educação. Com um investimento de 433.684.462 de kwanzas, a Novaeduca entrou em funcionamento no ano passado, tendo já efectivado várias acções na ordem de 95 por cento, com a criação de uma linha de produção de cadernos escolares, manuais, giz e lápis. Com 16 funcionários, a empresa pretende, no quadro da recuperação do nível de produção, garantir mais 50 postos de trabalho durante este ano.

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