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Benguela toma medidas para prevenir tragédias

António Gonçalves | Benguela

O governador provincial de Benguela, Isaac dos Anjos, constatou as condições técnicas da bacia hidrográfica do Dungo, situada no município do Cubal, para prevenir tragédias como a de Março de 2004, quando o aumento do caudal dos rios, devido às chuvas, provocou a morte de pessoas, a destruição de campos de cultivo e habitações.

Vista parcial da cidade de Benguela onde tem chovido frequentemente nos últimos dias
Fotografia: João Augusto

A bacia hidrográfica do Dungo é alimentada pelos rios Atiopo, Lonjombele, Tchikeke, Cubal da Hanha, Bongo e Calundongo e, com o início das chuvas, em Dezembro, recebe enorme concentração de águas, criando dificuldade às populações.
O coordenador da comissão de moradores da localidade de Atiopo, a 22 quilómetros da sede do município do Cubal, explicou ontem, ao Jornal de Angola, que nos últimos dias tem chovido consecutivamente, provocando a inundação de vastas parcelas de cultivo de milho, que os camponeses esperavam colher este mês.
Lourenço Chimundo referiu que em consequência das fortes chuvas a comunidade de Atiopo, composta por 450 pessoas, perdeu toda a produção e, por isso, precisa de apoio alimentar urgente. Sempre que chove intensamente há a necessidade da abertura de algumas comportas da bacia hidrográfica, para evitar o transbordo da água e proteger as lavras das comunidades ribeirinhas das enchentes dos rios, explicou Lourenço Chimundo.

Linhas de água

O engenheiro agrónomo Silvano Levi referiu que a situação na barragem hidroeléctrica do Dungo, construída nos anos 1960 e reabilitada recentemente, não é alarmante. “As obras feitas no ano passado até certo ponto têm  contribuído para a retenção das águas na bacia hidrográfica”, sublinhou, acrescentando que o que a delegação que esteve no Cubal fez foi constatar as linhas auxiliares, que servem para desaguar as águas em situação de cheias.
Apesar de ainda não se estar perante uma situação de cheias, há a necessidade da implementação de obras  ambientais e agronómicas para evitar cheias e o desgaste das linhas de água  a partir da regularização dos caudais do rio Cubal e do Cubal da Hanha, indicou o engenheiro Silvano Levi.
Em Benguela as chuvas continuam a cair incessantemente, mas Silvano Levi recusa-se a falar em enchentes, notando que há apenas a elevação das linhas de água e esse facto resulta das “boas quedas” pluviométricas registadas até a data.  Silvano Levi desdramatizou o temor das populações que vivem nas margens do rio Cavaco, em Benguela. “Não vão ser afectadas, porque esta obra de retenção está a contribuir para a regularização do caudal a jusante do rio e a montante para a regularização dos caudais, para a gestão das águas para o regime agrícola”. 
Para o director das Obras Públicas, José Rego, a preocupação das autoridades de Benguela com a bacia hidrográfica do Dungo está ligada à subida  exponencial da bacia, que serve para acumular a água para ser aproveitada em tempo de seca.
Para acautelar a situação foi construído recentemente um dique, mas verificou-se, depois, que precisa de ser melhorado, concluiu o director das Obras Públicas.

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