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Campanha de fumigação para erradicação da febre-amarela

Maximiano Filipe | Benguela

Uma campanha geral de fumigação das ruas e bairros periféricos da cidade de Benguela foi lançada sexta-feira pelas autoridades sanitárias locais, no âmbito das acções de erradicação de focos da malária e febre-amarela.

Campanha decorre em todas as zonas da cidade com particular incidência nas comunidades onde se verificam os maiores focos de lixo
Fotografia: Jaimagens

A campanha está a decorrer em todas as zonas da cidade, com particular incidência sobre as comunidades onde se verificam com maior frequência vectores que provocam as duas doenças, que continuam a constituir as principais causas de morte entre a população.
Desenvolvida anteriormente nos municípios do Bocoio, Balombo, Lobito e Catumbela, a campanha, que decorre nos bairros do município de Benguela, estende-se posteriormente para a Baía Farta, na base de uma programação específica feita pela direcção provincial da Saúde.
O representante da repartição municipal de Saúde de Benguela, Garcia da Costa, assegurou que as condições humanas, logísticas e materiais estão preparadas para permitir a execução da campanha, que encerra amanhã.
Garcia da Costa referiu que a actividade surge em função dos últimos indicadores da malária e da febre-amarela, que, durante os meses de Março e Abril, multiplicaram o número de doentes atendidos no banco de urgência dos hospitais Geral e Municipal, que resultaram em vários óbitos.
Em declarações ao Jornal de Angola, o responsável alertou à população no sentido de cooperar com as equipas de saúde que desenvolvem a tarefa de fumigação nos bairros, abrindo portas e janelas das suas residências, para que o resultado da fumigação atinja as áreas habitacionais e elimine os focos do mosquito.
Durante a campanha, o responsável explicou que vão  ser igualmente distribuídos bio-larvicidas, um produto químico que elimina de forma imediata os vectores da malária, uma vez que estes se reproduzem em charcos.

Novas competências

Além disso, está a ser implementado um projecto denominado ”Obrigado Mãe”, virado para a formação e reforço de competências dos técnicos de saúde, no quadro do programa geral que visa o combate da malária e de outras doenças.
De iniciativa da Escola Superior de Enfermagem São Francisco de Misericórdia, instituição ligada à Igreja Católica, o projecto está a ser realizado, em parceria com o Instituto Superior Politécnico Jean Piaget. As populações de Benguela, Huambo e Bié são as beneficiárias.
A coordenadora do projecto na província de Benguela, Sofia Esteves, disse que o mesmo vai ser implementado na zona F, devendo beneficiar mulheres grávidas residentes no bairro da Graça.
Com fim previsto para 2017, o programa começou a ser levado a cabo, há três anos, com o objectivo de reforçar as competências técnicas e profissionais dos finalistas dos cursos de saúde, do ponto de vista teórico e prático, para contribuir na redução da malária e da mortalidade materno-infantil.
Sofia Esteves explicou que o projecto foi igualmente concebido para formar os profissionais que exercem actividades junto das unidades sanitárias da periferia, centros médicos, postos e hospitais municipais de Benguela, com um acompanhamento pontual da direcção provincial da Saúde.

Situação da doença

O supervisor provincial do Programa de Controlo da Malária em Benguela, Manuel Cassiano, disse que, durante o primeiro trimestre deste ano, foram registados 81.417 casos da doença, com os municípios sede, Lobito, Balombo e Bocoio a diagnosticarem o maior número de casos.
Em função disso, acrescentou Manuel Cassiano, as autoridades estão a levar a cabo a distribuição de mosquiteiros à pediatria do Hospital Geral de Benguela, pulverização e luta anti-larval nos diversos bairros, para assegurar a redução dos índices de mortalidade por ­malária e febre-amarela.
O administrador municipal de Benguela, Leopoldo Muhongo, disse que é preciso que se reforce o trabalho de educação à cidadania em matéria de saneamento básico, desenvolvido pelos técnicos da administração.
Leopoldo Muhongo anunciou que está em curso um programa que visa a instalação de mictórios públicos em algumas áreas do município, no sentido de preservar o ambiente, um trabalho inserido no quadro geral da municipalização dos serviços de saúde.

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