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Chegada tardia à pediatria continua a causar mortes

Jesus Silva| Lobito

Pelo menos duas a três crianças morrem por semana, nos serviços de pediatria do Hospital Geral do Lobito, na província de Benguela, por causas relacionadas com a chegada tardia dos doentes à unidade clínica, revelou ontem o subdirector clínico daqueles serviços.

Vista parcial da cidade do Lobito onde a vice-governadora de Benguela avaliou o funcionamento dos sectores da Saúde e da Educação
Fotografia: Fernando Camilo|Edições Novembro

Jorge Melo lamentou o facto de muitas mães preferirem pelos tratamentos caseiros e só decidirem tardiamente levar as crianças ao hospital, o que costuma dar resultados bastante negativos no processo de cura e salvação dos pacientes graves. “Muitas crianças acabam por morrer antes das 24 horas, após chegarem aos nossos serviços, uma vez que certas são praticamente carregadas para a assistência médica já em estado moribundo”, disse o responsável clínico.
Em função disso, o médico apelou os pais e encarregados de educação a serem mais cautelosos e a tomarem medidas preventivas, principalmente acorrerem ao hospital, logo que as crianças apresentem sinais de febre e a evitarem os postos de saúde duvidosos, curandeiros, entre outros serviços não aconselháveis.
Diariamente, a pediatria do Lobito recebe mais ou menos 15 novos doentes. As crianças, maioritariamente entre os seis meses e cinco anos, são levados à unidade clínica por causas relacionadas com malária, má nutrição, broncopneumonia, diarreias agudas e tuberculose. Jorge Melo, que falava durante a visita que a vice-governadora para a esfera Política e Social, Laurinda Baca, efectuou ao Hospital Geral do Lobito, lamentou o facto de a unidade dispor de um quadro clínico compostos por poucos médicos, o que dificulta o atendimentos aos vários casos que ai chegam.
Na pediatria, disse, a maioria das crianças ali assistidas são apoquentadas com complicações ligadas ao paludismo, dai recomendar a sociedade a redobrar os níveis de prevenção contra a doença, uma das principais causas de morte na província de Benguela e no país, em geral.

Outras áreas do hospital

Além da pediatria, a vice-governadora Laurinda Baca visitou ainda os serviços de maternidade e todas as dependências do Hospital Geral do lobito, com destaque para o banco de urgência, radiologia, UTI, sala oftalmológica, cirurgia, enfermarias, pavilhões de doenças contagiosas, laboratórios e hemoterapia.
No final da visita, a responsável provincial elogiou o trabalho dos profissionais do Hospital Geral do Lobito, em função do dinamismo que os mesmos implementam, mesmo com a insuficiência de pessoal médico, enfermeiros e técnicos de diagnóstico.
O Hospital Geral do Lobito possui três médicos cirurgiões, um urologista, anestesista, neurologista, dermatologista, além de fisioterapeutas, psicólogos clínicos, que são apoiados por outros técnicos.
O Hospital, que recebe por dia, em média, 290 pacientes, conta com 457 camas para internamento e com os préstimos de 13 médicos, se contar com os profissionais das duas subunidades (Pediatria e Maternidade).

Projecto “Meu Kamba”

No que diz respeito ao sector da Educação, Laurinda Baca inteirou-se do funcionamento do projecto “Meu Kamba”, que está a ser implementado na Escola Deolinda Rodrigues, no bairro da Caponte, em período experimental.
O projecto visa preparar as crianças para lidarem com as tecnologias de informação e comunicação, um programa que deve ser estendido para os demais estabelecimentos escolares do município e da província.
A vice-governadora foi ainda visitar as 14 salas anexas improvisadas no Club Atlético do Lobito, para albergar os 1.185 ex-estudantes da Escola Doutor António Agostinho Neto, no bairro do Liro, que, por causa das enxurradas de 11 de Março de 2015, ficou totalmente degradada. O sector da Educação a nível do município do Lobito controla 123 escolas (um total de 1.876 salas) distribuídas nos vários subsistemas, sendo 90 públicas e comparticipadas e 33 particulares, que albergam 153.057 alunos.
Apesar dos esforços, a província tem ainda 14.635 alunos fora do sistema de ensino, de acordo com dados do senso populacional de 2014. Para inverter o quadro, no próximo ano, entram em funcionamento mais 84 salas da rede pública, que devem absorver 11.000 alunos.

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