Províncias

Circulação do comboio ajuda a combater a pobreza

Victória Quintas | Huambo

A circulação do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) tem facilitado as trocas comerciais entre as províncias do Huambo e Benguela.

Todas as semanas o comboio transporta muitas toneladas de produtos diversos entre as províncias de Benguela e do Huambo
Fotografia: Victória Quintas | Huambo

A circulação do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) tem facilitado as trocas comerciais entre as províncias do Huambo e Benguela. Desde a sua inauguração, em Agosto de 2011, o comboio de carga faz, semanalmente, o trajecto Porto do Lobito/Huambo, para o transporte de mercadorias diversas, enquanto o de passageiros faz o mesmo trajecto, mas quinzenalmente.  
“A funcionar em pleno para o Huambo, Bié e Moxico, os Caminhos-de-Ferro de Benguela podem transportar sal, peixe, cimento, fertilizantes e outros produtos, facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, e, deste modo, contribuir para a descida dos preços”, disse o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Caminho-de-Ferro de Benguela, Carlos Gomes.
A frequência com que o comboio circula de Benguela ao Huambo, e vice-versa, ainda não possibilita o arrecadar de fundos para o sector, tendo em conta que a variante do Cubal, Benguela, que liga o Lobito ao restante ramal do CFB, está em reparação.
“Continuamos a trabalhar para efectivar a modernização do CFB, mas estamos, por enquanto, a funcionar em regime experimental, razão pela qual ainda não nos possibilitou o arrecadar de receitas,” disse o PCA.
Em 2001, a circulação do comboio estava reduzida a 34 quilómetros, entre o Lobito e Benguela (Ramal de Benguela), e algumas linhas de acesso a armazéns e indústrias do Lobito (Complexo do Lobito, com aproximadamente 18 quilómetros).
Posteriormente, foi anunciada para o primeiro trimestre de 2002 a ligação do Lobito ao Cubal, pela variante 153 quilómetros, sem passar por Benguela, mas a ponte desta variante estava pior do que o previsto e havia três pontes metálicas que estavam degradadas.
Em Maio de 2003, engenheiros portugueses e técnicos angolanos deram início às obras de recuperação da ponte sobre o rio Cubal, que ficaram concluídas sete meses depois. O tabuleiro, em betão pré-esforçado, possui seis tramos de 25 metros. Um deles foi totalmente demolido e reconstruído, tal como um dos pilares de apoio.
Em Dezembro de 2004, foi reinaugurada a variante Lobito-Cubal, que só arrancou definitivamente em Julho de 2005, devido às obras na ponte sobre o rio Halu, a 79 quilómetros da cidade do Lobito.
A reabilitação do troço ferroviário Lobito/Luau, com recurso a uma linha de crédito da República da China, está a acelerar a reabilitação total dos 1.301 quilómetros de linha até à província do Moxico, inicialmente avaliado em 200 milhões de dólares e com conclusão prevista para Agosto de 2012. A empreitada está a cargo da construtora chinesa China Railway 20 Bureau Group Corporation (CR-20). 
O plano, que contemplava a reparação de locomotivas e pontes, substituição de travessas, requalificação de estações e desminagem, mantinha quatro importantes projectos, designadamente o Calenga/ Santa Iria, que restabeleceu temporariamente o tráfego ferroviário entre a Caála e o Huambo, em 2002, o Lobito/Cubal, com uma extensão de 153 quilómetros, concluído em Julho de 2005, o Luena/Luau, em fase de conclusão, e o Sistema Interurbano de Transporte de Passageiros no Lobito e Benguela (SITLOB).
Com a efectivação da ligação Lobito/Huambo, em 30 de Agosto de 2011, a previsão da inauguração do comboio de passageiros Lobito/Luau está marcada para Agosto deste ano.
Carlos Gomes disse haver municípios ainda sem estradas ao longo do percurso, como é o caso do Luakano (Moxico), e outras localidades, e apontou a existência de pontes partidas que impediam a rápida reabilitação dos mesmos, transtornos que aos poucos estão a ser ultrapassados com a colocação das mesmas.
 
Carruagens e locomotivas
 
Está em curso a importação da China de novas carruagens e locomotivas, para assegurar o conforto dos passageiros. Recentemente, o CFB recebeu novas carruagens, ao passo que as locomotivas chegam em Agosto.  
Os Caminhos-de-Ferro de Benguela funcionam, de momento, com 38 vagões de carga, com capacidade para 40 toneladas cada, e, segundo Carlos Gomes, com a chegada de novos equipamentos, o número pode aumentar e facilitar as deslocações.
Para a manutenção das máquinas existentes, a empresa conta com uma oficina de manutenção preventiva, localizada no município do Lobito, mas a previsão é reabilitar a antiga oficina central do Huambo.
“Pretendemos transferir essa oficina para o Huambo e reabilitar a antiga, tendo em conta as facilidades que o clima da província tem, para a manutenção do equipamento”, disse. 
É pretensão do CFB pôr, a breve trecho, à disposição da população, um comboio que circule entre o município sede do Huambo e os demais municípios, para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, tal como sucede do Lobito a Benguela, e daí para outros municípios. “Há muito por fazer, nos caminhos-de-ferro, partindo da colocação de sinalização nas passagens de nível, de modo a evitar as travessias anárquicas, que podem muitas vezes criar embaraços à circulação do comboio”, referiu Carlos Gomes.
De modos a controlar e prevenir possíveis actos de vandalismo, que acontecem ao longo das linhas, o CFB está a trabalhar com a Polícia Nacional, para levar a cabo uma fiscalização eficaz e, deste modo, responsabilizar aqueles que tentarem destruir a linha. 
Carlos Gomes referiu que, desde a construção do CFB, em 1902, e a entrada em funcionamento, a 29 de Dezembro de 1928, para ligar o litoral do país à região Austral de África, via República Democrática do Congo e Zâmbia, os cidadãos habituaram-se ao comboio, como o meio de transporte mais eficaz, por isso, é responsabilidade de todos cuidar deste bem público.

Tempo

Multimédia