Províncias

Cooperativas incrementam o cultivo da mandioca

Adalberto Ceita |no Cubal

A escassez de chuvas que se faz sentir nas regiões Centro e Sul de Angola tornou-se o principal obstáculo ao trabalho que é desenvolvido pelos camponeses, sobretudo durante a campanha agrícola. Para contrariar esta tendência, na província de Benguela, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) incrementou o cultivo da cultura da mandioca.

A escassez de chuvas que se faz sentir nas regiões Centro e Sul de Angola tornou-se o principal obstáculo ao trabalho que é desenvolvido pelos camponeses, sobretudo durante a campanha agrícola. Para contrariar esta tendência, na província de Benguela, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) incrementou o cultivo da cultura da mandioca. No seio dos camponeses do município do Cubal prevalece a ideia de que a estratégia tem tido resultados positivos

Helena Sachingue sabe que não está livre do cultivo do milho, mas evidencia desânimo sempre que lavra a terra para semeá-lo. Natural do município da Ganda, e ligada ao campo há mais de sete anos, Helena fixou residência na aldeia da Caviva, na comuna da Capupa, que dista 28 quilómetros da sede municipal do Cubal, em Benguela. Desta localidade guarda na memória a experiência amarga da campanha agrícola de 2005. Devido à seca, toda a cultura do milho semeado na época acabou por murchar.
De acordo com o registo do chefe de departamento do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), órgão que representa o suporte do Ministério da Agricultura (MINAGRI), foi o pior ano agrícola registado naquela área do país, depois da paz.
Afonso Dialamikua lembra que a cultura do milho constitui a principal fonte de sobrevivência entre os camponeses do Cubal, embora ao milho se juntem culturas como a ginguba, bata-doce, massambala, feijão e ananás.
Afonso Dialamikua conta que o período de seca alargado obrigou à implementação do programa de fomento da mandioca. Na província de Benguela, a mandioca é das culturas que mais resiste à escassez de chuvas, e este aspecto particular, diz o chefe de departamento do IDA, propiciou a adopção do programa.
Fora das exigências em termos de qualidade de solo, Afonso Dialamikua explica que, por exemplo, ao contrário do milho, a reprodução da mandioca é fácil mesmo em situação de seca e a orientação dos técnicos vai nesse sentido. “O PDER visa orientar o camponês a trilhar o melhor caminho para aumentar a sua produção e acredito que desde que foi implementado já estamos acima de 80 por cento da produtividade”, adianta.
A cooperativa de camponeses é outro aspecto da actividade agrícola que também tem tido sucesso no Cubal. São no total 36 cooperativas sob controlo do IDA, entre as quais a Caviva Sul, composta por 170 cooperadores, dos quais 92 homens e 78 mulheres. Afonso Dialamikua explica que a criação destas cooperativas permitiu reduzir a dispersão massiva de camponeses que estava a tornar-se prejudicial para o fomento da agricultura.
Numa primeira fase, a multiplicação de plantação de mandioca beneficiou com mais de 55 hectares de terra os camponeses da Caviva Sul, sendo que os níveis de produção se situam entre 8 a 10 toneladas por cada hectare de terra cultivada. O presidente da cooperativa, António Sabuali, admite que além de trazer a experiência de trabalho em equipa, o PEDR veio devolver a esperança e união aos camponeses, sendo que já não se pensa noutra metodologia de trabalho. “Os camponeses já não sentem necessidade de trabalhar de outra maneira que não seja em cooperativa”, diz, salientando que “os tempos em que passávamos fome aqui na nossa aldeia ficam para a história”.
O lançamento da semente à terra acontece no mês de Outubro, enquanto o mês de Março está destinado à colheita. António Sabuali faz um recuo no tempo e destaca os resultados que foram alcançados na colheita da campanha agrícola passada. Ao mesmo tempo, lamenta as dificuldades de transporte que ainda encontram, para um eficaz escoamento dos produtos.

Invasão das lavras

Uma das preocupações que tira o sono aos camponeses da aldeia de Caviva é a constante invasão das lavras da mandioca por animais, alguns dos quais de origem desconhecida.
A falta de protecção da área envolvente às sementeiras, segundo diz Vitória N’gueve, tem dificultado o combate a este mal. Só para se ter uma ideia da dimensão do problema, a camponesa esclarece que mesmo nos locais com protecção se torna difícil escapar à aparente fúria dos bois, cabritos ou até mesmo porcos.
Vitória N’gueve, que está associada na cooperativa Caviva Sul, disse que a invasão de animais por pouco comprometia o curso normal da presente campanha. Felizmente, a pronta intervenção dos camponeses foi determinante para os afastar por algum tempo. “O trabalho de campo exige muito sacrifício e tempo e é duro ver um trabalho de meses e meses a ser danificado”, disse.
Na ordem do dia está também a contínua batalha pelo escoamento dos produtos. O responsável técnico da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), Tiago Barata, aponta que o aumento da produção tem servido para abastecer com estacas os municípios vizinhos do Balombo e Caimbambo. Segundo o técnico da EDA, talvez uma das soluções fosse a montagem de uma moagem que possa rentabilizar o excedente de mandioca.

Assistência técnica

O projecto de multiplicação da cultura da mandioca tem ganho, paulatinamente, a batalha da seca. O director da EDA no Cubal, António André, reconhece insuficiências. A assistência técnica e material precisam de ser revistas, tal como a modernização dos instrumentos agrícolas, mas António André classifica de positivos os passos dados até agora.
Para o administrador adjunto do Cubal, Kwanza Santos, o sector agrícola, a nível do município, assentou raízes nas comunas da Capupa e da Yabala. Além de realçar o potencial agro-pecuário do município, Kwanza Santos avançou que foram destinados mais de cem hectares de terra aos camponeses. As estacas de reprodução de mandioqueira provenientes do Kwanza-Sul e Malanje evidenciam a satisfação pelo trabalho. O administrador esclarece que a maior debilidade está no reduzido domínio das técnicas de cultivo. Para o resolver, estão a ser procuradas soluções para contornar este aspecto, junto das associações. A agricultura é um factor decisivo no desenvolvimento do Cubal e, por isso, Kwanza Santos garante que o acompanhamento da administração vai prosseguir. “Precisamos que os programas tenham êxito para aumentar os postos de trabalho e reduzir os índices de pobreza”, disse.

O Cubal

Limitado a Norte pelo município do Bocoio, a Este pelo da Ganda, a Sul pelo do Chongorói e a Oeste pelo de Caimbambo, o Cubal conta com três comunas, 4.794 quilómetros quadrados e perto de três mil habitantes.
Banhado pelo rio do mesmo nome, desde sempre o Cubal viveu da agricultura, o que pode ser confirmado pelas 300 fazendas espalhadas ao longo do seu território. Só que, deste número, apenas trinta estão em funcionamento.
Reza a história que aquela parcela do país já foi uma potência da produção de sisal e de ananás, tendo desempenhado um papel importante na economia da região durante o século passado, fornecendo grandes quantidades de sisal e sumo de ananás para exportação.
O caminho-de-ferro de Benguela, um vector de desenvolvimento que chegou ao Cubal em 1908, caminha agora célere rumo à reabilitação. Portanto, o escoamento dos produtos agrícolas pode vir a ficar mais facilitado. 
A julgar pelo ritmo das obras que estão a ser levadas a cabo nas estradas, as autoridades provinciais garantem que a reabilitação de toda rede viária é uma questão que ficará resolvida a curto prazo.

Tempo

Multimédia