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Dia Mundial do Mar celebrado pela primeira vez no país

Jesus Silva | Lobito

O salão Nobre da Administração Municipal do Lobito acolheu na semana passada o Dia Mundial do Mar, em acto presidido por Victor de Carvalho, director do Instituto Marítimo Nacional.

O salão Nobre da Administração do Lobito acolheu o acto do Dia Mundial do Mar
Fotografia: Jesus Silva | Benguela

O salão Nobre da Administração Municipal do Lobito acolheu na semana passada o Dia Mundial do Mar, em acto presidido por Victor de Carvalho, director do Instituto Marítimo Nacional. Foi a primeira vez que em Angola se comemorou a efeméride e os participantes fizeram uma reflexão sobre as actividades do sector.
O Dia Marítimo Mundial foi instituído para chamar a atenção sobre a importância global das indústrias marítimas no comércio mundial, a promoção da segurança no transporte marítimo e para ajudar a proteger o ambiente marinho. É comemorado anualmente no dia 23 de Setembro.
Este ano, o Dia Mundial do Mar decorreu sob o tema “Ano do Pessoal do Mar”, com vista a relembrar as condições excepcionais do trabalho no mar e sua importância na vida das economias mundiais.
Durante os séculos XV e XVI, os Europeus, principalmente portugueses e espanhóis, lançaram-se aos oceanos para descobrirem novas rotas marítimas para o Oriente e conquistar novas terras para obter metais preciosos e matérias-primas. Esse período ficou conhecido como a “Era das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos”.
Era comum o medo gerado por falta de conhecimentos do mar e pela imaginação da época. Muitos acreditavam que o mar era habitado por monstros, enquanto outros tinham uma visão da terra como algo plano e portanto, ao navegar para o fim, a caravela podia cair num grande abismo.
Naquela época já existiam alguns instrumentos de navegação para a localização dos astros como o astrolábio e a bastilha. Também era utilizada a bússola. Como feitos relevantes da época, destaque para a chegada das caravelas de Vasco da Gama à índia, em 1498, de Nuno Álvaro Cabral ao litoral brasileiro, em 1500, e a descoberta da América por Cristóvão Colombo, em 1492.

Organização Marítima

Com o desenvolvimento do sector dos transportes marítimos, foi criada em 1948, em Genebra, a Organização Marítima Internacional, organismo responsável pela adopção de regras para prover a segurança no mar. Uma das primeiras tarefas da Organização Marítima Internacional foi actualizar a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar que constitui o primeiro e mais importante tratado internacional relacionado com a segurança marítima.
Os homens do mar são representados por organizações que exercem as actividades marítimas nos diversos ramos, como a marinha do comércio, dedicada essencialmente às actividades económicas, a marinha de pesca, de recreio e a marinha de guerra.
Hoje são centenas de milhões de pessoas em todo mundo que dependem dos navios para o transporte de grande variedade de produtos de que todos dependem, desde os alimentares, às matérias-primas.

Indústria marítima
 
O director do Instituto Marítimo Portuário de Angola, Victor de Carvalho, disse no Lobito que Angola quer colocar a indústria marítima nacional em níveis aceitáveis, na escala internacional, para o reconhecimento do país, pelo facto de manter uma representação permanente junto da Organização Marítima Internacional, sedeada em Londres, com vista a participar e acompanhar o desenrolar das convenções marítimas internacionais, acordos e protocolos de cooperação, de instituições que lidam com a indústria marítima.
“O nosso país joga um papel de relevo a nível regional, representando a Organização Marítima da África do Oeste e do Centro, junto da Organização Marítima Internacional”, afirmou.
Angola, acrescentou, tem uma extensa costa marítima com 1650 quilómetros, depósitos estratégicos e 90 por cento do fluxo mercantil é movimentado por via marítima. O Ministério dos Transportes tem vindo a imprimir uma dinâmica significativa no sector Marítimo e Portuário.
“Estamos a desenvolver acções ligadas à modernização do Porto do Lobito e a conclusão da reabilitação da primeira fase do Porto do Namibe e projectos para a construção dos novos portos de Cabinda e de Luanda”, frisou. A refundação da Cecil Marítima e a eliminação dos congestionamentos no Porto de Luanda são medidas importantes adoptadas pelo Ministério dos Transportes. Também foram lançados vários concursos públicos, sendo um para adquirir rebocadores e lanchas rápidas.
O Ministério dos Transportes apresentou um projecto de lei da Marinha Mercante e Portos e actividades conexas, outro de transporte marítimo de passageiros para a província de Luanda, que é extensivo a outras províncias e também um projecto de lei sobre o transporte fluvial na província do Kuando-Kubango.
A criação do Instituto Superior dos Transportes em Angola permite a formação de quadros técnicos do sector, com realce para o pessoal de mar.

Papel do Lobito
 
O administrador municipal do Lobito informou que nos últimos cinco anos o executivo que dirige está a resgatar o papel fulcral da cidade no que se refere à questão do mar em termos da sua infra-estrutura básica, como é o caso do Porto e a Baía do Lobito, e de toda a costa marítima que vai desde o rio Catabi, no Eval Guerra, até a Damba Maria, na fronteira com Benguela. Também está a promover os valores culturais e históricos inerentes ao mar. A ligação do Lobito ao mar começa com a Fortaleza de São Sebastião, no Egipto Praia, ligada à escravatura, e a de São Pedro, na Catumbela, que possui idêntica história. “Queremos resgatar as festas da cidade com as actividades mais importantes inerentes ao mar e com a prova de pesca desportiva Lobito Big Game Fishing Tournament, que se realiza todos os meses de Março, com o patrocínio do Porto”, referiu.
Considerou, que os mares do Lobito estão a ganhar outra dimensão com a construção do terminal oceânico da Refinaria do Lobito e do terminal para o minério de ferro, no âmbito da expansão da modernização do Porto Comercial local. 

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