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Directora da Família pede à sociedade para desencorajar práticas perniciosas

Jesus Silva | Bocoio

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher em Benguela, Idalina Carlos, disse, no município do Bocoio, que se deve continuar a promover os valores culturais e desencorajar as práticas culturais  perniciosas.

Casamento precoses foi tema de discusão
Fotografia: Jesus Silva | Lobito

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher em Benguela, Idalina Carlos, disse, no município do Bocoio, que se deve continuar a promover os valores culturais e desencorajar as práticas culturais  perniciosas.
Para Idalina Carlos, é inadmissível que a coberto da cultura se perpetuem casamentos precoces, o incesto, a usurpação dos bens dos cônjuges, particularmente em caso de morte do marido, e outras que atentem contra os direitos da família, com maior incidência para as mulheres e crianças.
A directora falava durante a realização do seminário sobre violência doméstica, liderança e género, que se realizou naquela parcela do território da província de Benguela, para realçar os esforços da mulher na luta pela igualdade de direitos, promover a igualdade e equidade do género, mobilizando mulheres e homens para a sua participação em todas esferas da vida socioeconómica, política e cultural de Angola.
Referiu que a paz alcançada há cerca de nove anos, foi uma conquista preciosa para todos, constituindo, assim, o ponto de partida para a reconstrução e desenvolvimento de um novo país, cujos frutos são visíveis com os programas que estão a ser executados pelo Governo no domínio das infra-estruturas.
“Registamos com preocupação que a reconstrução das mentalidades dos indivíduos, das famílias e comunidades, não têm caminhado na mesma proporção das conquistas obtidas no campo da reconstrução física e material. Julgamos que são os homens, e particularmente as famílias, que garantem a sustentabilidade de todas as conquistas, daí que todo o nosso trabalho deva ser direccionado para a educação das famílias, para o projecto de sociedade em reconstrução, alicerçado no amor ao próximo, solidariedade, respeito pela nossa identidade cultural, direitos humanos e igualdade de género”, reconheceu.
Por isso, considerou que a Jornada Março/Mulher, que decorre sob o lema “ Pela Igualdade de Género, Reforcemos os Valores Morais e Cívicos ” se realiza numa altura em que a lei sobre a violência doméstica está em vias de aprovação, constituindo assim um instrumento jurídico valioso que regulará os conflitos no seio da família.
“Vamos continuar a levar a cabo acções de combate à violência doméstica, resgate dos valores morais e cívicos e preservação da paz, que custou o sacrifício de muitos filhos desta pátria”, salientou.  

Combater a violência

No final dos trabalhos, os participantes concluíram que deve haver maior divulgação dos diplomas legais, principalmente os relacionados com os direitos da família, de forma a evitar os atropelos ou irregularidades relativamente aos direitos das sucessões. Defenderam também que a lei contra a violência doméstica deve ser aprovada o mais depressa possível e que se deve continuar a denunciar todas as formas de violência que ocorrem no seio da família, para que a sociedade tome consciência e reaja em função dela.
Foram unânimes na necessidade de um combate cerrado às práticas culturais nocivas, que incitam à violência no seio da família, envolvendo as organizações sociais em programas de sensibilização sobre o resgate dos valores morais e cívicos, continuar a promover acções que visem a participação de mulheres e homens no processo de desenvolvimento do país, e realçaram as realizações que envolvam cada vez mais homens e mulheres na vulgarização dos conceitos e práticas de género, na perspectiva de domínio conceptual e respectiva aplicação a todos os níveis. Na sessão de abertura, o vice-governador de Benguela para a área política e social, Eliseu Epalanga, realçou a importância da abordagem inerente à violência doméstica, liderança e género, como forma de garantir o equilíbrio e harmonia na família, a convivência como forma de transmissão dos valores, e a necessidade do envolvimento da sociedade no resgate dos valores morais e cívicos, para inverter o quadro actual. Além disso, louvou a iniciativa do Executivo de criar o projecto contra a violência doméstica.

Liderança feminina

Deolinda Valiangula, administradora do Bocoio, sublinhou que o lema escolhido para debate é actual e sugestivo, não obstante ser polémico, tendo em conta que uma franja da sociedade conserva conceitos bastante antigos sobre o assunto.
“Se quisermos dar o exemplo, em particular na liderança feminina, concluiremos que precisamos de dois aspectos fundamentais: a preparação e a oportunidade, que não batem à nossa porta e por isso temos de as ir buscar e perseguir, de maneira persistente e disciplinada ”, frisou.
Adiantou que as mulheres não estão em busca da disputa com os homens, mas apenas a procurar a sua ascensão social porque a merecem, pois a convivência entre homens e mulheres é fundamental a todos os níveis, razão pela qual no fórum estiveram presentes os “nossos homens e companheiros”, asseverou.
A juíza Marta N’gueve, foi a prelectora do tema sobre o “Direito da Família”, moderada por Rogaria de Menezes, procuradora Municipal do Lobito. A “Violência Doméstica e o seu Impacto na Família” foi o tema abordado pela deputada da Assembleia Nacional Elisa Vihemba, moderado por Maria do Céu Sousa, chefe de departamento de Políticas Familiares, e “ Liderança e Gestão no Género”, por Inês Gaspar, directora nacional para a Política de Género, moderada por Maria Teresa Victória, da ADRA. 
Participaram no evento deputados à Assembleia Nacional, representante da directora nacional para a política de género do MINFAMU, a secretária provincial da Organização da Mulher Angolana (OMA), magistradas judiciais e do Ministério Público, membros do governo, organizações sociais, partidos políticos, autoridades tradicionais e eclesiásticas, num total de 92 participantes, sendo 20 do sexo masculino.
No início da reunião, o chefe da repartição de Cultura do Bocoio fez uma demonstração de peças artesanais que representam a cultura, hábitos e costumes daquela região e apresentou cinco mulheres com trajes típicos a simbolizarem a beleza daquela região.
Para encerrar o acto, um grupo de adolescentes pertencentes a uma congregação religiosa exibiram uma peça de teatro na qual patentearam exemplos negativos que se registam diariamente em diversas localidades do país, praticados por jovens, homens e mulheres.

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