Províncias

Dombe Grande planta tomate para a indústria

Jesus Silva | Dombe Grande

O aproveitamento das potencialidades agrícolas do vale do rio Coporolo, no Dombe Grande, província de Benguela, levou os agricultores a criar uma  cooperativa que está a trabalhar num projecto de plantação de tomate, numa área de 150 hectares.

O aproveitamento das potencialidades agrícolas do vale do rio Coporolo, no Dombe Grande, província de Benguela, levou os agricultores a criar uma  cooperativa que está a trabalhar num projecto de plantação de tomate, numa área de 150 hectares.
O projecto inclui a construção de uma fábrica de transformação de tomate, para a qual está reservado um terreno.
O engenheiro Samuel Orlando do Amaral, director da Açucareira 4 de Fevereiro, que se encontra paralisada, é um dos dinamizadores do projecto. Disse ao nosso jornal que a produção de tomate vai atingir as 500 mil toneladas em cada campanha agrícola, quantidade suficiente para justificar o investimento numa unidade agro-industrial.
O projecto vai facilitar a vida aos agricultores, que assim garantem o escoamento total da produção. Actualmente, os agricultores são obrigados a deslocar-se aos mercados de Benguela,  Luanda e outras regiões urbanas, para comercializarem os seus produtos, com enormes gastos em transportes, combustíveis, acessórios e alimentação do pessoal.
O projecto de relançamento da produção agrícola no vale do rio Coporolo enfrenta, desde já, barreiras de ordem ecológica, geográfica e geológica. O engenheiro Samuel do Amaral diz que é necessário construir uma rede de drenagem para permitir a lavagem dos solos: “com a paralisação da Açucareira 4 de Fevereiro e por falta de projectos de aproveitamento viáveis, as valas de drenagem existentes estão completamente obstruídas, o que faz com que os solos percam a qualidade que tinham”, assegurou.
A questão da drenagem do solos é essencial. O vale do rio Coporolo está próximo do mar, havendo assim o risco dos solos ficarem contaminados pela salinidade. Samuel do Amaral diz que é  urgente uma rede de drenagem capaz, para preservação e aproveitamento agrícola dos solos. “Entre os distintos vales da província de Benguela, nomeadamente, os do Cavaco, Catumbela e Canjala, o do Coporolo, para além de ser extenso, tem água em abundância. E, pela sua localização, é possível fazer um trabalho técnico que permita a sustentabilidade alimentar da província e de outras regiões do país”, referiu.
Na sua óptica, se for feito um trabalho permanente de preservação da riqueza e estrutura dos solos, com a criação de canais de drenagem, é beneficiado o grande potencial agrário dos vales, contribuindo para o afastamento definitivo do espectro da fome e para um desenvolvimento assente em bases firmes. 
No vale do Coporolo já fracassaram vários projectos precisamente por não se ter dado suficiente atenção aos aspectos técnicos, nomeadamente, à reciclagem dos solos através da sua irrigação e até mesmo o aconselhamento aos agricultores. Fracassaram os projectos da cana do açúcar e da banana.
Os pequenos e médios agricultores preciam de ajuda no tratamento específico dos solos para determinadas culturas. E precisam também de conhecimentos técnicos que os levem a enfrentar e combater as pragas que, por vezes, afectam as plantações.
“Esperamos que o projecto de implantação da cultura do tomate venha a beneficiar todas as pessoas nele envolvidas com conhecimentos técnicos e científicos”, afirmou Samuel do Amaral.
A cooperativa dos agricultores do vale do Coporolo tem 200 associados. A organização ajuda os seus membros no que se refere às questões técnicas. Neste momento trabalha no esclarecimento aos agricultores sobre a tramitação da documentação que permite o acesso ao crédito. Os agricultores estão esperançados numa promessa feita pelo Executivo, de disponibilização de 250 milhões de dólares para o crédito agrícola.
“Os agricultores desta região têm encontrado muitas dificuldades para desempenharem as suas actividades, por dificuldades no acesso ao crédito. Quando os financiamentos aparecem, não abrangem todos os homens do campo”, afirmou Samuel do Amaral.
Os agricultores estão habituados, na sua lida diária, a enfrentar obstáculos, sejam de ordem natural, económica ou financeira. Mas toda a ajuda é importante. “Com muita persistência, coragem e sacrifício, temos notado uma evolução positiva dos trabalhos que eles desenvolvem”, assegurou Samuel do Amaral.

Barragem no Karivo

Samuel do Amaral disse ao Jornal de Angola que os estudos confirmam que para manter o rio Coporolo com um caudal permanente e um volume de água considerável, é necessária a construção de uma barragem, que para além de regular a quantidade de água a descer para o Dombe Grande, serve também para o fornecimento de electricidade.
“A mini-hídrica deve ser construída no Karivo, próximo do Dombe Grande, numa garganta propícia”, salientou Samuel do Amaral.
Os estudos, informou, já foram apresentados às autoridades responsáveis. Aguarda-se por uma decisão no sentido da construção da barragem.

Um pouco de história

Na época colonial, os portugueses instalaram no vale do rio Coporolo a cultura da cana do açúcar. Um pouco antes da independência de Angola, os técnicos, que na  maior parte eram expatriados, abandonaram o projecto, o que provocou um recuo brutal dos índices de produção e a paralisação total da fábrica de açúcar. 
Alguns agricultores, de forma individual ou colectiva, deram início à ocupação de algumas parcelas de terra, onde passaram cultivar milho, tomate, feijão, cebola, banana e outros produtos hortícolas e frutícolas.
O Estado, preocupado com a ocupação anárquica das terras e com o aproveitamento pleno das potencialidades do vale, abraçou o projecto da banana, que inicialmente foi identificado como viável. Os agricultores foram envolvidos no projecto, que, segundo o engenheiro Samuel Amaral, “fracassou por questões da própria estrutura interna”.
Na região do Dombe Grande, tradicionalmente agrícola, também se explora a pecuária. Existe um crescente contingente de gado bovino, seja de origem autóctone ou importada, sobretudo do Brasil.
A ligação da comuna com a sede do município e a cidade de Benguela, é feita por uma estrada em relativo bom estado.

Tempo

Multimédia