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Edifício necessita de uma intervenção urgente

Estácio Camassete | Huambo

O Hospital Central do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) no Huambo precisa de ser reabilitado urgentemente, devido ao avançado estado de degradação das suas estruturas físicas, afirmou a administradora da instituição pública.

A unidade sanitária dos ferroviários ainda consegue resolver alguns problemas de muitos pacientes apesar das dificuldades que vive
Fotografia: Jornal de Angola |

Maria Sukula disse que, a par da recuperação do edifício, o hospital também necessita de reforçar os recursos humanos e os meios técnicos inerentes ao seu funcionamento.
A unidade já foi, em tempos idos, um hospital de referência na região, mas hoje a situação é diferente, e a instituição está a deparar-se com uma série de problemas, entre os quais as vias de acesso, com ruas esburacadas e o capim a tomar conta dos arredores.
Pese embora o estado de degradação da estrutura física e das dificuldades que vive, a unidade sanitária dos ferroviários ainda consegue resolver muitos problemas dos pacientes. “Apesar das saudades dos tempos em que o hospital serviu de verdade as nossas populações, pensamos que ainda é um orgulho de dezenas dos seus trabalhadores, que procuram tudo fazer para que volte a servir cabalmente os doentes que procuram os nossos serviços”, disse a administradora.
A degradação do hospital do CFB deve-se fundamentalmente ao baixo orçamento atribuído, que dependem totalmente da direcção-geral da empresa, sediada na cidade portuária do Lobito, em Benguela, e não das autoridades locais. O hospital, com capacidade para 100 camas, está dividido em dois pavilhões e já acolheu as secções de maternidade, oftalmologia e dermatologia do Hospital Regional do Huambo, na altura em que se encontrava em reabilitação.
 Com estas duas áreas, o hospital pode continuar a receber pacientes, mesmo que entre em obras, que devem ser feitas por fases, para evitar paralisações.
A unidade tem apenas uma ambulância e uma carrinha de apoio aos serviços hospitalares.
Além disso, nos últimos tempos só tem albergado as secções de medicina para homens, mulheres e pediatria, atendendo, em média, 18 doentes por dia.
Os casos de paludismo e as diarreias são as doenças mais comuns entre as crianças que ali acorrem, enquanto os adultos apresentam problemas de lombalgia, devido aos trabalhos pesados que envolveram a maioria dos trabalhadores do CFB ao longo dos anos.
Na área da pediatria não são tratados os casos de má nutrição, devido à falta de meios técnicos para medir o nível de sangue no organismo, o que obriga a transferir estes casos para o hospital regional.

Mais apoio


A administradora garantiu que a unidade precisa de mais apoio, uma vez que as últimas ajudas que recebeu do Governo Provincial foi quando o estabelecimento do CFB albergou algumas secções do Hospital Regional do Huambo.Nessa altura, até os quadros do hospital do CFB beneficiavam regularmente de formação ou cursos de actualização, o que garantia um maior dinamismo de trabalho e experiência.
Maria Sukula defende que o hospital merece mais apoios, porque não atende só ferroviários e suas famílias, mas também a população em geral, cobrando um preço simbólico por cada serviço prestado.
Neste momento, por falta de equipamento, as únicas análises que se realizam no hospital são a gota espessa e widal, que custam 250 kwanzas, sendo que uma consulta ronda os 300 kwanzas.Em função das limitações, as situações complicadas são evacuadas para o Hospital Regional do Huambo, dado que a unidade do CFB enfrenta até falta de meios de primeiros socorros.

Falta médicos


Outro problema tem a ver com a falta de um médico residente, uma vez que o hospital funciona apenas com um especialista eventual, que assiste os problemas da unidade dos ferroviários, todas as segundas, quartas e sextas-feiras.Antigamente, o hospital dispunha de uma sala de parto, um bloco operatório e uma morgue, serviços que já não existem actualmente por falta de equipamentos. O hospital do CFB funciona actualmente com 40 trabalhadores, 18 enfermeiros e outros de apoio hospitalar.
Em função disso, a unidade tem necessidade de mais três médicos, 14 enfermeiros e outros funcionários, como maqueiros.
A falta gritante de medicamentos, reagentes e outros materiais gastáveis fazem também parte das preocupações das autoridades do hospital do CFB.

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