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Esperança renasce entre as vítimas da chuva

Jesus Silva | Lobito

Os cidadãos desalojados e os que viviam em zonas de risco no Lobito começaram a ser alojados no acampamento de Camuningue, uma semana após a tragédia que devastou casas e causou vítimas mortais, em consequência das enxurradas.

Governador Issac dos Anjos (ao centro) foi informado sobre as condições criadas para realojar as vítimas das chuvas do Lobito
Fotografia: António Gonçalves | Lobito

No Camuningue foram instaladas 68 tendas, das quais 57 para famílias do Lobito e 17 da Catumbela. Neste momento, está a ser concluída a instalação dos balneários, rede de energia eléctrica, canalização de água potável, postes de iluminação e terraplenagem dos acessos.
Também está a ser erguida uma escola com seis salas, para os alunos do ensino primário não perderem o ano lectivo.
Após o levantamento de dados dos alunos, vão ser seleccionados os professores para a quinta e sexta classe. Marinela Sendala, directora do Ministério da Assistência e Reinserção Social em Benguela, assegurou que o material didáctico está garantido.
No local onde se encontram 110 das 371 famílias inicialmente previstas, já foi instalado um posto de saúde para atender às necessidades de assistência médica em qualquer período do dia. Também foi instalado um posto da Polícia Nacional para garantir a segurança e a ordem pública. Apesar da dor da perda, a esperança voltou a nascer no seio das famílias e a vida no acampamento segue sem sobressaltos.
A previsão é que as famílias permaneçam no acampamento durante pelo menos quatro meses, enquanto são preparados lotes urbanizados em áreas seguras e material de construção para construir casas. É o virar da página e o renascer de uma nova vida.A corrente solidária com as vítimas da enxurradas no Lobito e Catumbela tocou toda a Nação.
As pessoas afectadas têm agora no acampamento uma alimentação condigna e uma vida com menos turbulência.

Comida e ferramentas

Centenas de colchões, cobertores, roupa usada, calçado, fogões, máquinas de costura e muitos outros bens industriais vão contribuir para ajudar a refazer a vida dos que ficaram sem os seus pertences, perderam os entes queridos e viram as suas casas desabar. O Presidente José Eduardo dos Santos criou uma Comissão Interministerial, coordenada pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, e constituída pelo ministério do Interior, Ângelo Veiga, Saúde, José Van-Dúnem, Reinserção Social, João Baptista Kussumua, secretário de Estado da Protecção Civil e Bombeiros, Eugénio Laborinho, governador de Benguela, Isaac dos Anjos, e disponibilizou 100 milhões de kwanzas para apoiar as famílias enlutadas e pessoas afectadas. A população do município do Lobito começou a limpar a cidade, numa jornada promovida pela direcção do MPLA, em parceria com a Administração Municipal do Lobito, visando recolher o lixo, resíduos sólidos e animais mortos, que se encontram espalhados por várias zonas periféricas da cidade.
As brigadas de limpeza são constituídas por dezenas de jovens que querem mudar a imagem da cidade, que se encontra com um aspecto desolador, após as enxurradas de 11 de Março. Mas a necessidade de evitar possíveis surtos de doenças motivou “meio mundo” a colaborar no processo de limpeza.
Na operação de limpeza participaram três mil efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), da Academia Militar do Lobito, Escola de Logística e do 2º Batalhão da 70ª Brigada. Os presos limparam a vala de drenagem do bairro da Luz.
No Bar Africano, cinco mil mulheres da Organização da Mulher Angolana (OMA), JMPLA e sociedade civil participaram na campanha de limpeza, à semelhança dos 870 agentes da Polícia Nacional que limparam a Escola Dr. António Agostinho Neto, no Liro.  No final da campanha foi encontrado o corpo de mais uma criança, já em avançado estado de decomposição.

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