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Governador de Benguela quer "as coisas certas"

António Gonçalves | Benguela

O governador de Benguela, Armando da Cruz Neto, afirmou ontem que a melhoria dos actos dos membros do Governo enquanto servidores públicos depende da interacção e comunicação entre os governantes e os governados.

O governador de Benguela, Armando da Cruz Neto, afirmou ontem que a melhoria dos actos dos membros do Governo enquanto servidores públicos depende da interacção e comunicação entre os governantes e os governados.
Armando da Cruz Neto discursava durante a cerimónia de apresentação de cumprimentos de fim de ano do seu executivo, admitiu ser necessário o aprofundamento dos mecanismos da articulação dos serviços com o cidadão.
“Precisamos de dar ao cidadão a possibilidade de contribuir com as suas críticas e sugestões nos vários actos e acções governativas, exprimir-se directamente sempre que os seus direitos não forem respeitados”, lembrou.
Como prioridade para a governação para 2010, Armando da Cruz Neto, vai exigir maior responsabilidade no cumprimento dos deveres correspondentes aos cargos e funções de cada um dos membros do seu executivo, visando melhorar a eficácia dos serviços públicos e desta forma fiscalizar os actos dos agentes investidos de cargos públicos.
“Temos que fazer em 2010 as coisas bem e as coisas certas. Para isso é incontornável o aprofundamento dos mecanismos da articulação dos nossos serviços com o cidadão”, realçou.
Armando da Cruz Neto aproveitou a oportunidade para anunciar que em 2010 vai ser instituído um guiché de reclamações, sugestões e críticas dos cidadãos para com os actos de governação, tendo acrescentado que tudo vai ser feito para que as contribuições não caiam em “saco roto” e seja transmitido ao cidadão um sinal de confiança, responsabilidade e respeito por parte de quem governa.
No que se refere aos detalhes sobre a localização e números de telefones a serem utilizados para as sugestões, reclamações, e críticas, o governador prometeu que vão ser divulgados logo que o guiché esteja pronto.
O governador de Benguela assegurou que o seu executivo vai fazer tudo para que não sejam defraudadas as expectativas depositadas no novo estilo de governação que quer imprimir na província, sendo necessário para o efeito o envolvimento e a colaboração séria, activa e sem reservas de todos os benguelenses interessados em ver a população a usufruir de melhor qualidade de vida.
 
Benguela posta à prova

Acrescentou que em 2010 a província de Benguela vai ser posta à prova no que se refere à organização, ao civismo, à prestação de serviços e à eficácia das suas infra-estruturas com a realização de uma das fases do Campeonato Africano das Nações em Futebol.
Segundo o governador Armando da Cruz Neto “é importante lembrar que o CAN vai ser jogado igualmente nos nossos restaurantes e hotéis, nas nossas ruas e praias, em cada local de lazer e em cada contacto a estabelecer com os nossos hóspedes”, tendo solicitado por isso que os benguelenses devem igualmente sentir-se vencedores em cada uma dessas frentes que somadas vão ditar a vitória da organização do CAN na província.

Ajustamentos e correcções

Relativamente ao ano de 2009, o governador de Benguela afirmou que apesar de ter sido marcado por acontecimentos políticos e económicos importantes como as inaugurações da nova ponte sobre o rio Catumbela, das infra-estruturas desportivas para o apoio ao Campeonato Africano das Nações em Futebol e à conclusão de 90 por centro das obras que deviam ter sido terminadas em exercícios anteriores, “não foi o mais favorável em matéria de realização dos investimentos de natureza económica e social que inicialmente tínhamos preconizado”.
Esse insucesso, referiu o governador, deveu-se ao facto dos programas e orçamentos terem sido reajustados em baixa, face às contracções registadas nas receitas do país como resultado da crise económica que assolou o planeta.
O governador revelou igualmente que 2009 foi o ano do seu aprendizado em matéria do conhecimento da realidade da província, da cultura política e institucional vigente, das disfunções e assimetrias do aparelho administrativo, do perfil político profissional e do valor dos homens com quem vai continuar a trabalhar.
Para o governador, apesar dessa fase não ter sido concluída, permitiu-lhe tirar as ilações mais ajustadas e fazer as avaliações mais condicentes às atitudes e práticas observadas.
Armando da Cruz Neto prometeu fazer os ajustamentos e correcções que as situações determinarem de modo a que o primado da boa governação e a gestão do erário público provincial “não venham a constituir uma permanente reclamação dos cidadãos, mas que tudo será feito sem pressões de qualquer natureza”.

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