Províncias

Jardim botânico e loja de ervas medicinais na forja

António Gonçalves| Benguela

O coordenador nacional do fórum de medicina tradicional em Angola, Kitoko Maiavangua, afirmou, em Benguela, que a valorização do terapeuta tradicional passa pela criação de uma escola de formação específica.

Benguela acolheu o fórum de medicina tradicional em Angola que contou com a participação de terapeutas de todas as províncias
Fotografia: Eduardo Pedro

Kitoko Maiavangua, que falava à comunicação social durante o encontro que manteve com os associados e conselheiros do fórum que dirige, sublinhou que um dos objectivos da sua criação será o combate ao analfabetismo no seio da classe.“A nova geração de terapeutas deve deixar de praticar acções de magia, assim como deixar de extorquir grandes somas em dinheiro em troca de falsas promessas de cura”, alertou o terapeuta, para quem a nova geração deve ser melhor preparada.Para o efeito, sublinhou que a escola contará com a colaboração de professores de nacionalidade portuguesa, chinesa e alguns angolanos que estão a ser preparados para o efeito.
Para Kitoko Maiavangua, o facto de existirem inúmeras companhias de venda de medicamentos naturais em Angola começa a ser visto como uma questão de segurança nacional, pois muitos destes produtos podem ser pirateados por pessoas de má fé, com consequências graves para a saúde pública.
Em face disso adiantou que a cidade de Benguela será o berço do primeiro jardim botânico e da loja de venda de ervas medicinais do país, no próximo ano, mas que a catalogação de plantas medicinais poderá ser efectuada já em Fevereiro de 2014. Convindo disciplinar e organizar melhor o trabalho da medicina tradicional e natural em Angola, o fórum vai exigir a cada associado a apresentação de pelo menos 20 das plantas, com as quais trata os seus pacientes, como princípio que deve ser observado para que se respeite o património cultural, defendeu Kitoko Maiavangua. O coordenador defende igualmente que deve ser criado um arquivo histórico das tradições angolanas, onde deverão constar os dados biográficos dos terapeutas e histórico das plantas medicinais e seus efeitos, a exemplo de Luís Gomes Sambo. Kitoko Maiavangua considera que os conhecimentos terapêuticos devem ser transmitidos de geração para geração.
“Quer ser médico tradicional, não faça tratamento com efeito do álcool e vestido de forma indecente e evitar o assédio em tratamento de mulheres com problemas de infertilidade”, asseverou o responsável, para quem os pacientes devem denunciar às câmaras profissionais dos terapeutas de medicina tradicional, natural, alternativa e não convencional de Angola já instaladas em algumas províncias, as atitudes tipificadas como crime.
Durante a sua visita a Benguela, além do encontro que manteve com os terapeutas locais e conselheiros, visitou os centros ervanários São Pedro e Abel Guluca, os centros São Salvador e S. Home, bem como o Centro Terapeuta Tradicional Doctor Chipa, na cidade de Benguela.
O Fórum de Medicina Tradicional em Angola, criado a 2 de Fevereiro de 2005 e instalado nas 18 províncias do país, já formou 21 terapeutas. Controla 61 membros, inscritos e catalogados oficialmente, e 512 plantas medicinais.

Tempo

Multimédia