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Lobito cria comité de auditoria para avaliar mortes hospitalares

Jesus Silva | Lobito

O município do Lobito conta, desde terça-feira, com um comité local de auditoria de mortes maternas e neonatais, instituído para identificar as reais causas de óbitos de mulheres e de recém-nascidos a nível das diversas unidades sanitárias daquela parcela da província de Benguela.

Instituído comité para identificar as reais causas de óbitos de mulheres e de recém-nascidos a nível das diversas unidades sanitárias em Benguela
Fotografia: Paulo Mulaza


Além de identificar as causas de mortes entre mulheres e crianças, o comité, coordenado pelo administrador municipal do Lobito, Alberto Ngongo, vai igualmente trabalhar para a prevenção de óbitos no referido grupo.
O director municipal da Repartição da Saúde do Lobito, Zeferino Joaquim, explicou que o comité é ainda integrado por técnicos de outros sectores, além de quadros da área sanitária.
Zeferino Joaquim avançou a necessidade de assumir-se a responsabilidade por estes acontecimentos e por actos negligentes e indecorosos passíveis de punições.
O director municipal salientou que os profissionais devem continuar a trabalhar ao nível do seu conhecimento, em equipas, cumprir com os procedimentos éticos, técnicos e administrativos, aconselhar e aceitar conselhos e fazer com que as insuficiências sejam identificadas e rapidamente corrigidas.
“É nisso que reside o humanismo e não apenas, como se propala na generalidade, de basta tratar o nosso semelhante com carinho ou sentir a dor do outro. São necessárias acções práticas, simples e compreensíveis, tomadas em sintonia e cada vez melhores”, salientou o responsável da saúde.
O director municipal considerou que a prestação de serviços de qualidade deve ser a tónica dos trabalhadores de saúde tanto nos hospitais, como nas unidades de cuidados primários.
Zeferino Joaquim reconheceu a existência de carência de técnicos de saúde, mas assegurou a cobertura dos serviços em todas as comunas, zonas e bairros.  Nestas localidades, disse que existe pelo menos uma unidade sanitária com serviços primários.
O responsável municipal espera que se amplie a rede sanitária, apetrechamento e preenchimento dos serviços diferenciados, de modo a evitar-se aglomerações nas unidades centrais.
“Os nossos técnicos têm valências e competências para desempenharem as suas tarefas e aumentarem a produtividade”, realça.
O director municipal da Saúde avançou que as autoridades vão continuar a reforçar as acções de combate à malária, tuberculose, VIH/Sida, febre-amarela, dengue e diarreias agudas, as principais doenças que afectam a população local.
Explicou que os níveis de incidência e prevalência das referidas doenças estão associados aos casos de vulnerabilidade das mulheres grávidas e das crianças, com altos níveis de mortalidade materna e infantil. Zeferino Joaquim disse ser necessário munir com equipamentos adequados as unidades sanitárias, reforçar a competência dos técnicos de saúde, através da promoção de formações ou refrescamento, e sistematizar a supervisão para o alcance da qualidade dos serviços.
O responsável exortou os supervisores de programas, direcções dos hospitais e as equipas de supervisão hospitalar a desempenharem as suas tarefas como zelo e profissionalismo, no sentido de encontrarem as melhores soluções para os problemas que o sector vive actualmente.

Novos serviços

O administrador municipal do Lobito e coordenador do comité de auditoria, Alberto Ngongo, anunciou que, no âmbito da aproximação dos serviços essenciais básicos à população, foi construído um posto de saúde no Baixo Pundo, para socorrer, fundamentalmente, as vítimas de acidentes de viação a nível da estrada nacional nº 100 (morro do Pundo).
Neste momento, referiu o responsáve, que está proibido o carregamento excessivo em camiões e de carrinhas naquela região, para, em caso de acidente, evitar-se a perda de vidas humanas ou muitos feridos.
Alberto Ngongo elogiou os médicos cubanos, pelo amor e carinho com que tratam os pacientes locais, sem interesses pessoais. “Este é um exemplo que deve ser seguido pelos profissionais angolanos”, aponta.

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